quinta-feira, 24 de março de 2016

Conferência: "As TIC e a Saúde no Portugal de Hoje" - 2016

Professora Maria Helena Monteiro


A APDSI realizou, a 23 de março de 2016, mais uma edição da conferência intitulada “As TIC e a Saúde no Portugal de Hoje”, no Auditório do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, na Av. Brasil, sob a coordenação da Prof. Doutora Maria Helena Monteiro e da Prof. Doutora Ana Maria Evans. O evento reuniu especialistas das duas áreas em questão, bem como representantes de diversas instituições de saúde, públicas e privadas.

Na sessão de abertura, a professora Maria Helena Monteiro lembrou que «as TIC fazem parte da mudança que está a verificar-se na saúde». O foco da conferência, afirmou, «passa pela necessidade da participação do Estado, instituições públicas e privadas, academia e entidades financiadoras nesta aliança entre TIC e Saúde».

Manuel Delgado | Secretário de Estado da Saúde: Utentes no centro das atenções do SNS

Na conferência da APDSI, o Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, apresentou as mudanças «fundamentais» que o Governo pretende executar com o objetivo primordial de colocar o utente no centro das atenções do Serviço Nacional de Saúde. Anular barreiras no acesso ao Serviço Nacional de Saúde e promover medidas para cidadãos mais vulneráveis são outras das medidas que o Estado pretende levar a cabo nos próximos tempos. A racionalização de custos e diminuição de burocracia também está prevista, explicou Manuel Delgado, que também falou na hierarquização entre níveis de cuidados de saúde, dando ao utente a liberdade de escolha dentro do SNS. Isto significa que o cidadão pode querer ser socorrido em determinado hospital, em detrimento de outro. A novidade depende muito das TIC na medida em que tem de ser feita a disponibilização de informação pública sobre tempos de espera previstos, por exemplo, além de outros dados de referência sobre os centros de atendimento.

Outro dos exemplos apresentado na conferência passa pela redução de taxas moderadoras aos utentes que optem por recorrer aos sistemas prévios de triagem, como a linha “Saúde 24”, antes de se deslocarem aos hospitais. O Secretário de Estado aproveitou o exemplo para anunciar a abertura de um concurso público para um novo centro de contacto. Estão ainda previstas mudanças na saúde oral, visual e na medicina física de reabilitação, que vão ser integradas dentro dos cuidados primários de saúde, estando, ainda, prevista a contratação de médicos aposentados «para que todos tenham médicos de família, mas é uma situação transitória, apenas a ter lugar durante dois anos», conclui Manuel Delgado.

Henrique Martins | SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde: volume de receitas eletrónicas emitidas está a aumentar 

Henrique Martins, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, começou por comunicar e congratular-se pelo aumento do volume de emissões das e-receitas: «Ontem foi atingido um marco importante: 10% de receitas emitidas eletronicamente, sem papel, num só dia». O próximo grande objetivo dos SPMS passa por fazer um resumo europeu do doente e torná-lo internacional. A medida é inspirada nos mais de 25% de acessos ao portal do utente que vêm de cidadãos que estão fora de Portugal. «É preciso garantir que os portugueses que viajam têm acesso à informação sobre a sua saúde; isto é algo estratégico para a formação de responsabilidade e uma necessidade, além de uma oportunidade de inovação para aquilo que fazemos em Portugal», afirmou Henrique Martins.

Na sua apresentação foi também anunciado que, depois de dois anos de trabalho, Portugal tem desde janeiro um Chapter HL7: «É a criação de um grupo de pessoas distanciado da SPMS que vai propugnando com a indústria, a academia e agências governativas, a adoção do HL7», explicou.

O HL7 refere-se a um conjunto de normas internacionais para a representação e a transferência de dados clínicos e administrativos entre sistemas de informação em saúde, tais como em clínicas, consultórios, hospitais e sistemas de saúde pública.

José Carlos Nascimento | Gabinete do Ministro da Saúde: Cinco temas para uma reflexão sobre TI na saúde

José Carlos Nascimento relacionou, de forma original, cinco oportunidades e desafios que misturam TIC com a saúde. O professor, que anunciou a sua saída do Ministério da Saúde no fim de março, usou a sigla da APDSI para falar de (A)rquitetura, (P)articipação, (D)eployment, (S)erviços e (I)ndústria.

