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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Websummit em Portugal em 2028: o que esperar até lá



2028 será o último ano da Websummit em Lisboa e até lá muitas são as mudanças previstas e anunciadas já na edição deste ano.

Se pensarmos que em 2008 nascia o Spotify, o Facebook ainda não era mobile e faltavam ainda dois anos para conhecermos o Instagram, é fácil concluirmos que daqui a dez anos a Websummit em Portugal não será a mesma que vimos agora.

 Resumindo as intervenções dos principais oradores da Websummit, percebemos que o robô Sophia, que ainda nos deixa boquiabertos tantas e tantas vezes, não estará sozinho. Em 2028, os robôs humanoides farão parte do nosso dia-a-dia, acredita Jamie Paik, professora, fundadora e diretora do Laboratório de Robótica Reconfigurável da École Polytechnique Fédérale de Lausanne.

Quem também esteve em destaque na Web Summit deste ano foi o robô Furhat, da empresa sueca com o mesmo nome. O fundador e CEO da empresa é o sírio Samer Al Moubayed, que acredita que dentro de dez anos os robôs estarão em toda a parte: lojas, aeroportos, supermercados e até em entrevistas de emprego a candidatos. Samer admite que a inteligência artificial nos robôs neste momento ainda não está no ponto, mas está muito perto e vai haver vantagens enormes em ter um robô numa loja, a indicar de imediato o que está ou não em stock naquela loja e em outras sem necessidade de ver no computador, é só perguntar ao robô.

A generalização de veículos elétricos e de serviços de partilha de automóveis também será realidade daqui a 10 anos, acredita Christoph Grote, vice-presidente do grupo BMW para a área eletrónica. Também estão previstos veículos voadores autónomos, como táxis, por exemplo.

No espaço vão vaguear turistas, mas não só. Também poderemos ter centenas, ou mesmo de milhares, de satélites que poderão ser lançados por startups. Tendo em conta a diversidade de negócios espaciais, Jim Cantrell, cofundador da empresa Vector, acredita que este mercado, nos próximos dez anos, vai valer o dobro.

Os milhares de participantes que seguirão rumo a Lisboa, para a Web Summit de 2028, poderão também ter uma experiência turística diferente das que vivenciaram nestes anos. Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, revela que a aposta nacional da próxima década passa pela eficiência e a sustentabilidade com a adaptação da oferta às questões da sustentabilidade ambiental.

Em 2028, poderemos ter elevadores horizontais a mover pessoas de pavilhão em pavilhão. Quem o diz é Andreas Schierenbeck, CEO da Thyssenkrupp Elevator.

As Nações Unidas acreditam que o cruzamento entre internet e política vai ser ainda mais notório dentro de uma década.

A Web Summit não vai ser só um showcase de startups mas passará a ser também um showcase de inovação. A conferência pode vir a transformar-se na próxima CES e a abordar temas como biotecnologia, nanocomputação e computação quântica.

O Ikea também tem uma palavra a dizer sobre a forma como vamos decorar as nossas casas em 2028, sendo que a cadeia sueca de mobiliário acredita que vamos ver mais mudanças nos próximos dez anos do que vimos nos últimos 40. Em 2028, o mobiliário em casa será completamente diferente. As peças vão adaptar-se a nós, indica Pia Heidenmark Cook, diretora de sustentabilidade do grupo Ikea.

No futuro existirão novas formas de adquirir produtos, com a economia a tornar-se mais circular, com um acesso diferente às coisas e com toda a logística do setor a transformar-se. James Trainor, vice-presidente da área de soluções de cibersegurança do grupo AON acredita que, com o passar dos anos, o cibercrime e a cibersegurança passarão da mão dos humanos para o domínio das máquinas: tudo andará à volta do machine learning e da inteligência artificial. Os crimes informáticos serão cada vez mais autónomos e quase sem envolvimento humano ao contrário do que acontece hoje, onde apenas 20% dos cibercrimes não têm mão humana.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Robôs podem roubar cinco milhões de empregos


A automatização pode vir a roubar cinco milhões de empregos e afetar 800 milhões de pessoas nos próximos 13 anos.

