quarta-feira, 8 de junho de 2011

Manifesto "Por um Cadastro Predial Único ao Serviço do Desenvolvimento do País"

Esta tomada de posição foi elaborada no âmbito do Grupo Geocompetitivo 2, coordenado pelo Prof Mário Rui Gomes, e assumida pela Direcção da APDSI:

Qualquer país civilizado considera o território como uma fonte de riqueza, fazendo por isso uma gestão efectiva da sua principal fonte de informação: o Cadastro Predial.

De acordo com a Declaração de Bathurst, subscrita, em 1999 pelas Nações Unidas, os aspectos prioritários no reforço das políticas de gestão do território são:

* As relações futuras entre as pessoas e a propriedade;
* O papel da propriedade no desenvolvimento sustentável;
* As políticas de gestão do alimento, da água e da propriedade;
* Os sistemas de administração da propriedade;
* A interacção entre mercados, registo de propriedades e planeamento espacial;
* A reengenharia dos sistemas de gestão do território.

Em Portugal além de não existir um Cadastro Predial Rural também não existe uma visão integrada dos vários Cadastros Prediais Urbanos, da responsabilidade das autarquias.

Portugal tem um atraso significativo na gestão do seu território, não por ausência de competências técnicas e de infra-estruturas tecnológicas, mas porque ao longo dos sucessivos governos, este assunto não tem constituído uma prioridade política de criação de riqueza para o país. No domínio fiscal existem manifestas discrepâncias entre o valor tributável e o valor de mercado, não apenas nos prédios urbanos, mas sobretudo nos prédios rústicos.

Para melhorar a arrecadação e a justiça fiscais, o Estado precisa de conhecer quais os proprietários e os limites de cada parcela do território. No entanto, o Estado só conhece actualmente pouco mais de 70% dos proprietários e está longe de controlar eficazmente a transmissão da propriedade após o falecimento dos seus titulares.

Portugal dispõe de infra-estruturas físicas e tecnológicas suficientes para aumentar a sua competitividade, mas não as tem sabido utilizar convenientemente na criação de um Cadastro Predial único e multifuncional, através da integração das componentes geométricas (IGP – Instituto Geográfico Português), legal (Instituto de Registos e Notariado) e Fiscal (Direcção Geral de Impostos).

Portugal tem gasto muito dinheiro, maioritariamente de origem comunitária, na criação e manutenção de vários cadastros parcelares, tais como o Agrícola, o Vitivinícola, o Florestal e o Olivícola, sem estar garantida a interoperabilidade entre eles, por ausência da utilização do Cadastro Geométrico como referência espacial, e desaproveitando a informação mantida pelas Câmaras Municipais, pelo IGP e pelo Instituto Geográfico do Exército.

Não se trata de desperdiçar mais dinheiro em infra-estruturas TIC, pois acreditamos que as que existem serão suficientes para lançar esta iniciativa, que já é há vários anos preconizada pela APDSI, no âmbito da gestão do território. De facto trata-se de fazer investimentos mais inteligentes e rentáveis em pessoas, processos e modelos organizacionais, capazes de permitir a sua desmaterialização e interoperabilidade.

O projecto de cadastro único, da iniciativa do IGP, é de louvar mas infelizmente não tem tido o apoio político que merece. Os estudos preparatórios deste projecto apresentam uma rentabilidade muito elevada, a rondar os 4 mil milhões de euros, considerando a totalidade de custos e benefícios que estiveram em análise, configurando uma alavanca poderosa de eficiência pública e privada e factor de competitividade relevante.

Um país define-se pela sua Soberania, pela sua Comunidade e pelo seu Território. Um país que não conhece nem domina o seu território fragiliza-se e não se consegue gerir a si próprio. A falta de rigor e transparência na informação sobre o território e a sua posse é responsável por grande parte da corrupção existente e que se manifesta, por exemplo, através da criação de mais-valias avultadas decorrentes da requalificação de terrenos rurais em zonas urbanas assim como o uso indevido do território do domínio público.