Sobre arquitetura, José Carlos Nascimento reconhece a importância da arquitetura de estratégias no traçar de um plano a longo prazo: «Ter uma nova estratégia todos os anos e ausência de um plano de continuidade, é de evitar. A estratégia deve ser pensada a uma década ou mais com consensos em arquiteturas tecnológicas, infraestruturas e aplicações, fluxos de informação e arquitetura de informação». Para o responsável deve haver uma clarificação das diversas funções que o Estado assume, separando a função de autoridade e regulação, da função de entrega de serviços e produtos, enquanto defende que a saúde tem de refletir a multiplicidade de agentes envolvidos.

A participação de profissionais das TI e da medicina é vista como fundamental para o professor que lamenta que os profissionais das tecnologias fiquem, muitas vezes, de fora do processo decisivo.

No que concerne ao deployment, o responsável procurou fugir à crítica direta mas não evitou falar dos problemas que, em seu entender, se estão a gerar devido à desatualização de vários sistemas. «Mais do que prometer é preciso fazer. Dar resposta aos sistemas de informação básicos é fundamental porque é algo que nos responsabiliza a todos», sublinhou.

Quanto aos serviços em saúde, José Carlos Nascimento referiu a importância da telemedicina como «uma das grandes oportunidades das TIC em soluções que vão até às populações, que saem das paredes dos hospitais e levam os serviços para junto dos cidadãos». As tecnologias surgem, neste enquadramento, como um dos fatores que proporcionam poupança através de um novo apoio domiciliário de proximidade que pode vir a ajudar o cidadão idoso e fragilizado.

Finalmente, sobre indústria e internacionalização, ficou a certeza da competitividade do nosso serviço empresarial. «O futuro dos sistemas de informação da saúde em Portugal será aquilo que o mercado e as empresas conseguirem desenvolver», concluiu.

Produtos e serviços na área da saúde

Como habitualmente acontece, na edição deste ano da conferência “As TIC e a Saúde no Portugal de Hoje”, houve espaço para a apresentação de casos de sucesso de empresas e serviços na área das TIC e Saúde.

Eduardo Vigil Martín, da Everis, fez uma inspiradora apresentação onde sublinhou que a empresa está a trabalhar “com” os médicos e não “para” os médicos, tendo por referência o princípio da criação e utilização de uma boa base de dados.

Leonor Silva e Almeida, da Deloitte, demonstrou que os doentes estão cada vez mais informados e mais exigentes com a saúde, o que sustentou a importância que prevê ser crescente (até 2020) das aplicações mobile voltadas para a saúde. Futuramente, todos esses dados serão, em seu entender, transformados em informação útil.

Paulo Sousa, da Maxdata Software, apresentou o caso de sucesso da empresa na unificação laboratorial que foi feita nos Açores envolvendo três hospitais, um centro de oncologia e 17 centros de saúde.

Rui Raposo, da José de Mello Saúde SGPS, apresentou dados que reforçam o objetivo do grupo de saúde privado: excelência clínica a preços acessíveis.

João Mota Lopes, da Oracle Portugal, mostrou como a empresa tem olhado para as tecnologias enquanto elemento que pode proporcionar mais afeto aos utentes e melhorar a relação entre médico e paciente: «A tecnologia que o permite existe hoje e em qualquer sistema de saúde».

Rui Henriques, da Glintt Healthcare Solutions, lembrou que há aplicações que o cidadão vai querer começar a utilizar para integrar o seu próprio processo clínico, naquela que virá a ser uma transformação de dados em informação: «Não nos podemos esquecer que os informáticos também fazem parte da medicina».

Rosália Rodrigues, da Microsoft, afirmou que a marca quer melhorar a colaboração entre todos e integrar a experiência dos utentes com os serviços de saúde, nomeadamente no trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito da videoconferência entre médicos e acamados.

Ângela Brandão, da PRIMAVERA BSS, trouxe ao público da conferência da APDSI soluções especializadas para o setor da saúde e os casos de sucesso que obteve no Grupo Luz Saúde e Saudaçor.

Daniel Silva, da Quidgest, demonstrou como os produtos que a empresa disponibiliza podem ser uma boa solução para compras, aprovisionamento e gestão de existências. «80% dos erros encontrados nos processos estão no aprovisionamento», diz Daniel Silva.

