quinta-feira, 30 de junho de 2016

OCDE alerta para os desafios de uma economia digital


Os governos devem agir mais rapidamente para ajudar cidadãos e empresas a uma maior utilização da Internet e no eliminar de barreiras regulamentares à inovação digital. 

O alerta foi deixado na semana passada pela OCDE - Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico - que reforçou aos representantes de cerca de 40 países a importância de não se arriscarem a perder os benefícios económicos e sociais da economia digital.

O economista Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, pretendeu com o encontro do passado dia 22, priorizar a agenda digital em quatro áreas-chave: Internet aberta à inovação, confiança numa economia digital, construção de uma conectividade global, empregos e formação numa economia digital.

Os desafios que uma economia digital traz, estão sintetizados aqui.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Debate sobre o Futuro: O Aprofundamento da Era Digital - APDSI traça um cenário para 2030


A APDSI realizou, a 27 de junho, na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, um debate sobre o futuro, intitulado “O Aprofundamento da Era Digital - Um Cenário para 2030”, sob coordenação de Francisco Matos Tomé e José Gomes Almeida, da direção da APDSI.

O debate teve por base um documento, elaborado pelo Grupo Futuros da Sociedade da Informação (GFSI), constituído em 2013 no seio da APDSI, e que pretende alargar a discussão sobre os impactos, nas diferentes vertentes da sociedade, que as tecnologias poderão vir a ter num futuro relativamente próximo (2030). Nestas projeções sobre o futuro estão refletidas as opiniões, conhecimentos e experiências dos membros do Grupo, sempre conscientes que mesmo no que se previa há uns anos a esta parte «certos projetos avançaram muito, noutros estamos aquém do que tinha sido projetado», referiu Francisco Tomé. «O futuro que, no documento, apresentamos como desejado, teve por base a visão do que o Grupo gostaria que fosse o futuro. Não assenta em previsões, nem tão pouco é tratado como uma ciência. É uma visão daquilo que, para nós, previsivelmente, será o futuro, nem bom nem mau», concluiu.

A escolha de 2030 enquanto universo temporal limite, teve por base a Resolução da Assembleia-Geral da ONU “Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para um Desenvolvimento Sustentável”.

As mudanças na tecnologia provocam, na maioria dos cenários, uma disrupção para com o passado e um aprofundamento da Era digital. Para José Gomes Almeida, do GFSI, uma das disrupções mais significativas irá acontecer nos modelos de negócio que funcionaram no séc. XX. «Até 2030 a Internet vai crescer, tornar-se mais lata e isso vai levar à criação de “novas nações” - gente com interesses únicos. As sociedades vão funcionar de forma diferente e a educação também vai sofrer muitas alterações», descreveu José Gomes Almeida, do GFSI da APDSI. Embora parecendo um contrassenso, o Grupo acredita que vai aumentar a infoexclusão mas, por outro lado, vai verificar-se um aumento da participação da mulher em setores TIC.

O crescimento da IOT - Internet of Things vai resultar, ainda à luz do documento do GFSI, em melhoramentos no setor agrícola. A fronteira entre o mundo físico e o digital vai estar cada vez mais esbatida e os drones farão parte da nossa vida quotidiana, com todas as questões de segurança a alimentarem debates nos próximos anos. A automatização de muitos processos será, para o GFSI, incontornável, enquanto assistiremos, previsivelmente, a um mundo empresarial mais preocupado com o ambiente. Todavia, qualquer um dos cenários, sobre os quais pode ler mais aprofundadamente em apdsi.pt, está dependente das wild cards - situações inesperadas e com elevado grau de impacto nas sociedades em geral.

José Gomes Almeida enquadrou que «historicamente o setor tecnológico depende muito do setor militar que exige determinadas condições em quadros bélicos que conduzem a outros desenvolvimentos e servem para testar produtos tecnológicos desenvolvidos para fins militares».


Luís Silva, outro dos membros do GFSI que subscreveu o documento apresentado a 27 de junho, focou-se nalguns aspetos otimistas da evolução tecnológica, como a adoção de hábitos de vida mais saudáveis e o recurso a transportes públicos. «Quem vai alavancar este estilo de vida é a chamada “geração milénio”, que prefere a mobilidade elétrica e uma vida com mais cultura e mais voluntariado. De salientar que, a partir de abril de 2018, todas as viaturas vão estar equipadas com eCall, que vai permitir, nomeadamente, a possibilidade de serem feitas manutenções remotas ao automóvel. Claro que este cenário, bem como os veículos de condução autónoma, vão trazer problemas com hackers e vírus e os roubos de identidade vão ser mais frequentes.

