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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

APDSI quer uma web sem restrições para os cidadãos com necessidades especiais



A APDSI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., realizaram, a 27 de novembro de 2014, o Fórum da Acessibilidade Web 2014. O encontro realizou-se na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

Na edição deste ano foi apresentado o estudo “Acessibilidade Web - Ponto de situação nas empresas portuguesas 2014”, da autoria de alunos e professores da UTAD (Universidade de trás os Montes e Alto Douro), membros do Grupo de Negócio Eletrónico (GNE) da APDSI, também foram dadas dicas para os programadores informáticos melhorarem a acessibilidade dos sites que constroem, além de terem sido apresentados os resultados dos níveis de acessibilidade dos conteúdos web dos municípios portugueses e no setor da saúde.

No estudo sobre Acessibilidade Web feito aos 790 sites das 1000 Maiores PME’s Portuguesas, e que teve em conta uma média de 2742 elementos por site (conteúdos das páginas), concluiu-se que apenas quatro desses sítios na web cumprem as normas de acessibilidade. Este número apresenta um decréscimo em relação ao estudo apresentado em 2011, no qual 155 empresas estavam de acordo com a norma, mas é preciso ter em conta que no estudo anterior o objetivo era cumprir com as WCAG 1.0 (Web Content Acessibility Guidelines) e no mais recente o padrão de avaliação subiu para as WCAG 2.0. Apesar de não haver diferenças muito substanciais entre um e outro conjunto de diretivas, a verdade é que as normas WCAG 2.0 se focam nas mais recentes tecnologias de navegação na web e naquelas que virão a tornar-se de consumo massivo a breve prazo. Este estudo, que o professor Ramiro Gonçalves define como «o maior alguma vez feito pela equipa de investigação», também introduz, pela primeira vez, uma análise geográfica relativa às zonas com maior ou menor incidência de erros nos sites. O interior do país é onde se verifica uma maior percentagem de sítios na web que não estão em conformidade sendo que, como explica o professor, «isto só acontece porque também é a zona com menos empresas e menos sites, portanto, basta haver um que tenha erros que vai logo influenciar muito o resultado final».

Sobre os resultados que, mais uma vez, não são muito positivos, o professor Ramiro Gonçalves aponta o dedo à falta de sensibilidade por parte dos responsáveis técnicos: «Todas as entidades procuram visibilidade na web e esquecem-se que os motores de busca se baseiam precisamente nos mesmos elementos que são valorizados quando falamos de acessibilidade web. Incorporar deve ser algo sempre presente na web. Há 10% de pessoas em Portugal com alguma necessidade especial e mais de 70% utilizam a Internet com regularidade mas há pouca sensibilidade para esta temática e uma manifesta falta de informação». O investigador da UTAD e membro do GNE da APDSI acredita que a atribuição de um prémio, e não propriamente o denunciar dos erros, poderia ajudar a combater alguma desta ausência de conformidade para com a acessibilidade web.

“Melhorar a Acessibilidade Web - Uma Estratégia Baseada na Correção dos Erros Mais Comuns” foi apontada por José Martins, também investigador da UTAD, que apontou as soluções «simples de corrigir» para os cinco erros com maior incidência nos resultados do estudo deste ano: a utilização de tamanhos relativos em detrimento de tamanhos absolutos, ou seja, o tamanho da página é definido em píxeis em vez de ser definido em percentagens; imagens sem “alt”, a alternativa textual para os conteúdos multimédia que é essencial para poderem ser lidas por ferramentas de navegação assistida; o contexto dos links, onde falta um texto intuitivo para o descrever; o destino dos links, em que muitos navegam para uma nova página sem avisar o utilizador, o que o faz perder o contexto de navegação; vários links com o mesmo nome a encaminharem para sítios diferentes.

«As boas práticas de programação e coerência são garantia de um bom resultado final. Existe um conjunto de erros facilmente corrigíveis que lhes ia melhorar muito os níveis de acessibilidade da web», aponta José Martins como solução no imediato para correção das grandes falhas encontradas na pesquisa.