Rogério Gaspar, da Universidade de Lisboa, mostrou como o futuro se vai relacionar com o mote fundamental da EITHealth, através de um crescente interesse em “health living and active ageing”. A HeartGenetics é uma Startup, apresentada na conferência por Ana Teresa Freitas. A HeartGenetics desenvolve soluções na área da biotecnologia, ou seja, equipamento que ajuda a definir terapêuticas com base na genética, através da combinação de um kit + software.

Filipe Cardoso, da Magnomics, trouxe ao público da APDSI uma novidade em matéria de saúde pública e animal. Através da rápida identificação de bactérias (atualmente o processo demora um a dois dias), a Magnomics recolhe informação sobre uma eventual contaminação que passa a estar num chip: «É um dispositivo rápido, portátil, que pode ser usado mesmo por quem não tem grandes aptidões informáticas, deteta um painel de múltiplas bactérias e é mais acessível em termos de custos».

Patrícia Calado, do GPPQ - Gabinete de Promoção do Programa Quadro de I&I (Investigação & Inovação) da União Europeia, deu uma visão otimista sobre o financiamento para eHealth, no âmbito do Horizonte 2020, ao sublinhar que há 160 milhões de euros para atribuir em eHealth no período 2016-2017 que, face aos mais recentes desafios societais, com o empowerment do doente e aposta no envelhecimento saudável, constituirão um investimento desejável. Para 2016-2017, a especialista explicou que o foco da Comissão Europeia está na inovação e impacto, em produtos e serviços que ponham o ênfase nos consumidores finais e nos ensaios clínicos.

Luís Drummond Borges, da AdvanceCare, apresentou a empresa cujo quadro é composto por médicos e consultores especializados: «A AdvanceCare olha para a saúde de uma forma integrada».
Já José Pina, da Saúde Prime, referiu-se ao facto de esta ser uma plataforma de capital português com mais de 12 anos de experiência na área da saúde, na qual foi criado «um conceito de seguro para todos. Não temos um problema de acesso, temos um problema de financiamento».

Na sessão de encerramento, Sara Carrasqueiro, dos SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, falou sobre o programa nacional de eHealth que pretende conseguir «a melhor cooperação entre todas as partes interessadas na saúde em Portugal». Empresas, hospitais e universidades fazem parte da estratégia nacional de eHealth de devem colaborar entre si, concluiu.

A conferência realizou-se na quarta-feira, dia 23 de março, no Auditório do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. A APDSI realiza estas conferências dedicadas à saúde desde 2004.

terça-feira, 22 de março de 2016

«ACERVO DA FUNDAÇÃO BIENAL DE ARTE DE CERVEIRA DISPONÍVEL ONLINE»

«Sem titulo»| Artur Bual
Uma das obras da Coleção

«No total são mais de 500 as obras da Coleção da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), representativas das tendências da arte contemporânea nacional e internacional, que podem ser agora consultadas online, através do link:http://catalogo.bienaldecerveira.pt/. O objetivo, segundo o vice-presidente da FBAC, Nuno Correia, passa por “disponibilizar às comunidades científica e artística, bem como à sociedade, em geral, este valioso património, ilustrativo do panorama artístico português das últimas quatro décadas”». +.

terça-feira, 15 de março de 2016

3.ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa em maio



A Câmara Municipal de Lisboa organiza, de 5 a 10 de maio, a 3.ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa. Trata-se de um conjunto de iniciativas que têm por objetivo criar um ambiente propício ao surgimento de novas empresas. Pelo terceiro ano consecutivo a autarquia pretende celebrar o empreendedorismo na cidade de Lisboa.