As contas foram feitas num estudo do Fórum Económico Mundial que também aponta para o crescimento da desigualdade salarial entre homens e mulheres nos setores tecnológicos de 15 economias globais líderes. Sem surpresa, as mulheres serão as mais afetadas nesta nova revolução tecnológica - já chamada de 4.ª Revolução Industrial.

Por outro lado, o estudo "Towards a Reskilling Revolution: A Future of Jobs for All", prevê que cerca de 95% dos trabalhadores afetados vão conseguir um novo emprego se passarem por processos de requalificação.

A 48.ª reunião anual do Fórum Económico Mundial realizou-se em Davos-Klosters de 23 a 26 de janeiro e o tema deste ano é "Criar um futuro partilhado num mundo fracturado".

Em 2014, a CIONET e a Comissão Europeia, em colaboração com a APDSI, APDC, TICE.PT e ISACA, organizaram, a Grand Coalition for Digital Jobs Summit. Um dos principais temas da cimeira passou pela contradição entre a existência, em Portugal, de um elevado grau de desemprego, e em particular entre os jovens, e o aumento da falta de competências no sector das TIC.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Protótipo para exploração subaquática de minas terrestres do INESC TEC testado com sucesso


O projeto europeu ¡VAMOS! (Viable Alterantive Mine Operating) testou com sucesso o protótipo para exploração subaquática de minas terrestres que tem vindo a desenvolver desde 2015.

Esta tecnologia vai contribuir para explorar a riqueza dos recursos minerais subaquáticos na Europa.

O teste foi feito no Reino Unido, no final do mês de outubro, com a ajuda dos parceiros que têm estado a trabalhar nos vários componentes do projeto, ou seja, INESC TEC (Portugal), SMD Ltd (Reino Unido), Damen Dredging Equipment (Holanda).

Um grupo de cerca de 30 profissionais assistiu ao teste. Os visitantes, divididos em pequenos grupos, receberam instruções de segurança e foram levados de barco até à embarcação de lançamento e recuperação na área de demonstração localizada em Lee Moor (Devon, Reino Unido). Foi nesse local que os visitantes puderam inspecionar o veículo de mineração e testemunhar a implantação e recuperação do protótipo. O teste incluiu também uma visita ao centro de dados e controlo de unidades, com recurso à realidade virtual, onde toda a maquinaria é controlada e onde todos os dados são recolhidos em tempo real.

O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (NESC TEC) tem sido um dos parceiros no projeto que está a construir um protótipo robótico para exploração mineira subaquática e todo o equipamento associado de lançamento e recolha que estão a ser usados para levar a cabo testes sobre depósitos minerais em quatro locais diferentes na União Europeia.

«Este projeto foi originalmente conceptualizado por mim e pelo Professor Eduardo Silva do INESC TEC. Estamos muito satisfeitos com os resultados positivos desta primeira fase de testes, onde podemos destacar pontos, tais como o facto de termos conseguido superar os problemas civis e ter tido bom acesso ao poço em Lee Moor, de termos aumentado a capacidade de diferenciação dos minerais, aumentado o processamento de dados quase em tempo real e fornecer boas imagens aos pilotos ou o facto dos sistemas de controle integrado terem funcionaram bem», refere Stef Kapusniak, coordenador técnico do projeto iVAMOS!

Uma vez que o protótipo do iVAMOS! se baseia em técnicas de mineração em mar profundo, vai garantir uma opção mais segura e menos poluente para o aproveitamento económico de depósitos minerais que atualmente não são exploráveis por métodos tradicionais.

Em maio a APDSI abordou a temática da robotização na conferência sobre "Desafios Sociais e Tecnológicos na Conceção de Robôs" que pode recordar aqui.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Empresa de tecnologia de segurança cibernética alerta para os riscos de robôs



Robôs e "zonas escuras" das estruturas de TI agravam ambiente de risco online. O alerta foi deixado no relatório "Vetores de Risco Cibernético", relativo ao primeiro semestre de 2017, da Aker N-Stalker, empresa de tecnologia de segurança cibernética.

