Mostrar mensagens com a etiqueta Gestão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gestão. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conferência anual da itSMF: "Tendências da Gestão de Serviços TIC no Contexto da Inovação"


A itSMF organizou a sua 14.ª Conferência Anual a 10 de outubro, em Lisboa, sob o tema "Tendências da Gestão de Serviços no contexto da Inovação".

Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, o poSAT-1, abriu a conferência com um enquadramento histórico da teoria da evolução humana onde, conforme demonstrou, há muito tempo que se releva a importância da cooperação entre os Seres Humanos. «Uma espécie tem tanto mais sucesso quanto maior for a capacidade dos seus Seres individuais cooperarem entre si», recordou o professor, citando Piotr Kropotkin.

A evolução até aos robôs foi descrita por Carvalho Rodrigues como uma aventura dos nascidos humanos que transferiram conhecimento para os não humanos e seres de silício (fabricados) com cada vez mais prerrogativas operacionais. «Fizemos isto tudo sem dar conta, por isso, estamos numa sociedade que apareceu sem debates e sem votações mas que existe e muda constantemente», lembrou. 

Da complexidade dos dados, há que chegar à simplicidade de uma informação que se quer filtrada e útil com base no sistema de crenças que o professor descreveu como «o conjunto dos pares dos argumentos e seus pesos». Este sistema de crenças, para ser fiável, deve basear-se em argumentos como imagens, modelos de observação, e equações tiradas de interações porque «o que interessa é o sistema de crenças por detrás do algoritmo. Onde há interação e simplicidade de dados é onde há riqueza, ou seja, muita informação com poucos dados».

Enquanto organismo de normalização setorial para as TIC desde 2011, para a itSMF foi importante ouvir casos reais de casos bem sucedidos de gestão de serviços TIC, como foi o caso trazido por Sara Carrasqueiro e Ângela Dias, dos SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

A direção de sistemas de informação do Ministério da Saúde fez uma melhoria do ecossistema através do recurso a aplicações interoperáveis (cerca de 60 utilizadas por quase todas as unidades de saúde públicas). A esta remodelação não é alheia a insatisfação de muitos utentes que obrigou a uma nova equação dos esforços que estavam a ser feitos, garantindo que todos estavam a usar bem as aplicações e dados disponibilizados. «A gestão da mudança passou pela formação nos processos, apoio ao utilizador e formação na ferramenta itsm», explicou Sara Carrasqueiro.

A valorização dos dados também foi o destaque da apresentação de Rui Ribeiro, da IP Telecom, que falou sobre a certificação ISO 27001 e explicou que a informação é dos ativos mais importantes da empresa. «Os dados são o novo petróleo do século XXI. Um gestor que queira tomar decisões precisa deles para gerir conhecimento», concluiu Rui Ribeiro.

"Managing the Robots that Manage Services" foi o tema da apresentação de Robert Falkowitz na Conferência anual da itSMF Portugal '17. Para o especialista foi importante estabelecer a diferença entre robôs autónomos e dedicados e os que têm uma utilização mais generalista (praticamente tudo, hoje em dia, é um computador). Sobre as semelhanças e simulacros que se fazem para estabelecer uma similitude entre robôs e humanos, Falkowitz tranquiliza quem não vê o service management com bons olhos: «Os robôs não conseguem perceber emoções nem mensagens inarticuladas ou pouco claras. E muitos dos devices que usamos vão continuar a precisar da intervenção dos humanos porque não têm capacidade para se repararem a si próprios». Sobre a pertinente questão do engagement emocional, o especialista despede-se de Lisboa com a seguinte provocação: «O que vamos fazer quando os nossos clientes também forem robôs?»

Quando se olha para a valorização das economias, vemos que o sucesso é das que estão a fazer melhor utilização das tecnologias digitais, sublinhou Jorge Portugal, da COTEC - Associação Empresarial para a Inovação. O desafio futuro passará por uma melhor e mais controlada gestão das plataformas digitais que se colocam entre o produto e o cliente. «A maior parte das empresas tem um período de inovação e depois abranda esse ritmo. Isso não é correto», adverte o representante da COTEC.