Confira o programa:

5 de maio
Lisbon challenge spring'14
Lisbon-Challenge é um acelerador de Startups de base tecnológica em web, mobile, SaaS , jogos , turismo, e-commerce , internet das coisas e setores de energia.
Organização: Beta i
Data: 5 maio, 10h-19h
Local: Central Station | Park Bar

Startup campus
Inauguração em Lisboa de mais um espaço de incubação e apoio ao empreendedorismo e que fará parte da Rede de Incubadoras de Lisboa. São cerca de 3000m2 totalmente dedicados à promoção do empreendedorismo em Portugal. 
Organização: Fábrica de Startups
Data: 5 maio, 15.30h
Local: Rua Rodrigo da Fonseca

6 de maio
Lisboa Empreende - case studies
Apresentação dos casos de sucesso do Lisboa Empreende, em conjunto com os empreendedores que recorreram ao microcrédito e viram os seus projectos ser financiados. Nesta mesa redonda estarão vários convidados, como o Montepio e o Millenium Bcp.
Organização: CML
Data: 6 maio, 15h
Local: Torreão Poente - Praça do Comércio

Lisboa Sunset Talks
Quero inspirar! Quero partilhar as minhas ideias! Quero dar força a projetos que tenho para a minha cidade! É muito simples: convidámos alguns empreendedores para embarcarem na caravela do empreendedorismo e virem partilhar as suas ideias com quem aparecer, num espaço ao ar livre onde o debate e a discussão são permitidos.
Organização: CML, Dock38, Portuguese Entrepreneurs
Data: 6, 8 e 9 maio, 18h-19h
Local: Ribeira das Naus

7 de maio
Lisboa Funding Day
Realização do 1.º Lisboa Funding Day. Um evento que faz o match entre ideias de negócio e possíveis investidores. Vamos ter um workshop organizado pela Euronext / Bolsa de Lisboa no qual se convidam as empresas cotadas na Bolsa para conhecerem as startups.
Organização: Euronext Lisboa / CML
Data: 7 maio, 16h-19h
Local: Auditório da Euronext

Workshop Faturação para Empreendedores
Com a presença de Rui Pedro Alves (CEO da RUPEAL) e gratuito, neste worshop será possível explorar de que forma o InvoiceXpress permite ajudar os freelancers, os pequenos empresários e as startups a perceber melhor o mundo da facturação.
Organização: LISPOLIS
Data: 7 de maio, 09h00 - 11h00
Local: Auditório do LISPOLIS

8 de maio
FabLab Lisboa Design
Desenvolvimento de produtos Marca Fab Lab Lisboa
Organização: Fab Lab
Data: 8 maio, 11h-17h
Local: Fab Lab Lisboa, Mercado Forno do Tijolo.

Lançamento da plataforma de Crowdfunding de Lisboa
Apresentação do projeto que levará à criação em Lisboa da primeira plataforma de Crowdfunding de uma cidade.
Organização: CML / PPL / FCG
Data: 8 maio - 15h
Local: Torreão Poente, Praça do Comércio

Workshop - Pitch e Resiliência de um empreendedor
Organização: Audax - ISCTE/Vodafone Labs lisboa
Data: 8 Maio - 14.30h
Local: Vodafone Labs Lisboa

IST Técnico Lisboa Launch Pad
O "IST Técnico Lisboa Launch Pad" é uma oportunidade para trazer a comunidade empreendedora ao Técnico, desta vez para celebrar a 3.ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa. Para além de uma exposição de iniciativas empreendedoras de alguns grupos de alunos, haverá também dois momentos de ignição. O primeiro, por João Vasconcelos, com as últimas novidades da incubadora "Startup Lisboa". O segundo, sobre a vida no YCombinator, um acelerador de startups, contado na primeira pessoa pelos fundadores da Unbabel. 
Organização: Instituto Superior Técnico (IST)
Data: 8 maio, 17h-19h
Local: Salão Nobre, Campus Alameda, Instituto Superior Técnico

Lisboa Sunset Talks
Data: 6, 8 e 9 maio, 18h-19h
Local: Ribeira das Naus

9 de maio
BE IN - Tendências para abrirmos caminhos para 2020
Tendências inspiradoras param projetos no âmbito da Europa e Portugal 2020. Um desafio e uma oportunidade para potenciais empreendedores, empresas e Academia.
Organização: AIP
Data: 9 maio, 10h
Local: AIP, Junqueira