Segundo o documento, que foi apresentado publicamente em São Paulo, no Brasil, no encontro "Gartner Security & Risk Management Summit 2017", as vulnerabilidades aumentam devido a erros banais como passwords fracas, acesso e downloads de arquivos de origem desconhecida e sobre-exposição nas redes sociais. A empresa elaborou, entretanto, uma lista com os procedimentos adequados a adotar online que pode consultar aqui.

O ambiente online, segundo o estudo, vai-se tornando mais complexo a partir de novos alvos de cobiça, como as bitcoins, o uso de engenharia social e a criação de avatares falsos.

O documento também destaca como problemas crescentes o emprego da inteligência artificial e da robótica pela comunidade do crime e a exploração de dados empresariais de valor a partir de "ondas escuras" das estruturas de TI, que aumentam com a expansão da nuvem e do emaranhado de dados velozes do ambiente da big data.

O avanço da Internet das Coisas (IoT), um fenómeno até há pouco tempo encarado como tendência de futuro, mas hoje uma realidade presente nos lares, escritórios, fábricas e comboios, navios e estradas, é outro vetor emergente reportado no relatório.

Em combinação com essas tendências, os criminosos recorrem a tecnologias cada vez mais sofisticadas, como a engenharia social, a análise preditiva de padrões e técnicas de criptografia para apropriação e controlo de servidores de terceiros.

Para Rodrigo Fragola, CEO da Aker N-Stalker, as empresas de tecnologias têm de ter um papel mais ativo na disseminação de práticas de segurança cibernética, não só para grandes empresas, mas principalmente para as PMEs, que constituem os elos mais fracos da rede.

De recordar que a APDSI, através do Grupo Segurança na Sociedade da Informação (GSSI), realizou a conferência "Privacidade e Segurança na Sociedade da Informação - Lições Aprendidas 2015" a 16 de dezembro de 2015. Questões como a privacidade e segurança e os respetivos impactos na economia e na sociedade foram debatidas na altura.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Elon Musk diz "não" a soldados-robô


Elon Musk e Mustafa Suleyman estão a intervir junto da ONU numa tentativa de proibir o desenvolvimento e utilização de armas inteligentes e autónomas, capazes de disparar mísseis sozinhas. A notícia é do site The Verge.

De recordar que o primeiro polícia-robô começou a funcionar no Dubai em maio.

A eventual criação de soldados-robô está a ser discutida nas Nações Unidas mas encontra resistência por parte de alguns nomes bem conhecidos da comunidade tecnológica, sobretudo da inteligência artificial, como Elon Musk, o empresário e milionário responsável pela Tesla, e de Mustafa Suleyman, fundador da empresa de inteligência artificial DeepMind Technologies, que foi comprada pela Google.

Os dois empresários juntaram-se a outros 116 especialistas de 26 países para alertar a ONU sobre os perigos de dotar máquinas de guerra com inteligência artificial. Esta espécie de "abaixo-assinado" pede para que seja proibida a utilização e o desenvolvimento de soldados, veículos, drones e armas que não dependem de mão humana. Apesar das críticas de que Elon Musk está a ser alvo, por querer desenvolver um carro 100% autónomo, o empresário defende-se dizendo que o caso muda de figura quando o assunto são máquinas autónomas capazes de disparar armas e de tomar essa decisão sozinhas. «É preciso distinguir um carro autónomo de outro que, sem intervenção humana, decide disparar um míssil», afirma.

A ONU aprovou recentemente a abertura de discussões formais sobre o tema com o objetivo de regulamentar este tipo de armamento: drones, tanques e robôs.

«Assim que forem desenvolvidas armas autónomas e letais, estas vão permitir levar a cabo conflitos armados numa escala nunca antes vista e numa dimensão temporal nunca imaginada, mais rápida do que a compreensão humana. Podem ser armas de terror, armas vulneráveis a hacks e utilizadas por terroristas contra populações inocentes. Não temos muito tempo para agir», lê-se na carta assinada pelos dois e enviada à ONU.