Ainda numa nota positiva aparecem as impressoras a 3D, com as suas infindáveis aplicações na área da saúde, e a redução dos custos de produção, bem como uma evolução da governança “da base para o topo”, como são exemplo os orçamentos participativos.

João Rodrigues, igualmente do GFSI, vai mais longe e aponta como cenário provável «a digitalização de todos os serviços prestados pelo Estado. O Tesla também vai entrar nas baterias domésticas, por isso, o armazenamento, controlo e gestão em tempo real vão mudar o panorama da utilização das energias renováveis e da micro-produção». 

Luís Vidigal e Amaral Gomes dinamizaram a parte final do debate, depois do argumentista Pedro Miguel Ribeiro ter divertido o público presente na Fundação das Comunicações com uma criativa história de um dia na vida de um casal “normal” em 2036.

A APDSI agradece a todos os membros do GFSI a sua colaboração na atividade do grupo e especialmente aos membros que integraram a Task Force que permitiu elaborar o documento: Francisco Tomé, João Rodrigues, José Manuel Gomes Almeida e Luís Filipe Silva.


Germano Veiga sobre o português Stamina: «O termo robô ainda tem um peso grande»



O Stamina regressou no passado fim-de-semana de Munique, na Alemanha, onde representou Portugal na Automatica - uma feira de robótica industrial que decorreu em Munique, Alemanha. O Stamina é um robô desenvolvido em Portugal e que pretende automatizar a tarefa de picking, uma espécie de ida às compras nos armazéns que acontece muito nas linhas de montagem de automóveis. O robô com "sangue luso" pretende melhorar a organização na produção e armazenamento de componentes na indústria automóvel. Segundo o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), entidade portuguesa envolvida no desenvolvimento do Stamina, o objetivo é melhorar os índices de automação abaixo dos 30% que se registam de momento no setor automóvel e em relação a estas operações em particular.

O sistema robótico promete mudar a perspetiva que se tem sobre os robôs atuais que só conseguem trabalhar em ambientes em que tudo tenha uma ordem específica, ficando "desorientados" quando algo sai da norma. O robô está equipado com um sistema de sensorização avançada que recorre a lasers e câmaras para reconhecer o espaço em que se movimenta, enquanto um braço robótico integrado pode ser utilizado em diversas tarefas de manuseamento.

O INESC TEC também apresentou na Automatica outros dois robôs do projeto europeu SMERobotics, juntamente com mais duas empresas portuguesas, a SARKKIS Robotics e a NORFER. O projeto SMERobotics enquadra-se na Iniciativa Robótica Europeia para o Fortalecimento Competitivo das PME na Indústria de Produção e tem como objetivo concretizar a robótica cognitiva num segmento chave para a Europa: a Indústria de Produção. 

Foi há quatro anos que sete instituições se juntaram para criar o Stamina, num projeto europeu que envolve cinco milhões de euros de investimento por parte do 7.º Programa-Quadro da União Europeia. São elas o portuense INESC TEC e também as universidades de Aalborg (Dinamarca), Freiburg (Alemanha), Bonn (Alemanha) e Heriot-Watt (Escócia), apoiadas pela empresas francesas BA Systèmes e PSA Peugeot Citröen. O fim do desenvolvimento está previsto para março de 2017 e a tecnologia encontra-se no laboratório de robótica que o INESC TEC tem na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A APDSI falou com o eng.º Germano Veiga, um dos investigadores responsáveis pela criação do Stamina, e membro do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes do INESC TEC que nos apresentou o Stamina: «Na indústria automóvel as tarefas de montagem do carro são feitas numa linha de produção. Antigamente, o stock das peças a colocar num automóvel estava junto à linha de produção mas, mais recentemente, houve uma alteração e, em vez de haver stock junto à linha, as peças passaram a estar num supermercado. Este termo, "supermercado", é mesmo usado ao nível industrial. Há pessoas que percorrem esse supermercado e recolhem as peças que vão ser usadas em determinado carro que depois são entregues na linha, sincronizando com a necessidade daquele modelo específico. Esta mudança de paradigma nas linhas de montagem automóvel facilitou, em termos de espaço, mas exige que alguns operadores façam este trabalho de picking no supermercado. O robô Stamina está focado nesta operação, é ele que faz esta recolha no supermercado e depois faz a entrega na linha. Como estes supermercados foram desenhados para pessoas, trata-se de um desafio tecnológico porque é preciso que o robô tenha perceção, que saiba localizar, ir buscar e agarrar as peças que pretende, mas em traços gerais é este o desafio do robô Stamina».