Sessão de apresentação de finalistas de concurso de Ideias Play
Integrada no evento TECWEB 2014, esta sessão realiza-se na área das Tecnologias de Informação e Comunicação onde as sessões empresariais e formações tecnológicas de parceiros líderes de mercado empresarial de TI são a base de conhecimento a apresentar aos participantes. 
Organização: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Data: 9 maio, 15h
Local: Auditório "Armando Guebuza" da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Startup Lisboa Happy Hour
Já ouviu falar da Startup Lisboa mas ainda não sabe bem o que é e como funciona? Afinal o que é uma startup? E para que serve uma incubadora de empresas? Aproveite que é sexta-feira, o dia mais light da semana, e venha conhecer a Startup Lisboa e a alguns dos seus empreendedores e projetos incubados. No dia 9 de maio, entre as 16h e as 18h, o tempo da incubadora de empresas que nasceu do Orçamento Participativo de Lisboa é exclusivo para a comunidade.
Organização: Startup Lisboa
Data: 9 maio, 16h-18h
Local: Startup Lisboa Tech (Rua da Prata, 80) e Startup Lisboa Commerce (Rua Castilho, 14C, 4.º andar)

Novabase Gameshifters - 24H
1.ª Edição do GameShifters, tendo em vista a conceção, desenvolvimento e promoção de ideias inovadoras, prototipadas em storyboards, slides, vídeos, wireframes, protótipos físicos ou apps.
Organização: Novabase
Data: 9 e 10 maio, início às 20h de dia 9
Local: Novabase

Lisboa Sunset Talks
Data: 6, 8 e 9 maio, 18h-19h
Local: Ribeira das Naus

10 maio
Festa de abertura do Village Underground Lisboa e festa de encerramento da SEL 2014!
Organização: Village Underground Lisboa
Data: 10 maio,
Local: Village Underground


quinta-feira, 10 de março de 2016

Estão abertas as candidaturas para a "Startup Simplex"




As candidaturas para a "Startup Simplex" estão a decorrer até 20 de abril. Trata-se de uma iniciativa do Governo (da Secretaria de Estado da Modernização Administrativa) que pretende simplificar a relação de cidadãos e empresas com os serviços públicos.

Os três melhores projetos a concurso vão ser desenvolvidos com o apoio do Estado, ao abrigo do Programa Simplex 2016.

«É um convite a todos os empreendedores que queiram desenvolver projetos ou aplicações que permitam servir a administração pública na sua relação com os cidadãos e com as empresas com o objetivo de incorporar a inovação no funcionamento da administração pública», afirmou a secretária de Estado Adjunta, Graça Fonseca, em comunicado enviado à imprensa.

O júri que vai escolher os finalistas vai ser presidido por João Tiago Silveira (ex-secretário de Estado da Justiça e responsável pelos projetos "Empresa na Hora" e Casa Pronta), Paulo Pereira da Silva (CEO da Renova), Manuela Tavares de Sousa (CEO da Imperial), Vasco Barbosa (CTO Jack The Maker), Cristina Fonseca (cofundadora da Talkdesk) e Celso Carvalho (diretor-geral da Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro).

quarta-feira, 9 de março de 2016

Médicos do Mundo junta artistas num Concerto Solidário



A associação Médicos do Mundo vai realizar um Concerto Solidário, com a participação de vários artistas nacionais. O concerto, apresentado pela Embaixadora da Médicos do Mundo, Sílvia Alberto, vai ter lugar no Teatro Tivoli BBVA no próximo dia 22 de março, pelas 21h30. Os bilhetes têm preços que variam entre os 15 e os 35 euros.

Ala dos Namorados, Camané, David Fonseca, João Só, Jorge Palma, Marta Ren, Pedro Abrunhosa, Sérgio Godinho, Soul Gospel Project e Yolanda Soares, são alguns dos nomes que integram o cartaz.

O concerto corresponde à primeira ação da campanha "Somos Todos Visíveis", que tem por objectivo angariar fundos para suportar os vários projetos que a Médicos do Mundo atualmente desenvolve em Portugal, possibilitando à associação continuar a levar cuidados básicos de saúde gratuitos às populações mais vulneráveis e combater a sua discriminação.

Para Fernando Vasco, Vice-Presidente da Médicos do Mundo, «o mote para este evento e para toda a campanha de divulgação da Médicos do Mundo a desenvolver ao longo deste ano remete para a relevância e atuação da associação. Uma dimensão fundamental no trabalho desenvolvido consiste na capacidade de dar voz aos que não têm voz, de tornar visíveis e alvo de atenção e compromisso aqueles que são mais vezes esquecidos e ignorados».