É necessário realçar à partida a importância da diferenciação entre a posse e o uso do território, sendo urgente a publicação de uma Lei dos Solos indispensável para um bom Ordenamento do Território, por forma a:

* Maximizar o Valor do Território, especificando a sua arquitectura de suporte;
* Separar o Uso da Posse do Território;
* Melhorar o processo de garantia da qualidade do cadastro geométrico;
* Melhorar o processo de garantia da qualidade do Modelo Digital de Terreno Tridimensional;
* Registar em nome do Estado os 15% a 35% que não têm "dono" - Conceito de Usucapião;
* Tributar as mais-valias na passagem de uma propriedade de rural para urbana;
* Garantir a interoperabilidade com o Cartão do Cidadão, com os Cadastros Urbanos das Câmaras, com o ordenamento do território e com outras entidades da Administração Pública;
* Melhorar o processo de garantia da qualidade dos Múltiplos parcelários agrícolas e florestais, da Carta Administrativa Oficial de Portugal; das Bases Geográfica de Referenciação da Informação, do Sistema Nacional de Endereços e Referenciação Indirecta, do Sistema de Apoio à Reposição da Legalidade na orla costeira, entre outros.

Existem necessidades em muitas entidades públicas e privadas, para a partilha de informação espacial temática, constituída por níveis de dados georreferenciados com múltiplos propósitos: gestão dos vários cadastros agrícolas, florestais, das áreas do ambiente, das emergências, das redes de estradas, eléctricas, de águas, de telecomunicações, dos planos directores municipais e dos endereços postais. Estes cadastros são usados, entre muitos outros fins, no licenciamento de actividades económicas, de construção, de obras particulares, de ordenamento do território, etc.

O Estado deverá desempenhar um papel determinante no domínio da Informação Geoespacial, estabelecendo uma estratégia nacional que, entre outras coisas, indique áreas prioritárias de informação, assegure a compatibilidade dos dados, congregue e responsabilize todos os intervenientes e evite a duplicação de investimentos na produção de informação geoespacial.

A estratégia deverá centrar-se na disponibilização de informação útil sobre o território, de forma simples, estruturada e transversal a todas as áreas de actividade socioeconómica, implementando em tempo útil e de forma eficaz a directiva europeia INSPIRE. Esta simplicidade e normalização no acesso à Informação geoespacial, racionalizará os investimentos feitos pelo Estado e será um catalisador da actividade económica por aceleração de processos e redução dos custos de contexto, aumentando a transparência de vários actos.

A representação única do território e da propriedade dos prédios urbanos e rústicos será um factor determinante para o aumento da base tributária e para o aumento das receitas fiscais do país, contribuindo de forma significativa para a redução do défice e para o desenvolvimento económico e sustentado do país. O desenvolvimento de um Cadastro Predial é um objectivo estratégico a curto/médio prazo que contribui, estamos convictos, para o aumento da competitividade de Portugal.

A Direcção da APDSI

segunda-feira, 6 de junho de 2011

APDSI realiza "Oficinas Sénior para a Web 2.0"

A APDSI vai realizar uma série de sessões práticas, denominadas Oficinas Sénior para a Web 2.0, com o objectivo de desenvolver competências básicas para o uso de ferramentas Web 2.0 adaptadas ao público sénior.

O objectivo da Associação é oferecer condições para melhorar a qualidade de vida e a participação social deste segmento da população dando, assim, um pequeno contributo para a melhoria do seu bem-estar e para a adopção de estilos de vida mais activos e saudáveis.

O Módulo 1 é conduzido por Luís Vidigal e vai realizar-se já no próximo dia 22, entre as 10h00 e as 12h30, na sede da APDSI. Neste primeiro módulo será feita uma introdução à Web 2.0 e à utilização dos sítios de redes sociais mais comuns.