Coube a Jorge Fernandes, da FCT, mostrar os resultados para a análise feita à “Acessibilidade dos Conteúdos Web dos Municípios Portugueses” onde foi possível chegar ao top 5 dos sítios com melhores práticas de acessibilidade. São eles Loures, Alcoutim, Soure, Faro e Aljezur. A amostra foi de 307 dos 308 sites de municípios portugueses (apenas um é de tal forma lento que a ferramenta “access monitor” não o consegue avaliar). Apesar de ainda haver diversos aspetos a corrigir, mesmo entre os sites que estão no top 5, Jorge Fernandes avalia de forma positiva a evolução que os sites das autarquias têm registado: «Em 2001 muitos dos sites das autarquias eram apenas um cartão de visita ou um site de jogos para crianças. Em 2005 houve um impulso grande e os sites começaram a ganhar corpo e a tornarem-se adultos». O investigador da Fundação para a Ciência e Tecnologia esclareceu, ainda, que todos os sites que disponibilizem exclusivamente informação estão obrigados a cumprir o nível “A” das WCAG 2.0, desde fevereiro de 2013, e o Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital recomenda mesmo para este tipo de sítios web o nível “AA”. Todos os sites que disponibilizem serviços online estão obrigados a cumprir o nível “AA” das WCAG 2.0 e o RNID recomenda o nível “AAA” para este tipo de sítios Web. A legislação não se aplica, contudo, a entidades privadas.

Ana Neves, diretora do departamento da Fundação para Ciência e Tecnologia que nasce da extinção da UMIC - agência para a sociedade do conhecimento, sublinha que, ao nível europeu, Portugal está isolado de forma positiva em relação aos outros Estados Membros nestas questões de acessibilidade web: «Entendemos que o desenvolvimento do país requer plataformas, inclui trabalho em rede e a partilha de objetivos comuns. Pessoas com necessidades especiais também são os idosos. A Internet permite reduzir muitos obstáculos de acessibilidade, o que é preciso são ajudas técnicas que satisfaçam normas básicas de acessibilidade».

A fechar o Fórum da Acessibilidade Web da APDSI, Pedro Moreira, da Escola Nacional de Saúde Pública / Universidade Nova de Lisboa, apresentou os resultados da sua análise à Acessibilidade dos Conteúdos Web no Setor da Saúde nas áreas de Administração Direta do Estado, Administração Indireta do Estado, Setor Empresarial do Estado, Parcerias Público-Privadas, Unidades de Saúde Familiar e Setor Público Administrativo, tendo sido este o que apresenta melhores resultados.

Veja aqui as apresentações do Fórum da Acessibilidade Web 2014.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

APDSI aponta o caminho para os negócios online se tornarem mais rentáveis


“Confiança e Compromisso nos Canais Digitais” foi o tema da 3ª Conferência em Internet, Negócio e Redes Sociais que a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação - APDSI apresentou no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, a 29 de setembro.

Filipe Araújo, Vereador da Inovação da Câmara Municipal do Porto, congratulou a APDSI pela escolha da invicta para a realização da 3ª edição das conferências sobre Internet, Negócio e Redes Sociais e reconheceu que há um «grande potencial» no comércio online que precisa de ser mais organizado e de potenciar as áreas da confiança e do compromisso: «O Porto tem massa crítica com grandes universidades e um tecido industrial muito significativo. Se falamos de uma região com tanto potencial exportador também falamos de Internet, negócio e redes sociais onde aqui, em particular, temos que destacar a indústria do calçado como uma das que mais vende através dos meios eletrónicos». A importância do Porto no mapa do comércio digital também foi subscrita por Ricardo Carvalho, da Fundação da Juventude: «Esta temática tem muito a ver com a região onde estamos. A Internet tem sido uma boa via para quem quer mostrar e disponibilizar os seus produtos e serviços mas também para quem quer fazer chegar as suas ideias a um mercado cada vez mais competitivo».

Com o número de portugueses compradores via Internet a situar-se perto dos três milhões e com o valor de dinheiro gasto, segundo o Fórum da Economia Digital, a caminhar para os quatro mil milhões até 2017, o professor Ramiro Gonçalves, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, alerta que não basta ter infraestrutura técnica para os negócios serem bem sucedidos: «Assumimos que algumas coisas já estavam feitas e afinal não estavam, daí que agora se levantem as questões de confiança e compromisso. A maioria das empresas, quando questionada sobre o futuro, mostra-se otimista mas isso não é sustentado nas estratégias seguidas até porque não há, na maior parte dos casos, uma estratégia fundamentada sobre o online».

As PMEs têm sido as mais resistentes à adesão ao comércio eletrónico devido à falta de informação e conhecimentos técnicos, dificuldades em estabelecer um plano de ação e de estratégia e incapacidade para investir. O mobile apresenta-se, também, como um novo desafio e oportunidade de criação de valor que, no entender do professor, está por aproveitar. «As pessoas estão a aceder cada vez mais à net por dispositivos móveis por isso as aplicações de vendas têm que ser melhor trabalhadas neste sentido».

