Mostrar mensagens com a etiqueta e-Government. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta e-Government. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 31 de julho de 2018

United Nations E-Government Survey 2018: Portugal é mencionado com nota positiva




Foi publicado o "United Nations E-Government Survey 2018" e Portugal é mencionado no relatório, com nota positiva, em relação ao Simplex, Lojas do Cidadão e Espaços do Cidadão.

A Dinamarca encontra-se em primeiro lugar no ranking mundial de "e-Government Development" e Portugal ocupa o 29.º posto, no que se traduz numa subida em relação ao ranking de 2016 (o país estava em 38.º lugar).

O relatório considera que as políticas e estratégias adotadas nos últimos anos em Portugal no âmbito da transformação digital dos serviços públicos, assentam nos "princípios de implantação de serviços centrados no cidadão, simplificação administrativa e interoperabilidade, custos e recursos da administração central". Na United Nations E-Government Survey 2018 lemos, ainda, que as chamadas "lojas do cidadão" são uma das "mais emblemáticas faces desta nova política com um conceito inovador de prestação de serviços públicos que reúne, no mesmo espaço, várias entidades públicas e privadas, o que resulta de uma colaboração entre a administração central, parceiros locais e cidadãos".

Existem agora mais de 150 centros físicos multi-serviços como parte de uma rede que utiliza as TIC para criar espaços de cidadão para a prestação de serviços distribuídos digitalmente ou com assistência pessoal, se necessário. Isto "reflete uma preocupação pelo facto de os níveis alfabetização digital não serem os mesmos em todo o país". Outro importante pilar da política é o programa "Simplex", que visa simplificar a burocracia, modernizar a administração pública e facilitar a interação entre cidadãos e empresas com administração pública, tanto ao nível central como municipal.

A United Nations E-Government Survey 2018 é publicada à medida que a implementação da Agenda 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) avança para o seu terceiro ano. "Os governos têm a responsabilidade crítica de encontrar e implementar políticas e medidas para mitigar o impacto dos choques tecnológicos na sociedade; uma nova dimensão de vulnerabilidades que as TIC vieram expor", lê-se na survey, que pode consultar aqui.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Conferência e-Government 2017 - A transformação digital do Estado e o desenvolvimento da Sociedade



A APDSI - Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação - organiza a conferência "e-Government 2017 - A transformação digital do Estado e o desenvolvimento da Sociedade".

O evento realiza-se no dia 4 de outubro, entre as 8h30 e as 13h00, no Auditório da Torre do Tombo, em Lisboa, sob coordenação dos Grupos Permanentes "Democracia, Administração e Políticas Públicas" e "Desmaterialização e Gestão de Processos" da Associação.

A Secretária de Estado da Justiça, Anabela Pedroso, vai estar presente na sessão de abertura.

Desde o início da simplificação e modernização administrativa até se chegar à transformação digital, muitas iniciativas têm sido feitas nas últimas décadas e muitas se preparam para o futuro próximo, no âmbito de um Governo eletrónico, desejavelmente ao serviço da Sociedade Civil. Neste momento, a APDSI considera ser pertinente avaliar o impacto dessa evolução nos cidadãos e empresas, ponderando e propondo opções que reforcem a competitividade e a sustentabilidade dos nossos agentes económicos.

Mais do que procurar aferir o sucesso do que foi feito, importa delinear estratégias que, além do Estado, vejam a sociedade como um todo. Mais do que comunicar a missão de cada uma das organizações do Estado, importa debater com os cidadãos que as integram que ações futuras se pretendem e quais os efeitos que delas esperamos. Mais do que um evento para o Estado, pretende-se que este seja um evento para todos, sobre o papel do Estado na transformação digital da Sociedade.

No final da sessão é feita a entrega do "Prémio APDSI e-Gov 2017" ao projeto que a Associação entende que, em 2017, se destacou na área do e-Government.

Consulte o programa detalhado no site oficial da APDSI.

As inscrições são gratuitas mas obrigatórias e devem ser feitas aqui.



terça-feira, 22 de agosto de 2017

Há nova versão da plataforma SaphetyGov


A versão 6 da SaphetyGov, a plataforma eletrónica de contratação pública da Saphety, já está disponível e tem uma nova área dedicada a fornecedores da administração pública.

