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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

APDSI e FCT entregam prémios de Acessibilidade Web 2015

Painel "Usabilidade e Acessibilidade: dois facilitadores de literacia digital"

A APDSI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., realizaram, a 3 de dezembro de 2015, o Fórum para a Sociedade da Informação - Acessibilidade Web. O encontro realizou-se na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

O evento realizou-se precisamente no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência que, este ano, teve como lema a inclusão e capacitação. Em 2015 uma das áreas que foi mais estudada em matéria de acessibilidade e conformidade foi, precisamente, a Administração Pública e, apesar das melhorias verificadas nos últimos anos, o progresso português está, ainda, «longe da média europeia».

Face a esta nota introdutória, o professor Ramiro Gonçalves, da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) e Grupo de Negócio Eletrónico (GNE) da APDSI, questiona se o conceito de acessibilidade será assim tão difícil de implementar. «Nós consideramos que é uma urgência», referiu.

O barómetro da acessibilidade web em Portugal surgiu em janeiro deste ano e fez, desde então, uma avaliação da acessibilidade web de forma automática nas mil maiores empresas e PME’s portuguesas, focada na tipologia do erro/solução, nomeadamente na usabilidade das plataformas de comércio eletrónico. Para os testes de usabilidade a equipa de investigadores contou com a participação de 20 pessoas cegas. Todo este trabalho e chamada de atenção para os indivíduos com necessidades especiais, tem merecido a atenção de revistas científicas.

Na comparação 2014/2015 nas maiores empresas portuguesas há uma flutuação inferior a 10% mas, no universo de PME’s, a diferença é muito grande porque, empresas que num ano são consideradas PME Líder no ano seguinte podem já nem sequer existir. «Nas grandes empresas portuguesas a evolução tem existido, embora não seja muito grande. No universo das 250 maiores empresas do mundo, a maioria tem 50% de erros, são raras as que têm mais, e poucas têm apenas 20% de erros. Continuamos a ter erros sistemáticos e que são banais», lamenta o professor.

A principal conclusão a que o GNE da APDSI chegou é que há pouca sensibilidade para esta temática, daí a necessidade de, este ano, ter sido feita a entrega de diplomas de mérito às empresas «no sentido de perceberem que podem ganhar muito se equacionarem a possibilidade de ser mais acessíveis». Muitos dos premiados não compareceram à cerimónia porque, no entender de Ramiro Gonçalves, «quando isso acontece é circunstancial, foi por acaso terem um site com acessibilidade, mas, pelo menos, faz com que tenham em atenção esta problemática. A nossa missão é educar, divulgar, monitorizar e premiar, mas nunca destacar pela negativa». Para o professor, no “Portugal 2020” devia haver regras restritivas para esta questão.

Jorge Pereira, da Infosistema e GNE da APDSI, falou sobre as “tendências e desafios de uma web mais acessível no futuro”. Uma das razões apontadas para a mudança de paradigma no acesso aos conteúdos, tem a ver com o facto do acesso à web estar a ser cada vez mais feito em mobile.

As diretrizes de acessibilidade para conteúdo web (WCAG) ganharam adoção massiva mundial mas nasceram na fase pré-mobile, o que traz um conjunto de limitações: centra-se em CSS, html e conteúdos multimédia que os sites disponibilizam, e não indexa modos de interação, como gestos ou voz, o que limita o acesso a conteúdos por um número cada vez maior de pessoas.

Tânia Rocha, também professora da UTAD, apresentou os resultados de um “Estudo de Usabilidade com Utilizadores Cegos” feito numa plataforma de e-commerce, considerada uma referência no setor de retalho alimentar, e com o foco no sistema de encomendas e entregas ao domicílio. O resultado também esteve longe de ser positivo: um utilizador sem dificuldades de visão demora menos de 20 segundos a executar o processo de compra, enquanto um utilizador cego, devido à complexidade da interação e esforço cognitivo necessários para reconhecer as hiperligações, demora, em média, dez minutos e vinte e quatro segundos.

Jorge Fernandes, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), estudou e mostrou como tem sido o estado da acessibilidade dos conteúdos web da Administração Pública Central, no período compreendido entre 2008 e 2015. Numa nota positiva, a verdade é que os sítios na web que mais utilizam o símbolo de acessibilidade são efetivamente os que têm maior preocupação com estas questões. «De 2006 a 2008 houve uma evolução bastante significativa», refere.

