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sábado, 30 de maio de 2015

Estudo: Contributos para a Reforma do Estado



A APDSI apresentou publicamente o estudo "Contributos Para a Reforma do Estado", a 29 de maio, na Culturgest, em Lisboa.

"Contributos Para a Reforma do Estado", coordenado por Afonso Silva, conta com diferentes perspetivas de um leque bastante alargado de personalidades do quadrante político, académico e profissional. A interoperabilidade interministerial técnica e organizacional é um dos principais focos do estudo.

O estudo procurou sistematizar aquelas que se consideram ser expectativas para o Serviço Público, fixando o que se entende poderem ser prioridades de reforma. Seguidamente, é feita uma reflexão quanto às diferentes agendas de reforma, concluindo sobre os inibidores que se lhe colocam. Defendem-se, finalmente, algumas ideias consideradas chave para a reforma. «Quer se esteja em presença de um Estado maior e interventor ou de um Estado menor e sobretudo regulador, a sua atuação deve resultar num Serviço Público de qualidade. Existe uma forte correlação entre a utilização extensiva das TIC pelo Estado e essa qualidade», conclui o estudo. Ao longo de todo o estudo esclarece-se que a palavra "Estado" não deverá ser interpretada no seu contexto legalista; o que se pretende abordar é todo o Setor Público em geral com particular ênfase para o Setor Público Administrativo.

«O tempo de ação do Estado pode ser encurtado, pode e deve ser uma variável de gestão a ser tida em linha de conta. É preciso inverter a falta de confiança no gestor público», sublinhou Afonso Silva.

A sessão pública de apresentação foi comentada por Isabel Corte-Real, a responsável pelo fim do papel selado, que considera ser «premente para a vida de cada um de nós» uma reforma do Estado, e Ana Maria Evans que lembra os perigos da adoção de modelos exteriores que pode «resultar em efeitos perversos da adaptação dos modelos».

Sofia Galvão, também convidada a comentar o estudo, ressalva o facto de apresentar «propostas ligadas a interoperabilidade, que tornam o estudo real com consequências de sucesso. A reforma do Estado deve ser feita com políticas com as quais a sociedade se identifique», refere Sofia Galvão.

Outro dos convidados para esta sessão pública de apresentação do estudo "Contributos Para a Reforma do Estado", foi Carlos Zorrinho. O representante do Parlamento Europeu diz que a Governança tem de ser transversal, sendo necessário, para isso «criar condições para ser aplicada esta reforma. O estudo está organizado de forma interessante. Há, no entanto, o problema das estratégias que duram pouco tempo devido à dispersão e não continuidade das políticas implantadas. Isto acontece para que não cheguem a ser avaliadas».

Pode consultar ou descarregar o estudo da APDSI "Contributos Para a Reforma do Estado" aqui.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

APDSI apresenta em conferência "O Papel da Sociedade da Informação na Reforma do Estado - Problema ou Solução?"


A APDSI organizou a conferência "O Papel da Sociedade da Informação na Reforma do Estado - Problema ou Solução?", que decorreu na Sala da Reitoria do Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa, a 4 de abril de 2013.

O início da conferência ficou marcado pela intervenção de Helder Rosalino, Secretário de Estado da Administração Interna, ao admitir que o Governo pretende criar um "cadastro" dos funcionários públicos. A medida foi anunciada na sequência do reconhecimento de que a organização do emprego público é uma das áreas onde ainda não ocorreram reformas do Estado e na qual as novas tecnologias têm um papel fundamental.

Já Edwin Lau, Chefe da Divisão de Reforma do Setor Público da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, constatou, como ponto de partida para a sua intervenção por videoconferência, que "a confiança no Governo Português tem vindo a decrescer". Segundo os dados apresentados pelo especialista da OCDE, Portugal está entre os países onde os cidadãos menos usam a Internet para interagir com os organismos públicos. Edwin Lau destaca algumas "ajudas" de que o Governo precisa e às quais pode recorrer neste âmbito. "Ambientes atrativos para os utilizadores, soluções integradas e instrumentos públicos que guiem o utilizador no contexto da governance digital", aponta.

Luís Vidigal, da Direção da APDSI e Investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas - CAPP, começou por dizer que a digitalização e o e-Government podem contribuir para a redução dos custos da administração pública com as novas tecnologias. Para sustentar esta afirmação, Luís Vidigal deu o exemplo de várias medidas projetadas e concretizadas por diversos países onde o e-Government é prioritário. "Hoje em dia conseguimos muitas autonomias. O processo público pode ser partilhado com a sociedade numa co-produção de valor. Esta é uma opção política e não tecnológica porque as tecnologias permitem o que se quiser", descreveu.