O novo SaphetyGov, que surge com uma imagem renovada e várias melhorias, disponibiliza ainda uma nova área relativa a serviços avançados. Segundo a PC Guia o objetivo da nova versão é facilitar a interação entre os fornecedores e entidades adjudicantes.

Os utilizadores podem aceder às novas funcionalidades de pesquisa por categoria ou localização.

A disponibilização destes serviços na plataforma SaphetyGov traz, segundo a Saphety, «novas vantagens para o setor empresarial, com o objetivo de simplificar os processos desempenhados pelas empresas que estabelecem relações comerciais com a administração pública».

De recordar que, em 2014, a APDSI abordou precisamente os recursos do Estado, através de uma apresentação de Jaime Quesado, presidente da ESPAP, na conferência intitulada "Administração Pública Eletrónica 2014 - O que falta fazer?".

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Está disponível o relatório "E-Gov em Portugal: Situação, Desafios, Estratégias"



No âmbito da operação "UNU-EGOV: Criação e instalação da Unidade Operacional em Governação Eletrónica da Universidade das Nações Unidas", no contexto do Programa Operacional Regional do Norte ON.2, foi elaborado um relatório que procura enquadrar e delinear desafios e estratégias para o desenvolvimento da Governação Eletrónica e o seu impacto em Portugal «de modo a potenciar a aposta feita neste caminho», lê-se na apresentação do documento.

Intitulado "E-Gov em Portugal: Situação, Desafios, Estratégias", o relatório procura articular uma estratégia com relevo regional, nacional e internacional para o EGOV Innovation Hub - designação dada à agregação de sinergias entre a Unidade Operacional em Governação Eletrónica da Universidade das Nações Unidas, a Unidade de Desenvolvimento da Agência para a Modernização Administrativa e a Universidade do Minho.

«Em relação a Portugal, é necessário expor a atual situação em termos de EGOV e, reconhecendo o muito que já se fez, realçar a necessidade de implementação de uma estratégia coerente de desenvolvimento da EGOV para Portugal nos anos que se vão seguir, e que dependerão crucialmente da introdução de novos mecanismos e práticas de administração e governo a nível nacional, regional e municipal, tanto global como setorialmente, suportados por plataformas digitais, e tecnologias de informação e comunicação associadas», resume o relatório que pode consultar ou descarregar no sítio na web da APDSI.

terça-feira, 12 de maio de 2015

APDSI apresenta estudo sobre "Contributos para a Reforma do Estado - Uma visão da Sociedade da Informação"



A APDSI vai apresentar publicamente o estudo "Contributos Para a Reforma do Estado - Uma visão da Sociedade da Informação" no próximo dia 29, às 15h30, na sala 2 da Culturgest, em Lisboa.

"Contributos Para a Reforma do Estado - Uma visão da Sociedade da Informação", coordenado por Afonso Silva, vem na sequência do desafio lançado na conferência anual da APDSI sobre e-Government. O processo de elaboração teve o seu ponto alto na edição do ano passado do Fórum da Arrábida, totalmente dedicado a este tema, e conta com diferentes perspetivas de um leque bastante alargado de personalidades do quadrante político, académico e profissional.

O estudo procurou sistematizar aquelas que se consideram ser expectativas para o Serviço Público, fixando o que se entende poderem ser prioridades de reforma. Seguidamente, é feita uma reflexão quanto às diferentes agendas de reforma, concluindo sobre os inibidores que se lhe colocam. Defendem-se, finalmente, algumas ideias consideradas chave para a reforma. «Quer se esteja em presença de um Estado maior e interventor ou de um Estado menor e sobretudo regulador, a sua atuação deve resultar num Serviço Público de qualidade. Existe uma forte correlação entre a utilização extensiva das TIC pelo Estado e essa qualidade», conclui o estudo.

A sessão pública de apresentação será comentada por Isabel Corte-Real, Carlos Zorrinho, Sofia Galvão e Ana Maria Evans, numa partilha daquela que é a sua visão sobre o futuro de um Estado moderno, mais eficiente, mais eficaz, mais rápido e económico, baseado na utilização intensiva das TIC.