O validador de práticas de acessibilidade web usado para o estudo foi o “AccessMonitor” «que produz relatórios de acessibilidade de cada uma das páginas e tem um elemento que foi introduzido por nós em 2005 que usa uma expressão numérica para desenvolver a categorização», explica Jorge Fernandes. No decorrer do processo são observados cabeçalhos, listas e parágrafos num total de elementos que, quase sempre, vai além dos 300 elementos a verificar. «Se o número for inferior a 100 é de suspeitar; é porque a página é feita em java ou flash, ou então é apenas um cartão-de-visita», completou.

Na Administração Pública Central foram estudados os sítios na web de órgãos de soberania, serviços da administração pública central, incluindo institutos públicos e serviços desconcentrados do Estado, serviços da administração pública regional e setor empresarial do Estado. Em 2% dos sítios da Administração Pública portuguesa, 50% das páginas passam nos testes do “AccessMonitor” nível A.

Por fim, Pedro Sá Moreira, da Escola Nacional de Saúde Pública, fez referência à evolução da acessibilidade dos sítios web no setor da saúde para perceber de que forma os conteúdos web institucionais cumprem os requisitos de acessibilidade para o conteúdo da web (WCAG) 2.0 do consórcio World Wide Web (W3C).

Do ponto de vista internacional, foram analisados durante um ano os Ministérios da Saúde de 193 países, tendo-se verificado uma média de sucesso de 5.1. Tendo em conta que a anterior era de 4.9, houve uma «ligeira evolução». O Japão e o Uruguai são os países que beneficiam do melhor índice de acessibilidade web.

Em Portugal, o sítio na web do Instituto Português do Sangue e da Transplantação é o que apresenta melhor índice, pelo que Pedro Sá Moreira entende que «é de ponderar, para cada uma das instituições, um conjunto de recomendações para as próprias perceberem internamente como podem melhorar». No geral, no setor da saúde, verifica-se um declínio nos valores de acessibilidade entre 2011 e 2015.

No setor público, os sítios premiados foram o da INCM - Imprensa Nacional Casa da Moeda, FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, DGEEC - Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, CEGER - Centro de Gestão da Rede Informática do Governo Diário da República Eletrónico, o CITE - Comissão para a Igualdade no Trabalho, Administração Regional de Saúde do Algarve e no Emprego e no Portal das Comunidades Portuguesas Gabinete Nacional de Segurança DGACCP - Direcção Geral Dos Assuntos Consulares E Comunidades Portuguesas.

Já no setor privado, entre as empresas com melhor desempenho online em matéria de acessibilidade web estão a Automóveis Citröen, a FNAC, a Livraria Bertrand e a Zara Portugal.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

APDSI quer uma web sem restrições para os cidadãos com necessidades especiais



A APDSI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., realizaram, a 27 de novembro de 2014, o Fórum da Acessibilidade Web 2014. O encontro realizou-se na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

Na edição deste ano foi apresentado o estudo “Acessibilidade Web - Ponto de situação nas empresas portuguesas 2014”, da autoria de alunos e professores da UTAD (Universidade de trás os Montes e Alto Douro), membros do Grupo de Negócio Eletrónico (GNE) da APDSI, também foram dadas dicas para os programadores informáticos melhorarem a acessibilidade dos sites que constroem, além de terem sido apresentados os resultados dos níveis de acessibilidade dos conteúdos web dos municípios portugueses e no setor da saúde.

No estudo sobre Acessibilidade Web feito aos 790 sites das 1000 Maiores PME’s Portuguesas, e que teve em conta uma média de 2742 elementos por site (conteúdos das páginas), concluiu-se que apenas quatro desses sítios na web cumprem as normas de acessibilidade. Este número apresenta um decréscimo em relação ao estudo apresentado em 2011, no qual 155 empresas estavam de acordo com a norma, mas é preciso ter em conta que no estudo anterior o objetivo era cumprir com as WCAG 1.0 (Web Content Acessibility Guidelines) e no mais recente o padrão de avaliação subiu para as WCAG 2.0. Apesar de não haver diferenças muito substanciais entre um e outro conjunto de diretivas, a verdade é que as normas WCAG 2.0 se focam nas mais recentes tecnologias de navegação na web e naquelas que virão a tornar-se de consumo massivo a breve prazo. Este estudo, que o professor Ramiro Gonçalves define como «o maior alguma vez feito pela equipa de investigação», também introduz, pela primeira vez, uma análise geográfica relativa às zonas com maior ou menor incidência de erros nos sites. O interior do país é onde se verifica uma maior percentagem de sítios na web que não estão em conformidade sendo que, como explica o professor, «isto só acontece porque também é a zona com menos empresas e menos sites, portanto, basta haver um que tenha erros que vai logo influenciar muito o resultado final».