Já Manuela Veloso, professora da americana Carnegie Mellon University (CMU) e co-fundadora da RoboCup Federation,  disse, no workshop da APDSI a 24 de maio que «não estamos habituados a ver robôs a andarem ao nosso lado como se fossem pessoas ou animais». Leia a documentação resultante desse evento aqui.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

APDSI prepara conferência sobre "Desafios Sociais e Tecnológicos na Conceção de Robôs"



A APDSI organiza a conferência intitulada "Desafios Sociais e Tecnológicos na Conceção de Robôs", a 24 de maio, no Auditório Lispólis - Pólo Tecnológico de Lisboa, na estrada do Paço do Lumiar, sob coordenação de Luís Vidigal, presidente da Direção da Associação.

Manuela Veloso, professora da Carnegie Mellon University e co-fundadora da RoboCup Federation, é a keynote speaker do encontro que decorre a partir das 14h00.

Nos últimos anos, a evolução acelerada da inteligência artificial e da robótica trouxe consigo impactos de natureza social e económica, nomeadamente no domínio do emprego, das relações laborais, das competências, da aprendizagem, da ética, da criação de valor, da fiscalidade e da sustentabilidade do estado social.

O relacionamento homem-máquina, o trans-humanismo, a singularidade e a autodeterminação dos robôs levantam novos desafios à sociedade e às políticas públicas para os quais os governos não estavam preparados.

Com esta conferência pretende-se obter uma visão internacional sobre os paradigmas que se colocam à robótica, bem como a sua representação no ar, em terra e no mar, nas suas mais variadas vertentes de interação social.

A inscrição no evento é gratuita mas obrigatória e deve ser feita aqui.

A participação é alargada por videoconferência em múltiplos auditórios e salas em todo o país e em comunidades portuguesas no estrangeiro.

Consulte o programa já disponível aqui.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Smart Connected Kitchen: o futuro da domótica apresentado em Nova Iorque


Foi apresentada esta semana durante o "Retail's BIG Show", em Nova Iorque, uma nova solução de robótica para móveis e eletrodomésticos de cozinha conectados, acionados por voz, assentes na Internet das Coisas (IoT).

O Smart Kitchen Commerce, bem como a tecnologia que opera nos bastidores, resulta de uma parceria entre a NCR Corporation, líder global em soluções pluricanal, e a Freshub. A nova tecnologia permite estabelecer uma ligação entre os mundos físico e digital, e cria uma cozinha controlada por tecnologias de voz e movimento mas sem esquecer as preferências e as lojas de referência dos consumidores conectados.

Outra novidade é que a combinação da tecnologia de serviço de pedidos da NCR Retail ONE com a Smart Connected Kitchen, da Freshub, dá aos comerciantes a oportunidade de fazerem parte do universo dos aparelhos domésticos, permitindo a conexão de bens de consumo, como frigoríficos e fogões ligados à Internet, aos produtos e preferências pré-definidas. Cada um de nós pode, em qualquer altura, fazer uma encomenda, sem nunca usar as mãos.

A Freshub, líder de tecnologias para a Smart Kitchen Commerce, é o primeiro fornecedor de soluções a integrar-se completamente com tecnologia NCR Retail ONE - ecossistema de aplicações para o comércio inovador - e a permitir soluções da IoT para os comerciantes se ligarem aos clientes.

De recordar que o futuro das cidades e das casas foi um dos temas abordados pela APDSI em junho do ano passado no debate sobre o futuro, intitulado "O Aprofundamento da Era Digital - Um Cenário para 2030".

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Germano Veiga sobre o português Stamina: «O termo robô ainda tem um peso grande»



O Stamina regressou no passado fim-de-semana de Munique, na Alemanha, onde representou Portugal na Automatica - uma feira de robótica industrial que decorreu em Munique, Alemanha. O Stamina é um robô desenvolvido em Portugal e que pretende automatizar a tarefa de picking, uma espécie de ida às compras nos armazéns que acontece muito nas linhas de montagem de automóveis. O robô com "sangue luso" pretende melhorar a organização na produção e armazenamento de componentes na indústria automóvel. Segundo o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), entidade portuguesa envolvida no desenvolvimento do Stamina, o objetivo é melhorar os índices de automação abaixo dos 30% que se registam de momento no setor automóvel e em relação a estas operações em particular.