Na sua apresentação, Luís Vidigal deixou, ainda, aquela que será uma pergunta frequente do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: "Como é que as tecnologias podem melhorar a vida dos cidadãos?"

Afonso Silva, presidente da eSPap - Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, lembra que parte da solução na redução da despesa pública e na melhoria da tomada de decisão e políticas públicas, passa por uma alteração da própria génese da administração pública que é "dispersa, complexa, com uma cultura muito enraizada de “torreões” de opacidade de informação". A simplificação e desmaterialização de processos foram apontadas como alternativas a seguir.

Jorge Coelho, professor da Universidade do Minho, reconhece que é impossível gerir bem as TIC sem uma boa organização das instituições porque "verifica-se uma discrepância entre o investimento feito e as vantagens daí resultantes. Muitas vezes as estratégias não são claras. A governação das TIC acaba por não estar articulada com a governação dos processos".

A uniformidade de ofertas de cloud computing para garantir a mobilidade entre fornecedores e promover a internacionalização, foi o foco que mereceu a atenção de Paulo Calçada, presidente da Associação Eurocloud Portugal. O alinhamento com a tendência internacional de cloud computing foi a principal preocupação demonstrada pelo especialista para uma estratégia de consolidação das TIC na administração pública. Paulo Calçada diz que a cloud é "um modelo flexível que permite criação de estratégias a curto, médio e longo prazo".

Controlar para gerir melhor, é a linha defendida por José Maria Pedro, diretor de Tecnologias da Informação na Inspeção Geral das Finanças que aponta para o momento actual no qual não vê o devido retorno dos esforços feitos em investimento tecnológico. "Estamos com sérios problemas de investimentos neste momento. Quem produz e quanto custa aquilo que se produz? O desafio não está cumprido de maneira nenhuma". José Maria Pedro refere, contudo, o sucesso obtido no ano passado com o processo informatizado de entrega dos formulários de IRS. "Quando automatizamos um processo poupamos dinheiro à administração pública e aos próprios cidadãos", congratula-se. 

No primeiro painel da tarde as apresentações englobaram-se no sub-tema "Impacto na Economia e na Sociedade". A questão foi abordada por Paulo Neves, presidente da AMA - Agência para a Modernização Administrativa, que vê Portugal na linha da frente do atendimento simplificado ao cidadão. "O cidadão não se deve desdobrar entre inúmeros balcões. O futuro passa por um ponto único de contato que acompanhe os múltiplos eventos de vida do cidadão", aponta. Atendimento em modo integrado e multiplicação dos canais disponíveis serão, no entender de Paulo Neves, os caminhos a perseguir pela AMA.

A análise às múltiplas manifestações de cidadania apoiadas pelas plataformas de redes sociais, esteve no centro da apresentação de Ana Neves. A responsável pelo "Cidadania 2.0" sublinha que as ferramentas sociais nos dão o poder de escolher e de mudar algo na sociedade: "Os cidadãos até estão dispostos a dar dinheiro se sentirem que esse investimento lhes é benéfico, atribuído de forma transparente".

José Mouraz Lopes, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, referiu-se à pouca eficácia que as novas tecnologias estão a ter na área da justiça. "Na justiça administrativa e fiscal há pendências desproporcionadas aos meios existentes, o sistema processual é complexo e há falta de meios humanos", lamentou o presidente. Reorganização, simplificação e diferenciação seriam as soluções mais indicadas para a justiça se adaptar aos novos tempos, no entender de José Mouraz Lopes.

Célia Silva, chefe de divisão da direção de serviços da DGAE - Direção-Geral das Atividades Económicas levantou a questão da simplificação e desburocratização através de procedimentos eletrónicos. Segundo Célia Silva, o objetivo da adoção das TIC na DGAE passa por "incentivar o investimento na indústria através da simplificação de procedimentos e desmaterialização de processos".

Henrique Martins, presidente da Comissão para a Informatização Clínica, mostrou-se preocupado com as discrepâncias que ainda existem na linguagem informática entre hospitais públicos e privados e também pelos centros de saúde e hospitais que não "falam" entre si. Contudo, o médico deu o exemplo positivo da telemedicina e da Plataforma Dados Saúde, que prevê a desmaterialização completa do circuito da receita médica. "A plataforma pode reduzir custos, aumentar a segurança e ajudar a reformar o Estado no setor da Saúde. Este é um sistema de partilha de serviços web entre bases de dados distintas que têm, cada uma delas, um pouco da nossa história clínica", explicou Henrique Martins.