PROGRAMA

15h00 - Receção dos Convidados e Welcome-Coffee
15h30 - Presidente da APDSI, Raul Mascarenhas
15h45 - Apresentação do Estudo "Contributos para a Reforma do Estado - Uma Visão da Sociedade da Informação", por Afonso Silva
16h15 - Comentários de: Isabel Corte-Real, Carlos Zorrinho, Sofia Galvão, e Ana Maria Evans
17h30 - Encerramento

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Governação Pública Eletrónica em debate em Portimão


A Governação Pública Eletrónica vai estar em debate no sábado, dia 24, no TEMPO - Teatro Municipal de Portimão. A conferência, intitulada "E-Government - Por um novo modelo de Estado na Sociedade da Informação" será da responsabilidade de Luís Vidigal, da Direção da APDSI. O início está marcado para as 15h00.

Na sessão vai ser apresentada uma nova visão do Estado, «colaborativo, interoperável, em tempo real e orientado aos eventos de vida dos cidadãos e agentes económicos, chamando a atenção para os aspectos políticos, socio-organizacionais e semânticos na introdução das tecnologias da informação na administração pública», lê-se no comunicado.

Licenciado em Gestão de Empresas e em Ciências Sociais e Políticas. Fundador e Membro da Direção da APDSI (Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação), Luís Vidigal foi dirigente de topo nas áreas de tecnologias de informação, tributárias e da modernização administrativa; Foi membro da Direção do Conselho Internacional de Informática das Administrações Públicas, é docente convidado de alguns estabelecimentos de ensino superior e profissional, participou como conferencista, perito e consultor em numerosas missões internacionais da OCDE, União Europeia e Banco Mundial nas áreas de e-Government e IT Governance e é autor de numerosos trabalhos publicados no país e no estrangeiro.

A conferência faz parte do Projeto "Entre Arquivos", da Universidade de Évora, e visa a realização de um ciclo de eventos na área da arquivística que vai levar especialistas aos diferentes Arquivos do Algarve, num sábado de cada mês.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Saúde e Administração Pública em foco no International Cooperation Forum



O International Cooperation Forum 2014, este ano dedicado às eGovernment e eHealth Applications and Services, vai realizar-se a 20 de outubro em Viena, Áustria.

Este Fórum de Cooperação, promovido pelo Advantage Austria, o Departamento Comercial da Embaixada da Áustria, proporciona às autoridades públicas e respetivas instituições, bem como às empresas prestadoras de serviços do mundo inteiro, uma oportunidade de atualização sobre as mais recentes tendências em eHealth e eGovernment, «alargando a sua rede de contatos, através da partilha de experiências, e criar novos parceiros comerciais».

De salientar que, de acordo com o European eGovernment Benchmark Report 2014 da Comissão Europeia, a Administração Pública austríaca atingiu a liderança do ranking em todas as categorias de eGovernment.

Pode fazer aqui a sua inscrição até dia 5 de outubro.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

e-Government para um futuro melhor



A edição de 2014 do estudo das Nações Unidas sobre e-Government conclui que as tecnologias de informação e comunicação são «ferramentas potenciadoras de uma governação mais transparente e responsável», à semelhança do caminho que os principais líderes mundiais apontavam na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012.

De recordar que há dois anos foi consensual a conclusão de que para se atingirem metas de desenvolvimento sustentável as instituições governamentais tinham de ser mais eficazes, transparentes, responsáveis e democráticas. Na conferência brasileira ficou claro o papel do e-Government na melhoria da relação entre governos e cidadãos, nomeadamente na forma como são prestados os serviços públicos.

A pesquisa desenvolvida no âmbito do programa de Administração Pública desenvolvido pelas Nações Unidas, mostra que em muitos países, espalhados pelos mais diversos pontos do mundo e com distintos índices de desenvolvimento, estão a ser feitos «investimentos significativos no domínio das TIC no setor público». Estes esforços têm-se revelado vitais para se conseguir uma maior participação do público na tomada de decisões e uma melhoria no acesso à informação por parte de todos os cidadãos como forma de «assegurar um futuro de desenvolvimento sustentável e equitativo num ambiente de crescimento económico que exclua a fome a pobreza», lê-se na introdução do estudo, que pode consultar na íntegra no sítio na web da APDSI.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Smart Government - Sustentabilidade da Administração Pública em tempo de crise


Andrea di Maio
, vice-presidente da Gartner Research e analista multipremiado, vem apresentar, no jantar-debate da APDSI do próximo dia 22, o seu ponto de vista sobre a administração pública e as influências que tem vindo a sofrer com a intervenção das novas tecnologias. Neste encontro, o especialista em e-Government examina como os avanços tecnológicos podem contribuir para uma mudança na prestação de serviços públicos.