APDSI - Ele consegue, portanto, encontrar e evitar obstáculos mas consegue, também, ter um papel no cálculo de stocks?
GV - Não era um dos objetivos iniciais mas durante o desenvolvimento do projeto encontrámos uma forma de usar esses sensores do robô durante o seu movimento, ou seja, ele vai a cumprir a sua missão, recolhe os seus dados do ambiente, e vai confirmando com a base de dados a informação sobre o stock do supermercado. Vai comparando se aquilo que está a ver, está em conformidade com a informação da base de dados. Isto é muito importante porque o robô não deixa de fazer o que estava a fazer mas consegue integrar essa informação com o sistema da casa-mãe, a Peugeot Citröen. Atualmente os operadores quando vão recolher uma peça, se encontram alguma no supermercado que não está em conformidade, emitem um alerta para um responsável de linha verificar o que se passa. O robô vai fazer a mesma coisa.

APDSI - Como foi a receção ao projeto português na feira Automatica?
GV - Foi boa. Este manipulador móvel faz parte dos robôs que ainda envolvem alguma novidade, ainda despertam muita curiosidade, principalmente pela sua dimensão, o Stamina tem uma carga considerável. De forma geral foi muito bem recebido.

APDSI - Nesta altura o projeto já está finalizado ou ainda vai ser alvo de melhoramentos até 2017?
GV - Ainda vai ser melhorado. Vamos fazer o teste final na fábrica no início do próximo ano. Ainda há caminho a percorrer, especialmente para tornar o sistema mais robusto e aumentar a sua performance.

APDSI - Como é que o Germano reage quando lhe dizem que este tipo de robôs está a acabar com o emprego tradicional?
GV - [risos] Vou começar por dar o exemplo da PSA Peugeot Citröen. Este robô específico vai começar por ser usado em França e nas fábricas da Europa, de um modo geral. Na fábrica francesa, que tem uma estrutura já antiga, os responsáveis dizem que, ou se arranja uma solução deste tipo, ou a fábrica terá de fechar porque, hoje em dia, pelo baixo custo de um automóvel, não é possível investir numa nova fábrica na Europa. Se o grupo o fizer, vai fazê-lo na Ásia. Ou seja, o robô é uma necessidade para manter os empregos que já existem porque a competitividade destas fábricas é reduzida. Numa perspetiva mais geral, os robôs não roubam assim tanto emprego. Há uns três ou quatro milhões de robôs no mundo todo. Há alguns, como as máquinas de lavar a roupa ou de café, que, esses sim, tiveram um maior impacto no emprego. Há cinco ou seis milhões de máquinas de vending só no Japão e essas é que roubam emprego. Mas o termo robô ainda tem um peso grande. A máquina de café, mesmo que esteja a substituir alguém, não a vemos como um robô. Mesmo dentro da estrutura produtiva de uma fábrica, pegar em peças de 12 ou 15 quilos é uma tarefa muito pesada e as pessoas se estiverem livres de fazer tal coisa podem até aumentar a sua produtividade dentro da PSA e, logo, a competitividade da empresa.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Pequeno-Almoço “Gestão do Capital Intelectual”



A APDSI organizou, a 16 de junho de 2016, mais um Pequeno-Almoço temático, desta vez em duas horas de partilha de conhecimentos sobre "Gestão do Capital Intelectual". Na sede da Associação, vários profissionais e interessados na matéria dedicaram a manhã ao debate sobre a importância da gestão do capital intelectual no seio das empresas, principalmente das portuguesas.

Coube à ICAA - Associação para a Acreditação da Gestão do Capital Intelectual, que tem estatuto de mecenato científico, a dinamização da sessão onde as organizações foram referidas como as responsáveis pela identificação, codificação e estímulo do desenvolvimento e aplicação do capital intelectual.

Em formato de pequeno-almoço informal, uma das opiniões comum ao grupo de uma dezena de participantes foi a de que muitas organizações até dispõem de boa informação mas não conseguem geri-la nem ampliá-la. «Aprender a cada projeto novo, tirar conclusões e saber que caminho seguir na nova organização que surge a seguir, é uma das lições a ser aprendida», resumiu Nuno Matos, vice-presidente da ICAA.