Os desafios futuros apresentados por Ramiro Gonçalves vão no sentido de se aumentar os conhecimentos em estratégias de comunicação e capacitações técnicas dentro das empresas, incentivar o espírito inovador e empreendedor, promover a customização, fazer parcerias de negócio e também deviam aumentar as linhas de investimento e mecanismos de regulação. «Os ambientes têm de ser mais ricos para o digital; não basta pôr apenas pdfs online», conclui Ramiro Gonçalves.

O chamado customer engagement que se traduzirá na desejável adesão por parte dos consumidores a determinado produto ou serviço, foi a vertente abordada por Jorge Pereira, da Infosistema. «Uma compra esporádica não tem fidelização, portanto não oferece uma relação muito próxima com o cliente. As plataformas de e-commerce devem apostar na criação de relações amigáveis entre pessoas ainda que o suporte seja uma plataforma tecnológica», referiu Jorge Pereira, que considera que a excelência no atendimento online só será possível se as empresas tiverem em conta o lado emocional, psicológico e físico do cliente, uma vez que «é preciso exceder expetativas para surpreender quem está do outro lado».

Estando acautelados aspetos como a clareza da mensagem e rápido feedback, bem como a facilidade de navegação e segurança, a gamificação foi apontada por Jorge Pereira como um dos caminhos a perseguir para potenciar as vendas online: «Podemos fazer simuladores para ajudar as pessoas a compreenderem a mensagem. Não nos podemos esquecer que as plataformas digitais se destinam a seres humanos que gostam de ser seduzidos com base no perfil e no contexto em que se inserem».

Atendendo ao fato de que as más mensagens se espalham mais rapidamente que as boas, José Martins, também professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, lembra que as redes sociais, com milhões de utilizadores registados, representam para as empresas novas oportunidades e novos mercados a serem explorados porque «facilitam o contato entre indivíduos e organizações mas a sua utilização tem de ser encarada com seriedade, ou seja, a minha empresa tem de se comportar da mesma maneira como se tivesse uma porta aberta ao público». Neste contexto José Martins ressalva que o serviço pós-venda não pode ser descurado e as dúvidas do cliente devem ser sempre esclarecidas também no ambiente digital. Para que as redes sociais sejam vistas com bons olhos, o professor refere que os empresários têm de confiar nelas e dar um voto de confiança aos gestores das plataformas, ao mesmo tempo que difundem uma mensagem clara sobre como comunicar a marca: «As redes sociais e os sites devem estar alinhados; a coordenação deve ser semelhante, bem como o aspeto e a linguagem».

Maryna Burushkina veio do Chipre (7marketz) para nos falar de boas práticas no negócio online, como o customer generated content, e dá como exemplo, nesta área, o trabalho feito pela Nestlé Purina PetCare que permite aos seus clientes partilharem vídeos com as sempre apetecíveis brincadeiras dos seus animais de estimação: «As melhores experiências passam pelo gaming, pelos efeitos visuais, pela confiança na empresa e pela personalização da oferta». A resposta aos clientes é, segundo a especialista, tida como um dos focos mais importantes na ligação que se pretende estabelecer: «Se tocar as emoções do cliente, ele vai corresponder melhor às suas intenções, por isso se lhe der a oportunidade de partilhar fotografias ou vídeos, vai estar a criar uma boa relação com ele». O conteúdo educativo, a par da personalização da mensagem, transparência, boa navegabilidade, curto tempo de resposta e criatividade, são tudo bons exemplos que podem terminar numa feliz relação comercial no ambiente online.

No painel de intervenções dedicado à academia, Luís Amaral, da Universidade do Minho, revelou os números “estonteantes” que os avanços tecnológicos têm trazido à sociedade e considerou que o grande desafio neste momento passa por transformar o avanço tecnológico em avanço social: «As instituições estão tão encantadas com a tecnologia que se esquecem do essencial e esbarram com a concorrência». O professor considera que a informação pessoal transacionada é, hoje em dia, um dos maiores valores para qualquer negócio que passe pelo online.