Os participantes devem trazer os seus computadores portáteis, com possibilidade de conexão à rede sem fios da APDSI para acesso à Internet.

A inscrição para as Oficinas Sénior é gratuita mas obrigatória e limitada a 18 participantes. Inscreva-se via e-mail para secretariado@apdsi.pt.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

APDSI debate com os partidos políticos "Estratégias para a Sociedade da Informação"


A APDSI voltou a juntar representantes dos partidos políticos com assento na Assembleia da República para debater as estratégias e propostas para a Sociedade da Informação e do Conhecimento, abrindo espaço para um balanço do que foi feito pelo Governo PS nesta área. A aposta dos vários partidos na promoção da Sociedade da Informação, no acesso ao conhecimento e na utilização das TIC na administração pública, foram os temas que motivaram maior discussão. No final, os vários representantes políticos ainda se pronunciaram sobre a questão do número 5 do artigo 35º da Constituição. Durante o debate com a assistência, para além das questões mais polémicas relacionadas com as patentes de software e o computador Magalhães, todos os partidos reconheceram a urgência do cadastro único do território português, enquanto "projecto estruturante sistematicamente adiado".

O debate, que reuniu cerca de uma centena de participantes, foi moderado pelo jornalista Vasco Trigo e decorreu na passada terça-feira, 31 de Maio, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

Maria Manuel Leitão Marques foi quem começou as apresentações para dizer que a introdução das TIC no nosso dia-a-dia, mais do que uma mudança de tecnologia, implicam uma mudança na cultura: "O que debatemos aqui hoje é uma mudança da cultura dentro da administração pública e da forma como nós interagimos, enquanto utentes, com a mesma".

A representante do PS lembra que o processo de desmaterialização não se resume aos serviços online mas também corresponde a uma melhoria dos serviços presenciais. Para o futuro, Maria Manuel Leitão Marques quer continuar a aposta no crescimento: "Vai ser preciso fazer mais com menos investimento". Partilhar plataformas, reduzir o número de data centers, usar normas abertas, apostar numa maior participação do cidadão e espalhar mais conhecimento pelos actores públicos são alguns dos objectivos.

Jaime Quesado, em representação do PSD, reconhece que nos últimos dez anos foram feitos muitos investimentos, do ponto de vista público, na Sociedade da Informação e do Conhecimento, mas destaca o problema da interoperabilidade que ainda não existe entre ministérios: "Não há racionalização nem monitorização financeira e tecnológica".

Os mais de mil espaços públicos que existem de acesso à Internet mereceram a atenção de Jaime Quesado. O representante do PSD diz que é preciso avançar-se mais na capacitação digital dos cidadãos: "Ainda não temos o conceito de "cidadão digital". As PME's, por exemplo, ainda não fazem dos meios tecnológicos um investimento. Temos de evoluir para uma sociedade de inteligência competitiva, ou seja, fazer com que a inteligência consiga gerar valor ao nível nacional".

Congratulando a APDSI pela oportunidade da iniciativa e pela intervenção que a associação tem tido na discussão de temas pertinentes, Francisco Madeira Lopes, do Partido Ecologista os Verdes, aponta os perigos das TIC: "É importante perceber que as potencialidades trazem perigos. Este é um crescimento que devemos cultivar, acarinhar e acompanhar com equidade social e territorial com maior eficiência e inteligência no uso dos meios". Francisco Madeira Lopes acredita que é preciso fazer um reforço do ensino na aplicação das tecnologias nas escolas para prevenir a "analfabetização informática e digital e a décalage entre gerações".

A questão da aplicação do Plano Tecnológico nas escolas foi também levantada por Bruno Dias, do PCP, que referiu o programa e-escolas: "Foi um programa que teve um grande envolvimento mediático mas o pensamento estratégico falhou". A incorporação das TIC no sector empresarial é outra questão que preocupa Bruno Dias: "Nas micro empresas o cenário ainda é pior. Nas grandes empresas e no sector financeiro estamos à frente, nos relatórios da OCDE, porque as TIC já estão rotinadas. O problema está nas micro-empresas e nos sectores produtivos. É certo que há casos excepcionais mas não podem ocultar a realidade".