O sistema robótico promete mudar a perspetiva que se tem sobre os robôs atuais que só conseguem trabalhar em ambientes em que tudo tenha uma ordem específica, ficando "desorientados" quando algo sai da norma. O robô está equipado com um sistema de sensorização avançada que recorre a lasers e câmaras para reconhecer o espaço em que se movimenta, enquanto um braço robótico integrado pode ser utilizado em diversas tarefas de manuseamento.

O INESC TEC também apresentou na Automatica outros dois robôs do projeto europeu SMERobotics, juntamente com mais duas empresas portuguesas, a SARKKIS Robotics e a NORFER. O projeto SMERobotics enquadra-se na Iniciativa Robótica Europeia para o Fortalecimento Competitivo das PME na Indústria de Produção e tem como objetivo concretizar a robótica cognitiva num segmento chave para a Europa: a Indústria de Produção. 

Foi há quatro anos que sete instituições se juntaram para criar o Stamina, num projeto europeu que envolve cinco milhões de euros de investimento por parte do 7.º Programa-Quadro da União Europeia. São elas o portuense INESC TEC e também as universidades de Aalborg (Dinamarca), Freiburg (Alemanha), Bonn (Alemanha) e Heriot-Watt (Escócia), apoiadas pela empresas francesas BA Systèmes e PSA Peugeot Citröen. O fim do desenvolvimento está previsto para março de 2017 e a tecnologia encontra-se no laboratório de robótica que o INESC TEC tem na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A APDSI falou com o eng.º Germano Veiga, um dos investigadores responsáveis pela criação do Stamina, e membro do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes do INESC TEC que nos apresentou o Stamina: «Na indústria automóvel as tarefas de montagem do carro são feitas numa linha de produção. Antigamente, o stock das peças a colocar num automóvel estava junto à linha de produção mas, mais recentemente, houve uma alteração e, em vez de haver stock junto à linha, as peças passaram a estar num supermercado. Este termo, "supermercado", é mesmo usado ao nível industrial. Há pessoas que percorrem esse supermercado e recolhem as peças que vão ser usadas em determinado carro que depois são entregues na linha, sincronizando com a necessidade daquele modelo específico. Esta mudança de paradigma nas linhas de montagem automóvel facilitou, em termos de espaço, mas exige que alguns operadores façam este trabalho de picking no supermercado. O robô Stamina está focado nesta operação, é ele que faz esta recolha no supermercado e depois faz a entrega na linha. Como estes supermercados foram desenhados para pessoas, trata-se de um desafio tecnológico porque é preciso que o robô tenha perceção, que saiba localizar, ir buscar e agarrar as peças que pretende, mas em traços gerais é este o desafio do robô Stamina».

APDSI - Ele consegue, portanto, encontrar e evitar obstáculos mas consegue, também, ter um papel no cálculo de stocks?
GV - Não era um dos objetivos iniciais mas durante o desenvolvimento do projeto encontrámos uma forma de usar esses sensores do robô durante o seu movimento, ou seja, ele vai a cumprir a sua missão, recolhe os seus dados do ambiente, e vai confirmando com a base de dados a informação sobre o stock do supermercado. Vai comparando se aquilo que está a ver, está em conformidade com a informação da base de dados. Isto é muito importante porque o robô não deixa de fazer o que estava a fazer mas consegue integrar essa informação com o sistema da casa-mãe, a Peugeot Citröen. Atualmente os operadores quando vão recolher uma peça, se encontram alguma no supermercado que não está em conformidade, emitem um alerta para um responsável de linha verificar o que se passa. O robô vai fazer a mesma coisa.

APDSI - Como foi a receção ao projeto português na feira Automatica?
GV - Foi boa. Este manipulador móvel faz parte dos robôs que ainda envolvem alguma novidade, ainda despertam muita curiosidade, principalmente pela sua dimensão, o Stamina tem uma carga considerável. De forma geral foi muito bem recebido.