A existência de um ecossistema digital que congregue talentos foi a tendência apontada pelo professor da Universidade Fernando Pessoa, Luís Borges Gouveia para quem «é preciso apostar em menos mas melhores pessoas que concentrem competências e talentos». Luís Borges Gouveia acredita que é preciso quebrar alguns mitos existentes sobre o e-commerce tais como o fato de que não precisa do apoio de ninguém experiente nessas áreas ou o de que é tudo fácil e gratuito.

Vítor Santos, professor do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova, focou a sua apresentação nas smart cities como exemplo de que o investimento em capital humano e social dá bons frutos. «Os conceitos biológicos mostram que a cidade é um tecido orgânico que cresce e se expande como um organismo vivo», referiu Vítor Santos que também acredita que um futuro mais sustentado em todas as áreas passa por um maior dedicação aos serviços e à participação cívica».

Para que não restem dúvidas de que a confiança e compromisso se traduzem em boas práticas digitais, Ricardo Silva e Francisco Rocha apresentaram os exemplos dos projetos PROMEC - Road e VOSES, integrados no Lifelong Learning Programme da Comissão Europeia, que permitem que todos os cidadãos, em qualquer fase de vida, possam fazer parte de experiências educativas.

Outros exemplos de sucesso no aumento da confiança dos seus clientes no ambiente online foram trazidos por Nuno Arroteia, dos Invicta Angels, Gaspar D’Orey, do Zercatto, Paulo Mateus, do WeDuc e Laura Guzman que mostrou as práticas de “Smarter Commerce” seguidas pela IBM.


O Grupo de Negócio Eletrónico da APDSI é liderado por Ramiro Gonçalves e dele fazem parte os também coordenadores da conferência Jorge Pereira, Vitor Santos, Henrique Mamede e José Martins, entre outros.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

APDSI apresenta casos de sucesso no cruzamento de Internet com negócio e redes sociais


“Internet, Negócio e Redes Sociais - Financiar, Inovar e Empreender” foi o tema da conferência da APDSI que decorreu no auditório do ISEGI - Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação, no Campus de Campolide, da Universidade Nova de Lisboa, a 21 de novembro.

 Pedro Coelho, diretor do ISEGI, começou por «testemunhar a enorme relevância social das atividades do Grupo de Negócio Eletrónico da APDSI», lembrando que o negócio eletrónico está no centro da atividade da instituição onde inovação e empreendedorismo são duas características que, inevitavelmente, lhe estão associadas.

 No atual contexto em que as Tecnologias de Informação e Comunicação se perspetivam como o futuro incontornável para múltiplos ramos de negócio, a APDSI entende, através do seu Grupo de Negócio Eletrónico (GNE), que as oportunidades de negócio no ambiente digital são muitas e estão ainda por explorar.

 Ramiro Gonçalves, o coordenador da conferência, abordou as perspetivas e os desafios que se colocam, neste momento, ao negócio eletrónico. Na conferência, começou por esclarecer que comércio eletrónico é uma forma de negócio eletrónico: «As duas expressões não são sinónimos. A maior parte das empresas ainda não percebe nem tira partido da customização. Cada pessoa é única e tem características únicas e esse aspeto deveria ser melhor aproveitado».

 Portugal tem aproximadamente sete milhões de utilizadores de Internet, um dos melhores indicadores de desenvolvimento, numa tendência de aumento deste número, mas não parece, nas palavras do professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD, aproveitar bem esta facilidade de acesso à Internet: «Temos acesso mas não tiramos o melhor partido disso. Grande parte das pessoas com acesso à Internet móvel só consulta o e-mail e as redes sociais. Este indicador é penalizador. Quando se fala de comércio electrónico, Portugal tem uma das piores taxas de utilização. Há ainda um longo caminho a percorrer até nos aproximarmos dos números do norte da Europa». Uma percentagem que contrasta com a de portugueses que acedem à rede, é a de que em Portugal só 60% das empresas com mais de 10 trabalhadores tem um site e só 35% tem presença nas redes sociais.

 A customização do ambiente online e a segurança no momento da compra foram indicadas como as áreas a melhorar por parte das empresas que já têm presença no mundo digital mas, ainda assim, têm dificuldade em cativar clientes.

“Um Caminho para a Acessibilidade Web em Portugal” foi apontado por José Martins, também da UTAD, como essencial no garantir da existência de condições físicas para a criação de interfaces que possam ser usadas por todos de igual forma - quer haja alguma incapacidade ou deficiência física ou não: «Não só é uma questão de ética ou social mas é preciso lembrar que estas pessoas representam dinheiro e valor. 10% da população com alguma deficiência ou incapacidade gera um valor que não deve ser ignorado. O que ainda sai reforçado pelo fato de um sítio web acessível ser mais facilmente indexado e aparecer no topo das pesquisas».