A análise custo-benefício esteve no centro do discurso do representante do CDS-PP. Manuel Castelo Branco sublinha que a relação entre os organismos públicos e os cidadãos melhorou bastante mas entende que ainda falta fazer muito em termos de conteúdo. "Temos muitas auto-estradas com poucos carros", comparou. A Justiça foi outra das áreas que mereceu o tom crítico de Manuel Castelo Branco: "Não senti que as TIC tivessem contribuído para a Justiça, os serviços não vão melhorar. Mas mesmo assim as TIC ajudam a desmaterializar documentos e permitem um maior controlo da produtividade de todos os agentes envolvidos". Antes de terminar a sua intervenção, Manuel Castelo Branco levantou, ainda, a questão do registo de patentes que considera fulcral para o futuro do país.

Mantendo o mesmo espírito crítico em relação ao trabalho realizado pelo Governo, Carlos Patrão, do Bloco de Esquerda, mostrou-se preocupado com o impacto das TIC na educação e na pedagogia: "Somos absolutamente contra o Magalhães. O ensino das TIC devia ser feito através de laboratórios nas escolas".

Identificando alguns pontos de melhoria que entende serem necessários corrigir a breve trecho, como a regulação da concorrência entre empresas que prestam serviços de Internet, o representante do BE lembrou que a Sociedade da Informação e do Conhecimento traz oportunidades e ameaças: "Estamos perante um problema de desigualdade social porque há quem tenha acesso à Sociedade da Informação mas há quem ainda não tenha. A Sociedade da Informação deve aproximar as pessoas, diminuir esse fosso e essas assimetrias".

No encerramento da sessão, José Dias Coelho, presidente da APDSI, enalteceu a participação de todos os intervenientes, salientando que na Sociedade da Informação e do Conhecimento ainda há muito a fazer e a desbravar para melhoria dos serviços aos cidadãos e desenvolvimento do país.

Vídeos do Debate dos Partidos Políticos sobre a Estratégia para a Sociedade da Informação em Portugal

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vídeos do Workshop sobre Redes Sociais - Produtividade, Sim ou Não?

Vídeos do Forum Acessibilidade Web da APDSI / UMIC

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Portugal já tem representantes nas Olimpíadas Internacionais da Informática


Já foram seleccionados os quatro alunos que vão representar Portugal, de 22 a 29 de Julho, na Tailândia, nas Olimpíadas Internacionais de Informática (OII 2011). Estas Olimpíadas destinam-se a estudantes do ensino secundário de todo o mundo num desafio que visa promover o gosto pela linguagem informática e constituir um ponto de encontro entre professores e alunos de forma a provarem o domínio pelas TIC.

O vencedor das Olimpíadas Nacionais de Informática foi Rodrigo Gomes, aluno do 12º ano da Escola Secundária Vitorino Nemésio (Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores). Os outros alunos apurados são Pedro Paredes, do 11º ano da Escola Secundária Avelar Brotero (Coimbra), Mauro Mesquita, do 11º ano da Escola Secundária Eça de Queirós (Póvoa de Varzim) e Afonso Santos, aluno do 9º ano da Escola Técnica e Liceal de Santo António do Estoril.

O grupo português foi seleccionado na final das Olimpíadas Nacionais de Informática (ONI 2011), que decorreu no passado dia 27 de Maio, nas instalações do Departamento de Ciência de Computadores (DCC) da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

As Olimpíadas Nacionais de Informática são promovidas e organizadas pela APDSI – Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, em parceria com o Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e com o Departamento de Engenharia Electrónica e Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve.

A edição deste ano tem o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Fundação Calouste Gulbenkian, Delta Cafés, Porto Editora e FCA – Livros de Informática.