Gartner Research é a maior empresa mundial de pesquisa especializada em novas tecnologias, reconhecida em mais de 80 países.

Há cerca de 15 anos na vice-presidência da empresa, di Maio sempre se dedicou a analisar as mais-valias que as novas tecnologias podem trazer a qualquer negócio. Antes de se tornar num dos principais analistas da Gartner Research, Andrea di Maio esteve na Comissão Europeia onde dedicou boa parte do seu tempo a minorar o impacto da chegada do ano 2000 nos mais diversos softwares. A tecnologia “amiga do ambiente” tem sido outra das preocupações do orador convidado pela APDSI.

O jantar-debate vai realizar-se no restaurante da Ordem dos Engenheiros, pelas 20h00. A participação no jantar com Andrea Di Maio, está sujeita ao pagamento de 25 euros (para sócios) e 35 euros (para não sócios) e condicionada aos lugares disponíveis. Todas as inscrições são feitas através do e-mail secretariado@apdsi.pt.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não tenho culpa! O Cartão de Cidadão é meu e o Recenseamento Eleitoral é teu.

Assisti hoje a uma triste figura do Ministro Silva Pereira na defesa do Cartão de Cidadão em relação aos problemas ocorridos nas eleições presidenciais do passado dia 23 de Janeiro. Até agora não me pronunciei sobre os incidentes e preferi apenas propor soluções para o futuro, este é o momento de reflectir sobre os factos recentes à luz dos sistemas de informação do Estado.

Não comento as questões políticas de falta de solidariedade em relação ao colega do Governo na Administração Interna, pois limitar-me-ei a questões técnicas e de cidadania que envolvem uma maior ou menor maturidade no e-Government e no IT Governance do Estado.

Dizer que o Cartão de Cidadão (CC) nada tem a ver com o SIGRE, Sistema de Informação de Gestão do Recenseamento Eleitoral, é um enorme disparate, uma vez que o SIGRE é alimentado pelos CC e as mesas de voto são determinadas pela código postal da morada do CC.

Dizer que a AMA, Agência para a Modernização Administrativa, tutelada pelo Ministro do Estado e da Presidência Silva Pereira, não tem nada a ver com os incidentes eleitorais é outro disparate, pelos seguintes motivos:

  1. A AMA gere o Cartão de Cidadão, enquanto fonte de informação para o SIGRE;
  2. A AMA gere o sistema de SMS 3838 onde entraram muito mais pedidos de informação do que saíram durante todo o dia das eleições, sem que se tivessem antecipado as consequências no SIGRE;
  3. A AMA é (teoricamente) a actual entidade coordenadora dos sistemas e tecnologias da informação (SI/TI) da administração pública e em particular dos sistemas horizontais que tenham a ver com os eventos de vida do Cidadão, como é o caso do acto eleitoral.

Para mim, a questão essencial está exactamente em não se considerar o acto eleitoral como um sistema transversal à Administração Pública e interdependente com a identificação civil do Cartão de Cidadão.

O Ministro do Estado e da Presidência, pelo cargo transversal que ocupa, seria a pessoa que teria mais obrigação de salientar esta visão interdepartamental e orientada às necessidades do cidadão, mas em vez disso preferiu fechar-se no seu casulo departamental, alimentar mais uma vez os silos informacionais e entregar as culpas inteirinhas ao seu colega do Governo e, com isto, partir o sistema de informação eleitoral em duas partes, o qual se pretenderia único, indivisível e orientado às necessidades do cidadão.