Por seu lado, João de Freitas, coordenador do grupo permanente da educação na APDSI, lamenta que as TIC tenham desaparecido da agenda principal do Ministério da Educação. Identificando alguns pontos nos quais os jovens portugueses se destacam entre a média europeia, como os jogos e as redes sociais, João de Freitas diz que continua a ser importante levar os mais jovens a filtrarem o "tsunami de conteúdos" que hoje se nos apresenta.

No encerramento da sessão, José Tribolet, professor do Instituto Superior Técnico, Luís Bento, da Associação Portuguesa para a Gestão de Pessoas, João Confraria, Vogal da ANACOM e João Proença, Secretário-Geral da UGT, debateram a questão das TIC serem "problema ou solução para a Reforma do Estado?".

A conferência, que reuniu cerca de uma centena de participantes, decorreu ao longo de quinta-feira, dia 4 de abril de 2013, na Sala da Reitoria do Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa e foi acompanhada, por videoconferência, pela Universidade Fernando Pessoa, do Porto, pela Universidade do Minho e pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Governo reconhece a necessidade de criar "cadastro" dos funcionários públicos


Helder Rosalino, Secretário de Estado da Administração Interna, admitiu, na conferência que a APDSI promove durante o dia de hoje no Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa, que o Governo pretende criar um "cadastro" dos funcionários públicos.

A medida foi anunciada na sequência do reconhecimento de que a organização do emprego público é uma das áreas onde ainda não ocorreram reformas do Estado e na qual as novas tecnologias têm um papel fundamental. "A administração pública ainda apresenta alguma deficiência na base de dados que continua a não ter informação sobre todos os seus funcionários. O ideal seria que essa base de dados tivesse o "cadastro" de todos, o que permitiria informação de apoio à definição de políticas públicas que têm de ser implementadas no contexto actual e no pagamento de salários num único sistema", alertou o Secretário de Estado da Administração Interna.

A gestão, organização, emprego, tecnologias e formação de recursos humanos foram apontadas como as áreas onde tem havido mais mudanças no âmbito desta reforma do Estado. "As políticas do Governo nas áreas tecnológicas enquadram-se nos desafios de reforma da administração pública, face ao difícil ajustamento que Portugal está a enfrentar", lembra Helder Rosalino. O Secretário de Estado falou, ainda, das sinergias de "entidades complementares que prestam um mesmo serviço" dando o exemplo da fusão de três Direções Gerais que se verificou na área tributária. “Hoje temos uma atividade tributária que continua a progredir", ressalvou.

Reconhecendo que os serviços partilhados são uma das mais-valias das atuais mudanças que têm ocorrido na administração pública, Helder Rosalino sublinhou, ainda, que "as TIC são uma das áreas centrais na implementação das medidas do plano de atuação do Governo. O plano estabelece a necessidade de reduzir estruturas tecnológicas, racionalizar custos com recursos humanos e operacionais maximizando os benefícios que o nosso país tem na área das novas tecnologias".

O Secretário de Estado concluiu que a reforma deve ser entendida como um processo contínuo, num constante ajuste às condicionalidades financeiras do país.

Falta de confiança no Governo pode estar a afastar os portugueses da Internet

Edwin Lau, Chefe da Divisão de Reforma do Sector Público da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, constatou, como ponto de partida para a sua intervenção por videoconferência, que "a confiança no Governo Português tem vindo a decrescer".

Segundo os dados apresentados pelo especialista da OCDE, Portugal está entre os países onde os cidadãos menos usam a Internet para interagir com os organismos públicos. Edwin Lau destaca algumas "ajudas" de que o Governo precisa e às quais pode recorrer neste âmbito. “Ambientes atrativos para os utilizadores, soluções integradas e instrumentos públicos que guiem o utilizador no contexto da governance digital", aponta.

Nesta apresentação ficou a saber-se que apenas 27% dos jovens entre os 16 e os 24 anos usam a Internet para interagir com os serviços governamentais, contra os 50% que já a usam na faixa etária entre os 25 e os 54 anos. A quase totalidade das grandes empresas já recorrem à web para os serviços da administração pública mas só 72% das pequenas e médias empresas o fazem.

De acordo com as recomendações de Edwin Lau a solução para contrariar estas percentagens passa por aumentar a confiança no governo e recorrer os social media como forma de aproximação aos cidadãos mais jovens. Para as pequenas empresas esse caminho passará, no entender do especialista, por tornar os benefícios mais claros.

A conferência da APDSI, que reúne cerca de uma centena de participantes, está a decorrer ao longo desta quinta-feira, dia 4 de abril de 2013, na sala da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, e conta com a participação, por videoconferência, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, da Universidade do Minho e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.