Para continuar a assegurar cuidados de saúde gratuitos e uma intervenção de proximidade junto das populações mais desfavorecidas, a Médicos do Mundo depende da solidariedade de diferentes parceiros e particulares, na angariação de fundos para a sua atividade e na operacionalização de projetos nas mais diversas áreas.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Ricardo Vice Santos, criador do Roger, à APDSI: «Ter ganho as ONI deu-me confiança»

Chamath Palihapitya e Ricardo Vice Santos

O Roger é uma aplicação, que surgiu no final do ano passado em iOS, e está, desde o dia 1 de março, disponível também para android. O serviço funciona como uma espécie de walkie-talkie ou uma modalidade de sms faladas e foi desenvolvido por dois dos profissionais que estão por detrás do Spotify: Andreas Blixt e Ricardo Vice Santos. 

O Ricardo é português, estudou na escola secundária de Faro, e foi em 2005, quando tinha apenas 19 anos, que venceu as Olimpíadas Nacionais de Informática da APDSI. Nesse tempo já era apaixonado por programação, o que o levou a fazer a licenciatura em Engenharia Informática e Computação, no Instituto Superior Técnico de Lisboa. 

A ideia para a aplicação surgiu da necessidade de ter conversas curtas, rápidas, que dispensem a atenção de um teclado, mas com a emoção de que as mensagens escritas estão desprovidas. A app funciona através do número de telemóvel e, se for necessário contactar alguém que ainda não a use, isso também é possível porque o destinatário recebe uma mensagem com um link para ouvir e para instalar o Roger.

A aplicação é gratuita e tem obtido feedbacks muito positivos, vindos de mais de 120 países, onde Ricardo Vice Santos tem ouvido relatos de conversas que duram longas horas e que se desenrolam no Roger.

A oportunidade de negócio surgiu, no entanto, quando Ricardo Vice Santos se cruzou com Chamath Palihapitya (um dos homens fortes de Mark Zuckerberg, no Facebook), e conseguiu, em 25 segundos, mais de 900 mil euros para fazer crescer a app.

Numa altura em estão a decorrer as inscrições para a edição de 2016 das Olimpíadas Nacionais da Informática, Ricardo Vice Santos aceitou falar à APDSI sobre o nascimento do Roger e recordar a sua vitória neste desafio há 11 anos. A entrevista decorreu durante três dias e foi feita, na íntegra, usando o Roger.



Ricardo, como é que lhe surgiu esta ideia de criar o Roger? Ou devemos dizer “a” Roger (app)?

O Roger é o serviço, a Roger a empresa. A ideia surgiu quando, num certo dia, eu estava a ir, à pressa, para o metro de Nova Iorque. Estava a mandar uma mensagem a um amigo, a olhar para o telemóvel, e bati num poste, enquanto escrevia. Fiquei frustrado e disse ao meu co-founder [Andreas Blixt] que queria fazer algo que substituísse as chamadas mas não queria um outro tipo de messenger, com teclas pequenas… queria algo mais fácil e que a pessoa usasse sem ter que ter uma mão disponível. O Roger levou-me a falar mais com os meus amigos e começamos a pensar as mensagens de uma maneira diferente. Eu não gosto muito do mundo todo ensaiado, como fazemos nos e-mails, por exemplo. Num e-mail eu penso muito no que a outra pessoa vai achar, no que vai perceber. É verdade que temos mais controlo sobre a mensagem mas perdemos alguma humanidade, casualidade e a intimidade que queremos ter com pessoas amigas. O Roger está a tentar que as pessoas falem mais umas com as outras e de forma mais humana.

Já teve algum feedback mais marcante? Aquele que o tenha feito ter a certeza de que estava a mexer positivamente com a vida das pessoas?

Temos muitos exemplos marcantes. Houve pessoas que já estava um pouco mais à espera de atrair, como gente que tem famílias noutros países, noutras time zones, mas fiquei muito impressionado com o relato de pessoas cegas e com dificuldades motoras que começaram a usar o Roger por ser muito simples e claro que essas têm sido boas surpresas.

Estando o Ricardo em Nova Iorque temos que lhe perguntar, como e onde foi celebrar a conquista dos 900 mil euros para desenvolver a app?