Já a presidente da Associação, Florinda Matos, começou por clarificar a diferença entre conhecimento e capital intelectual. Assim, conhecimento ficou definido como uma boa cultura geral usada na construção de memória organizacional. O capital intelectual, por outro lado, não diz respeito nem a patentes nem à gestão de pessoas. Combina, antes, recursos humanos, estruturais e relacionais e pode tratar-se de capital intelectual individual ou de equipa. Nas suas palavras, a gestão do conhecimento «aumenta o sucesso das estratégias, melhora o tempo de resolução dos problemas, difunde melhores práticas organizacionais, melhora o conhecimento e a criatividade, além de tornar as organizações mais competitivas».

Neste pequeno-almoço sobre "Gestão do Capital Intelectual" foi, adicionalmente, apresentada a "Scoring" - a ferramenta da ICAA com a qual as empresas podem fazer o seu auto-diagnóstico de como está cada uma destas fases de gestão de capital intelectual, bem como a sua capacidade de se manter, inovar e posicionar-se no mercado neste domínio.

Veja a apresentação da ICAA aqui.

OOZ Labs voltam a marcar presença na Maker Faire Lisboa


Quem é adepto do movimento maker certamente já ouviu falar deles. Quem ainda não se iniciou nestas lides tem este ano uma nova oportunidade de o fazer e ver o que andaram a preparar os membros do laboratório One Over Zero.

Depois de se terem estreado com quadcopters e de, no ano passado, terem oferecido aos visitantes a oportunidade de simular uma missão em Marte a bordo do divertido Mars Rover, este ano o OOZ Labs apresenta o projeto SparroWatch. A criação consiste numa rede de casas para pássaros, munidas de componentes de eletrónica, que permitem a deteção precoce de incêndios florestais. Os ninhos contêm um sensor de temperatura e humidade e ligação wi-fi, como a que temos nos nossos telefones e tablets. «A ideia é nós termos uma rede espalhada num espaço aberto em que pelo menos um dos nós consegue ter contacto com um ponto de acesso comum para fazer transmissão de dados que venham da rede», explica Luís Correia, um dos mentores do projeto.

A comunicação é feita através de uma rede wireless em malha (mesh network), sendo cada ninho um nó. Tudo isto funciona através de pequenas placas solares que alimentam baterias de portáteis usadas e garantem o funcionamento dos sensores e da comunicação. Na feira das invenções, criatividade e desenvoltura, que decorre nos próximos dias 25 e 26 de junho, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, o OOZ Labs vai apresentar três casinhas para pássaros, como descreve Luís Correia: «Cada casinha vai ter uma ou duas baterias que vão ter capacidade de a alimentar durante algum tempo, depende de como o sol vai conseguir embater no painel solar».

Se era possível pôr este invento a funcionar sem ninhos? Sim. Mas não era a mesma coisa. «Se esquecermos o passarinho, torna-se mais simples, porque podemos pendurar isto no topo de uma árvore ou dos postes de madeira que ainda existem para comunicações. Mas os ninhos têm a vantagem de apoiar a nidificação e observação de animais e é um atrativo para as crianças», acrescentou Luís Correia.

No SparroWatch colaboraram o próprio Luís Correia e Nuno Correia na feitura das casinhas, na parte do software, a partir de Inglaterra, esteve o João Neves, Bruno Amaral assegurou o dashboard (controlo), e Basílio Vieira ficou encarregue da comunicação.

A Maker Faire Lisboa é uma iniciativa da Bright Pixel em colaboração com a Câmara de Lisboa, o Pavilhão do Conhecimento e a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Pelo terceiro ano a Maker Faire tem entrada livre, pelo que todos podem ver os fazedores (makers), bem como as suas invenções.

terça-feira, 21 de junho de 2016

APDSI apresenta condolências pelo falecimento de João Matias



João Matias, conhecido gestor da área de Tecnologias de Informação, faleceu no domingo, dia 19, em Cascais.

Em 2006 João Matias começou a gerir a ITDS, uma empresa nacional de desenvolvimento de software customizado.

João Matias já tinha dirigido a subsidiária portuguesa da Informix entre 1993 e 1996. Nos nove anos seguintes foi Diretor-Geral da Oracle Portugal.

O velório acontece nesta quarta-feira, dia 22, na igreja dos Salesianos, no Estoril, e o funeral vai realizar-se na quinta-feira, às 10h30.

Sendo sócio da APDSI, o valor que João Matias trouxe à Sociedade da Informação em Portugal é evidente para todos, desde os seus colaboradores e colegas até à  sociedade civil em geral, pelo que a APDSI apresenta as suas condolências e reconhecimento pela sua contribuição para a Sociedade da Informação em Portugal.