APDSI - Nesta altura o projeto já está finalizado ou ainda vai ser alvo de melhoramentos até 2017?
GV - Ainda vai ser melhorado. Vamos fazer o teste final na fábrica no início do próximo ano. Ainda há caminho a percorrer, especialmente para tornar o sistema mais robusto e aumentar a sua performance.

APDSI - Como é que o Germano reage quando lhe dizem que este tipo de robôs está a acabar com o emprego tradicional?
GV - [risos] Vou começar por dar o exemplo da PSA Peugeot Citröen. Este robô específico vai começar por ser usado em França e nas fábricas da Europa, de um modo geral. Na fábrica francesa, que tem uma estrutura já antiga, os responsáveis dizem que, ou se arranja uma solução deste tipo, ou a fábrica terá de fechar porque, hoje em dia, pelo baixo custo de um automóvel, não é possível investir numa nova fábrica na Europa. Se o grupo o fizer, vai fazê-lo na Ásia. Ou seja, o robô é uma necessidade para manter os empregos que já existem porque a competitividade destas fábricas é reduzida. Numa perspetiva mais geral, os robôs não roubam assim tanto emprego. Há uns três ou quatro milhões de robôs no mundo todo. Há alguns, como as máquinas de lavar a roupa ou de café, que, esses sim, tiveram um maior impacto no emprego. Há cinco ou seis milhões de máquinas de vending só no Japão e essas é que roubam emprego. Mas o termo robô ainda tem um peso grande. A máquina de café, mesmo que esteja a substituir alguém, não a vemos como um robô. Mesmo dentro da estrutura produtiva de uma fábrica, pegar em peças de 12 ou 15 quilos é uma tarefa muito pesada e as pessoas se estiverem livres de fazer tal coisa podem até aumentar a sua produtividade dentro da PSA e, logo, a competitividade da empresa.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Indústria 4.0 - de careless whisper a wireless whisper


Depois de muito se ter falado e especulado sobre a Indústria 2.0, que apontava um caminho no qual o cliente era o centro de todas as atenções e onde as apps eram o pináculo de soluções de vida feitas à medida, a indústria 4.0, já considerada também a 4.ª revolução industrial, executada e gerida por sistemas ciber-físicos, é a que os especialistas admitem já estar a acontecer há cerca de cinco anos (o termo surgiu em 2011 no decorrer da feira de Hannover, a maior feira mundial de indústria) e que prevêem vir a efetivar-se nos próximos três a cinco anos. Robôs autónomos e realidade aumentada já começam a ser parte do nosso dia-a-dia, enquanto a big data e a integração de sistemas, servirão de base à Internet das coisas e Internet dos serviços que se desenvolve a passos largos. Na Indústria 4.0 a linha que separa humano de computador é cada vez mais ténue.

O armazenamento na "nuvem" será a solução para uma produção, armazenamento e distribuição mais inteligentes, rápidas e económicas. Se, por um lado, na indústria 4.0 se a produção é mais massificada e rápida, por outro, a consequência final dessa produção pode ser cada vez mais personalizada e adaptada a necessidades específicas. Este resultado é conseguido através de uma crescente aposta na informação e comunicação interna que permitem também antecipar problemas e eventuais disrupções no produto em linha de montagem num estágio muito inicial. A conversão de dados armazenados de forma bruta e avulsa em informação útil é um dos primeiros passos para se rumar à Indústria 4.0. O trabalho remoto é uma realidade, para quem tem como responsabilidade assegurar a devida distribuição da informação, garantindo o acesso seguro a máquinas e a sistemas a partir de qualquer ponto do planeta e a partir de qualquer dispositivo móvel.

A tecnologia RFID (radio frequency identification) torna-se rotineira no processo de identificação e armazenamento de informação como há já muito tempo acontece, por exemplo, em áreas como a biologia e a zoologia com transponders colocados nos animais permitindo a captação de informações precisas e fiáveis sobre os seus hábitos de vida. No futuro, a RFID pode levar, por exemplo, a que no preciso instante em que o seu filho deixa cair o telemóvel na banheira, o mesmo envie um "recado" à fábrica que produzirá, de imediato, um outro telemóvel com características iguais ao que acabou de se "afundar".