Como se não bastassem as culpas politicamente apontadas aos cidadãos, porque estes teriam a obrigação de consultar o SIGRE, o Ministro Silva Pereira devolveu as culpas desta vez a toda a oposição, porque em 2006 e 2008, o Parlamento aprovou por unanimidade a actual Lei do Cartão de Cidadão e a actual Lei do Recenseamento Eleitoral, mas esqueceu-se que o Governo criou com isto expectativas de eliminação do número de eleitor e dos cadernos eleitorais, como consta das actas da Assembleia da República, e não fez o trabalho de casa que lhe competia para prosseguir no processo mais avançado de gestão das eleições a partir da identificação civil e do Cartão de Cidadão.

Colocou-se o Cartão de Eleitor fora do Cartão de Cidadão e esqueceu-se as consequências que daí advinham. Mais uma vez foi a Administração Pública a pensar de forma paroquial e fechada em silos, em vez de pensar sistemicamente em favor do cidadão. Mais uma vez falhou a capacidade de gestão dos SI/TI para além da visão departamental.

Também foi o Cartão de Cidadão que criou os problemas de mudança das mesas de voto, uma vez que estas foram deduzidas do código postal inscrito na morada do CC, tendo colidido muitas vezes com os limites de freguesia, uma vez que o INE e os CTT, apesar de serem entidades inteiramente públicas, continuam a estar de costas viradas e a não partilhar recursos informacionais e de geo-referência, como está acontecer impunemente neste preciso momento com os trabalhos de geo-referenciação para os novos códigos postais nos CTT e para o zonamento do recenseamento da população no INE.

Os cadernos eleitorais foram criados de uma forma tradicional, mas como disse anteriormente, eles poderiam já ter desaparecido e, em sua substituição, ter-se estimado o número de eleitores potenciais por freguesia e abrir o número suficiente de mesas correspondentes à afluência previsível, com base num sistema de zonamento semelhante ao recenseamento do INE.

Os cadernos eleitorais seriam substituídos por um acesso online ao sistema de identificação civil, permitindo igualmente o voto em mobilidade em qualquer mesa da conveniência do eleitor que se encontrasse temporariamente deslocado fora da sua freguesia. Este já seria um grande passo.

No futuro será possível tirar partido do certificado digital do Cartão de Cidadão e admitir o voto a partir de qualquer lugar com acesso à Internet e com isto iniciar um novo ciclo de democracia directa mais barata e circunstanciada no tempo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Por uma Revolução Digital na Administração Pública portuguesa



A multiplicação de entidades paralelas e redundantes, a que temos assistido nos últimos anos, mesmo depois do PRACE, tem criado um clima de competição e nalguns casos de anulação recíproca que, em vez de acrescentar valor ao país, resulta apenas no aumento da despesa pública, na complexidade do sistema Estado e consequentemente no aumento de custos de contexto para os cidadãos e agentes económicos.

No último relatório do World Economic Forum sobre a Competitividade Global 2010-2011 Portugal ainda se encontra no grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, mas caiu num ano três posições, de 43º para 46ª lugar no ranking. Neste relatório considera-se que Portugal dispõe de infra-estruturas físicas e tecnológicas suficientes para aumentar a sua competitividade, mas o maior bloqueio continua a ser o excesso de carga burocrática.

Paradoxalmente, se por um lado estamos a criar condições tecnológicas para desobstruir e acelerar processos (cartão do cidadão, plataforma de serviços comuns, etc.), estamos ao mesmo tempo a criar um clima crispado de competição entre serviços, entre a administração directa e indirecta do Estado, entre níveis de governo, etc., que em nada facilitam a verdadeira transformação do funcionamento dos serviços públicos e a sua orientação para o cidadão.

Gastámos dinheiro em infra-estruturas mas não as estamos a saber utilizar. E acima de tudo estamos na prática a promover atitudes e valores de competição, muito distantes da mobilização que seria necessária para a reorientação do funcionamento do Estado para os processos básicos dirigidos aos eventos de vida dos cidadãos e das empresas.

Apesar das boas intenções do Teste SIMPLEX, que já ninguém parece aplicar preventivamente, e apesar das iniciativas correctivas avulsas de carácter departamental, estamos longe de uma verdadeira “revolução digital” nos processos administrativos do Estado.