No estudo apresentado por José Martins, que avaliou mil empresas portuguesas, apenas quatro apresentam um nível mínimo de acessibilidade, sendo que a maioria das restantes apresenta falhas de nível A - o nível mais básico para garantir o acesso a um deficiente. A opção de se poder usar o teclado como atalho e o cuidado de o conteúdo não textual ser complementado por um texto alternativo, foram algumas das sugestões apontadas para as empresas terem em linha de conta.

 Jorge Pereira, da Infosistema, baseou a sua apresentação na “Integração da continuidade de negócio na organização”, um tema já abordado por algumas empresas nas quais, segundo os dados da apresentação, «as motivações para a implementação, curiosamente, não se baseiam na exigência normativa mas sim na adoção de melhores práticas de negócio». Reputação da organização e perdas financeiras são os motivos que maior preocupação causam ao setor financeiro português, o que também tem conduzido à promoção de um trabalho de gestão da continuidade do negócio.

 No entender de Manuel Au-Yong Oliveira, do INESC - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, a adversidade no ambiente das redes sociais estimula a criatividade: «O contraste de opiniões alimenta a criatividade. Mas a qualidade de conteúdos e serviços e a qualidade técnica, aliados à exatidão da informação, são outros dois aspetos que não podem falhar na elaboração de um conteúdo online de qualidade».

 Naturalmente que todos estes aspetos positivos só poderão contribuir para alavancar um serviço se estiverem conjugados com a inovação, a característica que mais saiu reforçada da apresentação de Guilherme Vitorino, do ISEGI. «Quem faz inovação nas empresas são as pessoas que estão no terreno e não os consultores. O design thinking é o acreditar que podemos fazer a diferença através de um processo intencional para chegar a novas e relevantes soluções com um impacto positivo. Confiança criativa também é necessária no processo», reforçou o professor. 


 O impacto da usabilidade nos lucros das empresas foi o alvo da apresentação de Bruno Figueiredo, da Ideias e Imagens, que surpreendeu a plateia ao revelar que 60 a 70 % dos carrinhos de compras online são abandonados na fase final. E porque é que isto acontece? «As pessoas talvez não tenham toda a informação necessária consigo naquele momento, como acontece quando os formulários são complexos e pedem muitos números, ou não têm informação clara sobre o custo final do produto. Muitos registos prévios também são extremamente complicados ou não usam a linguagem mais adequada», explicou Bruno Figueiredo.

 Outro exemplo de boas práticas no e-commerce integrado no painel "Internet, Negócio e Redes Sociais - Casos de Sucesso" foi trazido por Fernando Resina da Silva, da VdA Advogados, e por André Ribeirinho do inovador site Adegga. Quase a finalizar foi apresentado um exemplo de modelo de negócio de comércio eletrónico Business to Consumer, Business to Business e Central de Reservas de Turismo Rural (a explorar). A Ruralnet é o resultado de um projeto de empreendedorismo de Manuel Lobo.

 Sensibilizar empresas e sociedade a aderirem, com confiança, ao negócio online, tirando cada vez mais partido das múltiplas valências dos negócios digitais, são alguns dos objetivos do GNE da APDSI, liderado por Ramiro Gonçalves.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Workshop: Acessibilidade Web - Ponto de situação em Portugal


A APDSI vai realizar um workshop sobre "Acessibilidade Web - Ponto de situação em Portugal", no próximo dia 19 de julho
, às 10h30, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto.

Neste workshop, com coordenação do Prof. Doutor Ramiro Gonçalves e Sub-Coordenação do Eng.º Jorge Pereira, vão ser apresentados publicamente os vários estudos realizados pelo Grupo de Negócio Eletrónico da APDSI e, paralelamente, lançado o debate sobre as necessidades de acessibilidade que os cidadãos com alguma deficiência ou incapacidade apresentam.

A inscrição no workshop não implica qualquer custo mas é obrigatória. Envie um e-mail para secretariado@apdsi.pt ou contacte-nos pelo 217 510 762.

Consulte aqui o programa.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

APDSI apresenta estudo sobre acessibilidade Web

O Grupo Permanente de Negócio Eletrónico (GNE) da APDSI apresentou um estudo sobre Acessibilidade Web, no qual foi feito um ponto de situação das maiores empresas portuguesas estabelecendo uma comparação entre 2009 e 2011.