Diego Berea trouxe à conferência o seu ponto de vista sobre "Inteligência Artificial Aplicada à Interpretação Automática de Indicadores de Gestão de Serviços". Neste campo o grande desafio que se coloca atualmente é o de como transformar dados em texto, podendo, assim, fazer-se previsões contextualizadas com um mínimo de intervenção humana. «Num futuro próximo queremos melhorar tanto os bots que as pessoas nem se apercebam que estão a falar com uma máquina. É levar o modelo data-to-text aplicado à gestão de serviços», antecipou Berea.

Stuart Rance conquistou a audiência da 14.ª Conferência anual da itSMF Portugal pela inusitada e humorada apresentação na qual começou por dar exemplos de empresas bem sucedidas no mercado, sublinhando que têm um ponto em comum: estão focadas na experiência do utilizador. «Os computadores propriamente ditos tendem a desaparecer. Vamos dizer: este é o meu carro, esta é a minha torradeira, este é o meu frigorífico porque, na verdade, já assumimos com grande naturalidade que é um computador que está lá dentro», provocou.

Fazendo alguma futurologia, Stuart Rance acredita que no futuro serão valorizadas as experiências individuais do utilizador, em detrimento de longos tutoriais para acompanhar o software. Para que tal aconteça, é fundamental a cooperação já abordada por Fernando Carvalho Rodrigues, «para que todos contribuam e facilitem o processo».

Sobre a norma ISO 20000-1 de Gestão de Serviços em TI, que já existe desde 2005 e serve para implementar e certificar, Mário Costa, presidente da comissão técnica de gestão de serviços e governação, lembra que a edição de 2018 vai ser alvo de melhorias, tornando o processo mais fácil, flexível e menos exigente em termos documentais. Entre 2015 e 2016 a ISO 20000-1 cresceu 63%, sendo que na Ásia foi onde se verificou o maior crescimento.

Ana Ramos, da eSPap - Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I.P. - trouxe à conferência o bom exemplo do projeto de faturação eletrónica que está a decorrer para todas as entidades da administração pública. «O futuro assenta numa lógica de arquitetura e prestação de serviços articulados entre os parceiros tecnológicos e económicos com outros parceiros como autoridade tributária e segurança social. 

Rui Soares, da itSMF Portugal, encaminhou a conferência para o final advertindo para o facto de que o risco existe quando temos dois ingredientes: incerteza quanto ao resultado e um impacto determinante. Ainda assim, no seu entender, correr riscos nesta área é fundamental para que os ganhos também tenham oportunidade. «Há sempre risco residual, não existe risco zero», resume.

O debate que encerrou a conferência foi moderado por José Carlos Martins e confrontou pontos de vista sobre "A Gestão de Serviços TIC no contexto de inovação". Nele participaram Paula Salgado, Frederico Serras Gago, Miguel Muñoz Duarte e Filipe Coelho.


terça-feira, 2 de março de 2010

Vamos restaurar de novo uma cultura de serviço no nosso país!