Desde o meu “Manifesto contra a Burocracia Electrónica”, que apresentei no Canadá em Outubro de 2000, percorri um longo percurso missionário na expectativa de passar uma mensagem de mobilização para esta nova forma de encarar a administração pública na era digital. Senti-me solitário muitas vezes mas já consegui mobilizar para esta nova visão do Estado milhares de funcionários e centenas de estudantes em acções de formação profissional e académicas.

Sei que criei alguma ansiedade em muita gente, mas a verdadeira felicidade não está no conformismo e na apatia que nos parece propor uma certa “lobotomia” política, mas sim no desconforto e na angústia de quem acredita na mudança e tem o desejo de ir sempre mais além. Precisamos de pessoas com um perfil diferente: Pessoas que não se conformem com as coisas mal feitas, pessoas que não se intimidem diante das crises e das dificuldades, pessoas que se utilizem da criatividade, da compreensão, da humildade, da perseverança, da motivação e do espírito de liderança para transformar o mundo e a sociedade.

A maioria dos processos da administração pública actual foram concebidos para a era do papel, desconfiando das pessoas e da própria informação detida pelo Estado, transformando os cidadãos em “paquetes” destinados a recolher e entregar certidões e comprovantes que não fazem mais do que alimentar sistemas redundantes, desconexos e inconsistentes entre si.

A revolução digital nos serviços públicos exige mais inovação, novos paradigmas e novos relacionamentos entre as várias estruturas do Estado, por forma a orientar o seu funcionamento para as grandes prioridades da sociedade.

Não se trata de continuar a gastar mais dinheiro do que até aqui em infra-estruturas TIC, pois as que existem são suficientes para a revolução que venho preconizando há mais de dez anos. Trata-se de fazer apenas um pequeno investimento muito mais inteligente e rentável, capaz de permitir a desmaterialização e a interoperabilidade dos processos.

Esta revolução passa sobretudo pela partilha de informação, pela criação de repositórios comuns sobre pessoas, empresas, território, veículos, etc, acabando definitivamente com as certidões e comprovantes inúteis. Proponho que a maioria dos papéis actualmente entregues pelos cidadãos sejam substituídos pela troca de informação digital em back office, com a consequente aceleração, eficácia e economia dos processos. Estamos a falar de poupanças radicais para o Estado e para a sociedade na ordem dos 90% dos custos processuais que se praticam actualmente. Se isto não acontecer é porque as coisas estão a ser mal feitas e mal conduzidas.

Se a administração pública continuar a fazer as coisas como até aqui e se não alterar os seus valores e as suas atitudes, o dinheiro que se está a gastar em qualquer plano tecnológico não irá resultar na melhoria dos serviços aos cidadãos e agentes económicos mas decerto vai avolumar a “burocracia electrónica” que apenas serve para alimentar territórios de poder e feiras de vaidades e aumentar ainda mais a despesa pública.

Meti em Maio o meu pedido de aposentação, mas continuo a ser um optimista inconformado com a situação do meu país!



Ver Também:

36 medidas para reduzir a despesa pública através da melhor gestão e utilização das TIC

quinta-feira, 20 de maio de 2010

36 medidas para reduzir a despesa pública através da melhor gestão e utilização das TIC

Melhoria dos Processos:

  1. Definir e arquitectar processos e promover a sua desmaterialização do princípio até ao fim (end-to-end) evitando iniciativas departamentais que não estejam alinhadas com as várias entidades que contribuem para a fluidez e aceleração global dos respectivos processos.
  2. Adopção generalizada de sistemas de gestão documental e workflow que não se limitem à criação de meros sistemas de entrada e saída de correspondência, acabando com circuitos paralelos e redundantes de informação analógica e digital, que apenas aumentam os custos, a complexidade e a improdutividade dos processos administrativos.
  3. Desmaterialização dos processos de decisão e autorização administrativa, reconhecendo a sua autenticidade e segurança, através da utilização generalizada de certificados digitais, garantido um significativo aumento da transparência e previsibilidade dos actos administrativos e a redução de custos para o Estado e para a sociedade.
  4. Aumentar a cooperação, integração e interoperabilidade entre sistemas fazendo um aproveitamento mais racional da plataforma de serviços comuns da AMA e de outras plataformas entretanto adquiridas a nível ministerial e departamental (Justiça, Impostos, etc.).
  5. Generalização do uso da factura electrónica, garantindo o rigor das transacções e contribuindo para a redução do sector informal da economia, através da integração segura e fiável entre o sistema de aquisições e o sistema financeiro do Estado (ERP), garantindo a interoperabilidade dos dados baseados em formatos normalizados internacionalmente (EB-XML) e não apenas em formatos PDF orientados ao papel.
  6. Transformar os trabalhadores de funções públicas em trabalhadores do conhecimento mais centrados em tarefas qualificadas do que em meras rotinas e rituais de controlo e verificação que podem ser melhor asseguradas pelo uso intensivo de tecnologias da informação.