Para testar a acessibilidade Web das mil maiores empresas em Portugal e comparar os resultados com 2009 foi feita uma avaliação segundo as normas WCAG 2.0.

Aquilo que habitualmente designamos por acessibilidade web é o que permitirá a todas as pessoas que possuam um qualquer tipo de deficiência perceber, compreender, navegar e interagir com a Web. Uma necessidade que se torna ainda mais premente se tivermos em conta que há um milhão de cidadãos portugueses que possui deficiências e 50 milhões de cidadãos europeus nessa circunstância. Verifica-se, ainda, um notório envelhecimento progressivo da população. O Professor Ramiro Gonçalves, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e um dos responsáveis por este estudo do GNE, explica o porquê da importância de um sítio na web estar em conformidade: "Para além de ser uma questão de ética permitir a igualdade de oportunidades a todas as camadas da população, há também potencial económico nessa franja da sociedade que está a ser desperdiçado".

O estudo incidiu nas 1000 maiores empresas portuguesas, em volume de negócio, a operar em Portugal, exceptuando a banca. "Os estudos que desenvolvemos têm em conta um conjunto de normas que foram saindo", esclarece o professor. Para esta avaliação foi usada a ferramenta SortSite (recomendada pelo W3C e que permite analisar múltiplas páginas).

Assim, a Peugeot Portugal, a Distrifarma e a Tecneira - Tecnologias Energéticas têm os sites que melhor classificação conseguiram nesta avaliação. No lado oposto estão a Aleluia Cerâmicas, o sítio da CP - Caminhos de Ferro Portugueses e o da RAR - Refinarias de Açúcar reunidas. "É muito interessante que o sector automóvel tenha esta preocupação porque existem outras empresas mais poderosas que a Peugeot que têm sítios na web nada acessíveis", acrescenta Ramiro Gonçalves.

Na origem destes resultados, o GNE, nas palavras do professor, considera que, de um modo geral, há pouca sensibilidade para a temática: "Não é uma questão que apareça nas capas dos jornais, as empresas não percebem o potencial daquelas pessoas e não percebem que daqui a uns anos vão precisar de usar essa tecnologias e não vão poder. Para além de tudo isto, as pessoas com necessidades especiais não se queixam; têm problemas muito mais graves que estes". A estes números também não são alheias as queixas apresentadas em diversos estudos sobre a razão de ser de algumas das normas e do esforço envolvido na sua aplicação.

Outras razões apontadas passam pela falta de legislação para o sector privado, ao contrário do que acontece com o sector público, a falta de informação e de incentivos e o desconhecimento do número de pessoas implicadas, dos problemas sentidos por estas e qual o seu valor económico.
Para Ramiro Gonçalves a melhoria de dados comparativamente a 2009 continua a revelar-se insuficiente: "O desvio padrão é muito grande o que significa que há empresas a portarem-se muito mal e algumas a portarem-se melhor. Em Portugal, em 2011, só havia 155 empresas que cumpriam o "nível A" e só uma com o "triplo A". Comparando 2011 com 2009 verificamos que há melhorias mas não são muito significativas. Os sítios web que têm um nível mínimo de acessibilidade são 155 em comparação com os 73 de 2009, continua a ser um número baixo".

As recomendações do GNE para tentar contrariar este baixo número de sítios web com boa acessibilidade vão no sentido de divulgar as normas e as melhores práticas de acessibilidade, melhorar o nível de conhecimento no sector, adotar medidas concretas de maior impacto e com menor custo melhorando a eficiência, normalizar e nivelar superiormente a oferta do sector, divulgar as ferramentas de avaliação de sítios Web, aumentar o acesso a ferramentas automáticas de teste, de forma a que as empresas possam conhecer o seu nível de conformidade, apresentar estudos sobre o impacto social e económico, regular o setor, "educar" fornecedores de TI na implementação das normas e funcionalidades de acessibilidade, incluir a temática da acessibilidade e usabilidade nos programas académicos dos cursos universitários, adaptar ou criar novos mecanismos legislativos que englobem não só os sítios Web públicos, mas permitam alguma regulação nos privados, criar organismos fiscalizadores que garantam os níveis de acessibilidade e elaborar avaliações anuais dos níveis de acessibilidade aos sítios Web mais utilizados.

Este estudo, disponível no sítio web da APDSI, foi promovido pela Associação e realizado pelo GNE.