Para ser completamente honesto por acaso não celebrei muito mas isso tem um bocado mais a ver com a minha maneira de ser… normalmente quando alcanço uma etapa qualquer, como neste caso, ponho-me a pensar em qual é a próxima etapa. Obviamente que fiquei bem disposto quando o investimento chegou, mas basicamente a primeira coisa que fiz foi virar-me para o Andreas Blixt e dizer: “Ok, agora temos que investir porque ninguém nos deu dinheiro para o termos no banco”; quando alguém investe numa startup a ideia não é manter o dinheiro por muito tempo, é investir e arriscar bastante de forma a obter retorno. Nessa altura não festejámos, simplesmente demos um abraço e pensámos “ok, vamos ao trabalho”.

O Ricardo venceu as Olimpíadas da Informática em 2005. Que memórias guarda desse dia? Que palavras de incentivo daria aos alunos que, este ano, se preparam para concorrer?

Guardo bastantes memórias das consequências do dia. Houve uma altura em que, depois de ter ganho as Olimpíadas da Informática e ter estado no Instituto Superior Técnico um ano, uma das motivações que tive foi precisamente a de ter ganho as ONI, foi o que me deu a confiança de que, de certa forma, podia ser bom naquilo que era importante para a minha vida. Ainda hoje me orgulho muito de ter ganho, pela confiança que isso me transmitiu. Lembro-me também de ter conhecido gente muito interessante. Eu era o único do Algarve que participava nessas coisas e isso permitiu-me conhecer muitas pessoas de outros pontos do país.

O incentivo que deixo aos alunos é que pensem bem nos problemas, que os desconstruam. Eu, normalmente, antes de fazer uma linha de código sequer, tentava escrever primeiro no papel o problema e o que queria fazer. Isso leva-me a partir para o código já mais focado. Desejo a todos boa sorte e que consigam resolver mais do que um problema.

Que futuro perspetiva para o Roger?

O nosso objetivo, de momento, é melhorar a aplicação. Já lançamos versão android, que é crucial na nossa missão de pôr o mundo falar mais; esse é o nosso objetivo: o nosso sucesso vai ser medido no quanto vamos conseguir pôr as pessoas a falarem mais umas com as outras. Há muitas oportunidades que queremos experimentar, ideias não faltam, o que nos falta agora é tempo mas estamos a trabalhar de dia e de noite para isso.

sexta-feira, 4 de março de 2016

quinta-feira, 3 de março de 2016

Olimpíadas Nacionais de Informática (edição 2016)




A APDSI promove a realização das Olimpíadas Nacionais de Informática (ONI) e a participação portuguesa nas Olimpíadas Internacionais de Informática (IOI). As inscrições estão a decorrer aqui até 6 de abril.

A 28.ª Olimpíada - IOI 2016 - realiza-se este ano na cidade de Kazã, na Rússia, de 12 a 19 de agosto. Portugal vai novamente estar representado no evento internacional em conjunto com cerca de 80 outros países.

As Olimpíadas Internacionais de Informática, IOI - International Olympiad in Informatics - são uma das seis Olimpíadas da Ciência. A primeira edição das IOI teve lugar em Pravetz, na Bulgária, em 1989, com o apoio da UNESCO e desde então têm-se realizado todos os anos.

O objetivo principal das IOI é estimular o interesse dos jovens estudantes do ensino secundário pela informática e pelas tecnologias da informação e os seus vencedores, em cada ano, pertencem ao grupo dos melhores jovens cientistas mundiais no domínio da Informática.

A equipa portuguesa que participará nas IOI é selecionada através de um concurso de informática nacional ONI - Olimpíadas Nacionais de Informática.

A componente científica da prova é da responsabilidade do Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e do Departamento de Engenharia Eletrónica e Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve.

Este ano, e como tem sido hábito, as ONI desenrolam-se em duas fases: a primeira é um concurso realizado através da Internet, no qual os concorrentes, todos alunos do ensino secundário, resolvem três problemas de programação de natureza algorítmica, submetendo as suas soluções a um sistema de avaliação automático.

Os 30 concorrentes que obtiverem melhor classificação nesta prova preliminar passam à final nacional, que se realiza presencialmente, durante o mês de maio.

Os concorrentes melhor classificados na prova final poderão ser selecionados para participar num estágio de formação, a realizar em junho de 2016, no final da qual serão escolhidos quatro, para participarem, em representação de Portugal, nas IOI.