Gestão das comunicações:

  1. Utilização da rede RING de fibra escura do CEGER, que se encontra fortemente subutilizada pelos gabinetes do Governo, para suporte aos processos da administração pública, mantendo a total separação entre os canais políticos e administrativos, mas garantindo a sua interoperabilidade de forma segura sempre que necessário.
  2. Racionalização das redes de comunicações ministeriais, aumentando a sua escala e a capacidade de negociação com os operadores.
  3. Utilização de áudio e videoconferências para reduzir custos de deslocação e alojamento para reuniões presenciais, utilizando a rede instalada da FCCN e plataformas de e-learning já disponíveis em vários ministérios e no INA ou apenas redes VOIP profissionais multiponto ou domésticas ponto a ponto (Skype, Live Messenger, etc.)
  4. Abertura do canal de comunicações móveis com a sociedade (m-Government), nomeadamente para sistemas de alerta, serviços geo-referenciados, colecta de informação de cidadania, etc., aproveitando o sucesso da penetração dos telemóveis na população portuguesa (130%).

Gestão de identidades:

  1. Racionalização das várias entidades certificadoras do sector público que emitem certificados digitais qualificados (CEGER, AMA, Ministério da Justiça, etc.).
  2. Criação de um sistema de identificação e responsabilização de cargos e trabalhadores em funções públicas, de suporte à desmaterialização dos actos administrativos e dos respectivos processos decisórios, de forma integrada com as assinaturas digitais qualificadas para actos decisórios ou de elevada responsabilidade e independência técnica.
  3. Revogação do número 5 do artigo 35º da Constituição da República Portuguesa que proíbe a criação do número único do cidadão e correspondente simplificação do sistema nacional de identificação e da desmaterialização de processos administrativos.
  4. Reforço e melhoria dos sistemas de auditoria e salvaguarda da protecção dos dados pessoais informatizados, garantindo a sua privacidade e segurança.

Gestão de Informação e repositórios comuns:

  1. Criar uma arquitectura de informação e uma semântica comum a todo o sector público, normalizando conceitos e formatos capazes de garantir a interoperabilidade e a fluidez dos processos orientados aos vários eventos do ciclo de vida dos cidadãos e agentes económicos.
  2. Generalizar a utilização de repositórios comuns relativos a pessoas, empresas, veículos e território, sincronizando os respectivos ciclos de vida e acabando com a redundância e a incoerência de ficheiros sobre as mesmas entidades informacionais.
  3. Aumentar o ritmo de digitalização dos processos de registo civil e predial de forma a criar cadastros únicos, fiáveis e multi-funcionais de pessoas e território.
  4. Integração do sistema de controlo do ciclo de vida dos cidadãos, garantindo a qualidade e sincronia dos dados em todos os sistemas que utilizem dados relativos a pessoas (nascimento, estado civil, falecimento, etc.)
  5. Criar uma task force conducente à criação do Cadastro Multifuncional de todo o território português integrando neste processo todas as iniciativas já em curso no âmbito da administração central, regional e local, nomeadamente através do reforço político ao projecto SINERGIC.
  6. Generalizar a utilização de repositórios comuns já existentes relativos a empresas, nomeadamente o IES , (Informação Empresarial Simplificada), junto de ministérios que ainda não estão envolvidos neste sistema como é o caso do Ministério da Economia, de forma a ser criado um dossier multifuncional das empresas portuguesas de apoio à economia real.
  7. Generalizar a utilização de repositórios comuns já existentes relativos a veículos automóveis, nomeadamente o DUA (Documento Único Automóvel), em sistemas que dependem da qualidade da informação relativa ao seu ciclo de vida, como é o caso da administração fiscal (mudanças de propriedade, abates, etc.)
  8. Cumprir as directivas da União Europeia sobre reutilização de informação do sector público, devolvendo à sociedade informação recolhida pelo Estado, de forma a dinamizar o mercado de informação e a melhoria dos sistemas e aplicações de suporte à economia real (informação estatística, geográfica, legislativa, económica, etc.)
  9. Retomar o SIGRAP (Sistema de Informação de Gestão dos Recursos da Administração Pública), interrompido em 2007, como forma de tornar transparente a realidade financeira, o balanço social e a situação patrimonial de todos os organismos do sector público, através de sistemas eficazes de reporte e da utilização adequada de tecnologias de Business Intelligence.