Paradoxalmente temos assistido nos últimos anos a uma falência acentuada da cultura de serviço, numa altura em que existem cada vez mais normas e boas práticas no âmbito da gestão de serviços (de TI e não só). Desde meados dos anos 90 que surgem frameworks como ITIL, CobIT, ISO 20000, ISO 38500, CMMI-SVC, MOF, etc.
Surgiu entretanto uma nova área do conhecimento denominada “Ciência de Serviços”, que procura integrar saberes provenientes da Gestão, da Engenharia e das Ciências do Comportamento. A própria IBM chama-lhe SSME (Service Science, Management and Engineering) e tem patrocinado em universidades de todo o mundo a criação de cursos neste domínio.
A cultura de serviço não passa apenas pela existência de ferramentas tecnológicas e processos bem especificados, mas sobretudo envolve atitudes e comportamentos de pessoas e grupos.
Não basta inovar nas tecnologias, no negócio e nos mercados, é urgente saber inovar nos comportamentos e nos relacionamentos sociais.
Servir é, antes de mais, co-produzir valor entre fornecedores e clientes. Faz apelo a competências relacionais difíceis de adquirir no sistema de ensino formal.
A cultura de serviço começa por se adquirir em casa, nas igrejas, nas associações, mas é na experiência do trabalho que ela se consolida ou se perde de vez.
Quando entramos para uma organização que está impregnada da cultura de serviço estas atitudes e estes comportamentos são valorizados e reforçados.
Quando entramos numa organização onde a arrogância, o individualismo, a competição individual se sobrepõem a valores sociais e éticos, a cultura de serviço é esmagada e desaparece a tão desejada co-produção de valor.
Pertenço a uma geração que viveu e lutou por causas e ideais que fizeram apelo ao voluntariado e à generosidade numa fase precoce da vida e de formação da personalidade. Hoje os jovens são formatados para competir e vencer individualmente e não são estimulados a experimentar relacionamentos sociais altruístas capazes de moldar desde cedo a cultura de serviço.
Os governos acentuaram nos últimos anos a destruição da cultura de serviço, ao estigmatizar negativamente a função pública e ao converter serviços públicos em empresas governamentalizadas e em competição com o próprio mercado privado.
Vamos restaurar de novo uma cultura de serviço no nosso país!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Segurança da Informação na Sociedade da Informação (Portuguesa)

Gostaria de comentar/debater convosco, alguns pontos que me parecem curiosos numa perspectiva da Segurança da Informação na Sociedade da Informação Portuguesa, tendo com base o último estudo Global Information Security 2010 (pwcsurvey2010_report.pdf) realizado em conjunto pelas revistas CSO e CIO em parceria com a PwC:

Uma das principais conclusões do estudo, refere que a actual crise, obrigou as empresas a fazer menos investimentos na generalidade. Mas, (felizmente) os orçamentos das empresas dedicados à segurança mantêm-se estáveis e no topo da lista das preocupações, nomeadamente, os investimentos para a continuidade do negócio (BC) e Compliance. (Finding/Figure #1).
Será que este cenário também se aplica às empresas portuguesas?
ou a crise em Portugal teve outras repercussões?


É conhecida, a diferença de importância que a Gestão e os gestores de TI (CIO) atribuem na tomada de decisão quanto às questões sobre a Segurança da Informação. No entanto, esta situação parece estar a convergir no mesmo sentido, ou seja, começam a perceber que têm as mesmas preocupações e a pensar da mesma forma, alinhando estratégias. (Finding/Figure #5 and #6)
Para esta mudança, terá contribuído a actual crise e a relevância da função de CISO (from 29% in 2008 to 44% this year) e o seu reconhecimento na hierarquia da empresa (74% vs. 65% India e 50% US). (Figure 14)?
Em Portugal, estas mudanças também se reflectem nas empresas?
Será que a função de CISO (Chief Information Security Officer) é reconhecida nas empresas portuguesas?


Acho este ponto particularmente interessante.
A América do Sul passou do final da tabela para o topo da tabela, em apenas dois anos, na preocupação com as praticas de Segurança da Informação, deixando a Europa em último, comparativamente com a Ásia e a América do Norte (Finding/Figure #12).
Para tal contribuíram, factores como a definição e importância da Segurança da informação pela Gestão (62% América do Norte vs. 38% Europa) e principalmente porque consideram como factor de liderança o “Client requirement” para justificar os investimentos, em contraste com a Europa que considera o factor “Legal or Regulatory requirement”.
Será que a Europa está a limitar-se a cumprir regulamentos e responsabilidades legais e a menosprezar o mais importante, a Segurança da Informação (da empresa ou do cliente)?

Estes pontos, revelam que a Segurança da Informação na Sociedade da Informação é bastante pertinente, principalmente, numa altura em que é necessário conter investimentos e alinhar estratégias, não descurando o mais importante: a Segurança da Informação. Pelo que, considero esta matéria bastante interessante para seer abordada futuramente por um GAN.

Por fim, este estudo lembra-me a minha dissertação de mestrado com o tema "Factores de Sucesso na Gestão de Segurança da Informação nas empresas Portuguesas" que debate esta problemática. (em http://tiny.cc/7jDks, 2008)

Luis Manuel Santos