Na Indústria 4.0, quando um determinado produto está em linha de montagem, pode ter inúmeras variações (cor, tamanho, peso, etc.) sendo possível, nesta nova geração de produção, a máquina responsável pelo seu fabrico informar em qual das variantes está a trabalhar nesse momento, sendo possível, assim, o responsável humano estabelecer a tal customização em larga escala com perdas mínimas de produto e grandes ganhos de tempo.

A integração de todos os dados na "nuvem" permite uma produção mais flexível na medida em que o volume de produção e os consumos de energia estão sempre a ser comunicados em tempo real. No caso de haver uma avaria nalguma das máquinas, as soluções que integram a Indústria 4.0 também não só a detetam imediatamente, como sugerem outras máquinas e métodos disponíveis no momento e os respetivos tempos e volumes de produção estimados nesse método alternativo de produção. De salientar, ainda, a eliminação das linhas de montagem dos controladores humanos de fluxos de trabalho.

Se é verdade que algumas destas tecnologias ainda não estão completamente disponíveis para aplicação imediata, também é verdade que muitas das grandes empresas não estão plenamente conscientes do avanço das novas tecnologias e, seguramente, quando perceberem os elevados níveis de confiança que os métodos da Indústria 4.0 transmitem, aliados a também consideráveis valores de poupança, facilmente optarão por este caminho. A possibilidade de criar pequenas quantidades de produtos altamente personalizados, a um custo tão reduzido como uma produção em massa, era um sonho antigo dos grandes senhores da indústria. Hoje, é um sonho realizado, possível e cada vez mais alcançável.

Vantagens da Indústria 4.0:
- Transparência de dados e facilidade de acesso aos mesmos, inclusivamente em mobile;
- Previne ruturas de stock;
- Pode ser facilmente integrada nos atuais cenários e equipamentos;
- Significativas poupanças de tempo e dinheiro.

Desvantagens da Indústria 4.0:
- Pouco espaço para a criatividade na adversidade e superação de imprevistos;
- Redefinição do papel no Ser Humano no mercado de trabalho e na sociedade em geral;
- As empresas que hoje são as mais poderosas irão continuar a sê-lo na Indústria 4.0, deixando pouca margem ao surgimento de novos players;
- Prejuízo das nações em desenvolvimento.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Robôs de Leonel Moura e música de Pedro Carneiro no Chiado



Hoje, entre as 17h00 e as 19h00, enquanto bebe um café na Boutique Nespresso do Chiado, em Lisboa, pode assistir a um concerto inovador que combina robótica e arte. Leonel Moura, lisboeta pioneiro na utilização de robôs e inteligência artificial para a produção artística, e Pedro Carneiro, co-fundador, diretor artístico e maestro titular da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), juntam-se à Nespresso para criar The Art Inside, 11 espetáculos a decorrer nas Boutiques da marca de café de norte a sul do país, onde um conjunto inovador de robôs pinta telas originais ao som de música clássica, tocada por solistas OCP.

Em The Art Inside, os robôs criados por Leonel Moura, portadores de cores distintas e dotados de sensores de som, reagem ao som da música escolhida por Pedro Carneiro, criando deste modo obras originais que se definem como registos, em imagem, das diferentes melodias. As 11 telas criadas nas 11 Boutiques da marca terão o código cromático e a intensidade correspondentes aos Grands Crus da Nespresso: Ristretto, Arpeggio ou Roma ganham uma nova vida nestas telas originais, debaixo do olhar atento dos visitantes que apreciam o seu café gourmet.

The Art Inside arrancou no dia 17 de maio na Boutique Nespresso da Avenida António Augusto Aguiar, em Lisboa, e decorre até ao dia 8 de junho, passando por todas as Boutiques da marca: Parque das Nações (31 de maio), Cascais (1 de junho), Boavista (6 de junho), Coimbra (7 de junho) e Norteshopping (8 de junho).

Leonel Moura e Pedro Carneiro estarão presentes em todas as sessões.