Gestão dos Sistemas e Tecnologias da Informação (SI/TI):

  1. Adopção de processos e melhores práticas de gestão e auditoria de sistemas e tecnologias da informação (ITIL, ISO 20000, ISO 27001, CMMI, CobIT, etc.).
  2. Acabar com a multiplicidade de tutelas e organismos com competências de gestão dos SI/TI em áreas críticas como a Justiça, acabando com a multiplicidade de centros de aquisição e orçamentos concorrentes e mal alinhados entre si.
  3. Acabar com a criação de estruturas paralelas e redundantes no âmbito da administração indirecta do Estado, nomeadamente institutos, agências, empresas públicas, fundações ACE, etc, como forma de fugir ao controlo orçamental, de iludir os bloqueios à admissão de trabalhadores no sector público e como instrumento de multiplicação dos cargos de gestores públicos e de pagamento de favores políticos.
  4. Acabar com todos os organismos da administração indirecta do Estado, que desempenham funções e serviços partilhados, as quais podem ser melhor exercidas em regime de concorrência pelo mercado privado e que não constituem funções nucleares do Estado, como é o caso dos processos administrativos de apoio à gestão de recursos humanos, financeiros e patrimoniais (GERAP, ANCP, etc.), reforçando por outro lado as funções de coordenação e regulação entretanto extintas ou desvalorizadas no âmbito da administração directa do Estado.
  5. Externalização de centros de processamento de dados e utilização de sistemas de cloud computing,, garantindo níveis elevados de qualidade de serviço, salvaguardando repositórios de dados em áreas de maior soberania e que requeiram requisitos acrescidos de privacidade e segurança.
  6. Aumentar as competências técnicas de gestão de outsourcing, de gestão de projectos, de planeamento estratégico e de arquitectura de sistemas e tecnologias de informação na administração pública.
  7. Nomeação de um CIO (Chief Information Officer) da administração pública tecnicamente independente e subordinado politicamente ao Primeiro Ministro, que seja responsável pela governação dos SI/TI do Estado de forma alinhada com o Programa do Governo e as Grandes Opções do Plano e capaz de garantir a continuidade de medidas estruturais de carácter interministerial e inter-legislaturas.
  8. Criação de um organismo de apoio à governação dos SI/TI do Estado que integre um laboratório e um centro de competências de excelência, para a utilização e experimentação de tecnologias inovadoras de apoio ao e-Government, com credibilidade e independência técnica.
  9. Generalização do uso de tecnologias open source e adopção de open standards.

Reforço da cidadania activa:

  1. Abertura do Diário da República Digital à consulta gratuita em texto integral, com utilização de operadores booleanos.
  2. Simplificação do Portal do Cidadão para aumentar a sua acessibilidade e usabilidade por parte do cidadão comum.
  3. Criação integrada de canais alternativos baseados em suportes multimédia, quiosques, televisão, redes sociais, etc, capazes de ultrapassar a exclusão digital de quase 50% dos cidadãos portugueses.
  4. Criação do Sistema de Informação para a Transparência da Administração Pública (SITAP), várias vezes proposto pelas oposições, mas sistematicamente adiado pelos sucessivos governos, capaz de responsabilizar os decisores políticos e administrativos e suportar a avaliação e o escrutínio por parte da sociedade.

Este trabalho resultou de uma rápida reflexão pessoal, mas irá ser retomado em breve.