Sobre os resultados que, mais uma vez, não são muito positivos, o professor Ramiro Gonçalves aponta o dedo à falta de sensibilidade por parte dos responsáveis técnicos: «Todas as entidades procuram visibilidade na web e esquecem-se que os motores de busca se baseiam precisamente nos mesmos elementos que são valorizados quando falamos de acessibilidade web. Incorporar deve ser algo sempre presente na web. Há 10% de pessoas em Portugal com alguma necessidade especial e mais de 70% utilizam a Internet com regularidade mas há pouca sensibilidade para esta temática e uma manifesta falta de informação». O investigador da UTAD e membro do GNE da APDSI acredita que a atribuição de um prémio, e não propriamente o denunciar dos erros, poderia ajudar a combater alguma desta ausência de conformidade para com a acessibilidade web.

“Melhorar a Acessibilidade Web - Uma Estratégia Baseada na Correção dos Erros Mais Comuns” foi apontada por José Martins, também investigador da UTAD, que apontou as soluções «simples de corrigir» para os cinco erros com maior incidência nos resultados do estudo deste ano: a utilização de tamanhos relativos em detrimento de tamanhos absolutos, ou seja, o tamanho da página é definido em píxeis em vez de ser definido em percentagens; imagens sem “alt”, a alternativa textual para os conteúdos multimédia que é essencial para poderem ser lidas por ferramentas de navegação assistida; o contexto dos links, onde falta um texto intuitivo para o descrever; o destino dos links, em que muitos navegam para uma nova página sem avisar o utilizador, o que o faz perder o contexto de navegação; vários links com o mesmo nome a encaminharem para sítios diferentes.

«As boas práticas de programação e coerência são garantia de um bom resultado final. Existe um conjunto de erros facilmente corrigíveis que lhes ia melhorar muito os níveis de acessibilidade da web», aponta José Martins como solução no imediato para correção das grandes falhas encontradas na pesquisa.

Coube a Jorge Fernandes, da FCT, mostrar os resultados para a análise feita à “Acessibilidade dos Conteúdos Web dos Municípios Portugueses” onde foi possível chegar ao top 5 dos sítios com melhores práticas de acessibilidade. São eles Loures, Alcoutim, Soure, Faro e Aljezur. A amostra foi de 307 dos 308 sites de municípios portugueses (apenas um é de tal forma lento que a ferramenta “access monitor” não o consegue avaliar). Apesar de ainda haver diversos aspetos a corrigir, mesmo entre os sites que estão no top 5, Jorge Fernandes avalia de forma positiva a evolução que os sites das autarquias têm registado: «Em 2001 muitos dos sites das autarquias eram apenas um cartão de visita ou um site de jogos para crianças. Em 2005 houve um impulso grande e os sites começaram a ganhar corpo e a tornarem-se adultos». O investigador da Fundação para a Ciência e Tecnologia esclareceu, ainda, que todos os sites que disponibilizem exclusivamente informação estão obrigados a cumprir o nível “A” das WCAG 2.0, desde fevereiro de 2013, e o Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital recomenda mesmo para este tipo de sítios web o nível “AA”. Todos os sites que disponibilizem serviços online estão obrigados a cumprir o nível “AA” das WCAG 2.0 e o RNID recomenda o nível “AAA” para este tipo de sítios Web. A legislação não se aplica, contudo, a entidades privadas.

Ana Neves, diretora do departamento da Fundação para Ciência e Tecnologia que nasce da extinção da UMIC - agência para a sociedade do conhecimento, sublinha que, ao nível europeu, Portugal está isolado de forma positiva em relação aos outros Estados Membros nestas questões de acessibilidade web: «Entendemos que o desenvolvimento do país requer plataformas, inclui trabalho em rede e a partilha de objetivos comuns. Pessoas com necessidades especiais também são os idosos. A Internet permite reduzir muitos obstáculos de acessibilidade, o que é preciso são ajudas técnicas que satisfaçam normas básicas de acessibilidade».

A fechar o Fórum da Acessibilidade Web da APDSI, Pedro Moreira, da Escola Nacional de Saúde Pública / Universidade Nova de Lisboa, apresentou os resultados da sua análise à Acessibilidade dos Conteúdos Web no Setor da Saúde nas áreas de Administração Direta do Estado, Administração Indireta do Estado, Setor Empresarial do Estado, Parcerias Público-Privadas, Unidades de Saúde Familiar e Setor Público Administrativo, tendo sido este o que apresenta melhores resultados.

Veja aqui as apresentações do Fórum da Acessibilidade Web 2014.