sexta-feira, 14 de outubro de 2016

9.ª Conferência ANACOM: Nova regulação para uma Gigabit Society



A ANACOM vai realizar, no próximo dia 2 de novembro, às 14h00, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a 9.ª conferência internacional submetida ao tema "Nova Regulação Para uma Gigabit Society".

A iniciativa pretende promover o debate sobre a proposta da Comissão Europeia (CE) de revisão do quadro regulamentar das comunicações eletrónicas, divulgada publicamente a 14 de setembro de 2016, a qual irá determinar a regulação do setor a partir de 2020.

O keynote speaker é Roberto Viola, da Direção-Geral para as Redes de Comunicação, Conteúdos e Tecnologias (DG CONNECT), que fará a apresentação da proposta da CE.

A participação é gratuita e aberta a todos os interessados, apenas sujeita a inscrição prévia online aqui.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Grupo Parlamentar do PCP responde ao pedido de ajuda da ANSOL e AEL contra o DRM


No âmbito da reunião do World Wide Web Consortium em Portugal, a ANSOL e a AEL reuniram-se num protesto contra a inclusão de DRM no HTML e abordaram os partidos com assento parlamentar. O BE respondeu com um artigo de apoio à causa no Esquerda.net e o PCP também deu resposta ao apelo, tendo dirigido à Assembleia da República um documento expositivo, alertando para a situação, ao qual a APDSI teve acesso.

A Associação Nacional para o Software Livre e a Associação Ensino Livre estão atentas à possível integração de DRMs (Digital Restrictions Management) nos códigos HTML que constroem as páginas da World Wide Web.

De recordar que ambas as associações se manifestaram, a 21 de setembro, junto ao Centro de Congressos de Lisboa, onde decorria um encontro da World Wide Web Consortium (W3C), a organização que define as normas para a Web como o HTML e o CSS. Em causa está a pressão que empresas como a Microsoft, a Google e a Netflix têm vindo a fazer junto do W3C para a incorporação de Encrypted Media Extensions (EME) no HTML.

A ANSOL entende que, a tornar-se realidade, esta medida «faria com que o HTML deixasse de ser uma norma aberta, de acordo com a legislação nacional e iria sacrificar injustificadamente a liberdade na Web».

«Que orientações estão a ser seguidas pelos representantes de Portugal neste debate?» e «Que medidas estão a ser consideradas e levadas a cabo para a defesa, neste e noutros âmbitos, do caráter aberto da Internet e das normas técnicas que a definem?» são as perguntas colocadas pelos deputados Bruno Dias e Ana Mesquita, do PCP, ao executivo socialista que, até à data, não se pronunciou sobre o caso.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Câmara Municipal de Lisboa vai criar o portal Lisboa Aberta


A Câmara Municipal de Lisboa vai realizar um workshop no próximo dia 19, nas próprias instalações da autarquia, para recolher sugestões e propostas para um portal de dados abertos, designado Lisboa Aberta, que está a desenvolver.

A criação do portal tem como objetivo a disponibilização de informação sobre a cidade de Lisboa em formatos abertos. 

Segundo informações da Câmara, a sessão de brainstorming será um espaço informal de discussão e elaboração de propostas sobre o portal e outras que potenciem a reutilização e a investigação sobre os dados, bem como a identificação de parcerias para o efeito. 

Pode obter mais informações aqui.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Está a decorrer o Inquérito Aberto à Segurança da Informação nas Instituições em Portugal


A AP2SI - Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação está a realizar o Inquérito Aberto à Segurança da Informação nas Instituições em Portugal. O inquérito visa contribuir para a consciencialização do tema nas pessoas e instituições e através da recolha e estudo de dados específicos de Portugal que possam ser utilizados para medir a evolução do modo como a sociedade e as instituições encaram este tema.

O inquérito está disponível aqui. A AP2SI pretende aferir a perspetiva dos cargos de administração, direção e de todos os colaboradores sobre o modo como as instituições em Portugal trabalham este tema, independentemente da sua dimensão, área de atuação ou volume comercial.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Gonçalo Paredes à APDSI: "Espero que esta medalha possa melhorar o que for preciso"


Gonçalo Paredes é o jovem português que conquistou o terceiro lugar nas Olimpíadas Internacionais de Informática, em Kazan, na Rússia.

Esta é já a sexta medalha de bronze conquistada por Portugal nesta competição mundial que, em Portugal, é organizada pela APDSI. A Associação recebeu, este ano, as felicitações por parte do Ministério da Educação.

Foram, também, galardoados os estudantes Henrique Navas, Duarte Nascimento e Guilherme Penedo que lutaram pela melhor classificação de Portugal nesta competição, tendo-lhes sido entregues prémios relativos ao Concurso Ibero-Americano de Informática por Correspondência. Nesta prova, os estudantes portugueses conquistaram três medalhas de prata e duas medalhas de bronze.

Depois da vitória, Gonçalo Paredes aceitou partilhar a experiência que teve com a APDSI.

Que impacto está a ter na tua vida a medalha de bronze conquistada nas Olimpíadas Internacionais de Informática?
Foi um objetivo realizado e foi bom ver as notícias e a mencionar. Deu alguma motivação para começar a universidade neste ano, mas agora tenho novos objetivos que espero também alcançar.

Como reagiu a tua família e amigos quando souberam do teu feito?
Recebi mensagens de parabéns de muita gente, mas como não foi a primeira vez que alguém na família fez algo assim não houve tanta surpresa.

Qual a melhor memória que guardas de Kazan, na Rússia, e da competição em particular?
Além da prova e da entrega das medalhas, gostei particularmente de um passeio à noite pela cidade na companhia do líder e alguns colegas em que tivemos outra perspetiva do sítio onde estávamos a ficar.

Achas que as Olimpíadas Nacionais da Informática são importantes? Onde poderiam melhorar?
São importantes para a divulgação, promoção da informática e para encorajar alunos de secundário a aprenderem algoritmos e estimular o raciocínio. Há muito a melhorar, mas infelizmente é preciso mais pessoas e financiamento. Espero que esta medalha, as noticias que saíram e a minha ajuda, para o ano possam melhorar no que for preciso.

O que dirias aos teus colegas que têm vontade de participar? Como se podem preparar?
Se tiverem interesse, pesquisem, e experimentem que pode ser que seja algo que gostem e queiram explorar. Para treinar há muitas plataformas, e muitos problemas para resolver tanto das olimpíadas nacionais como de outros países ou até das olimpíadas internacionais, mas podem sempre pedir ajuda a alguém responsável através do mail e obteriam dicas.

Na informática, qual a tua área preferida que gostarias de vir a aprofundar?
Tenho algum interesse nalgumas áreas relacionadas com matemática, mas neste momento gostaria de aprofundar mais o meu conhecimento de grafos.

Estás quase a entrar na faculdade. Qual a empresa ou entidade onde gostarias de vir a trabalhar?
Se viesse a trabalhar numa empresa, gostaria que fosse uma com um vasto leque de áreas a explorar, como a google, onde conseguisse trabalhar no que gosto mais apesar de estar limitado pelas necessidades da empresa.

Pedro Ribeiro, o Team Leader da equipa portuguesa que foi à Rússia, professor no DCC-FCUP Universidade do Porto, também partilhou connosco a sua experiência não só deste ano, mas de todos os outros em que tem acompanhado as comitivas lusas nas suas participações informáticas além-fronteiras.

Qual a importância de ter recebido felicitações por parte do Ministério da Educação?
É sempre agradável receber felicitações oficiais, sendo que felizmente não foi a primeira vez que tal aconteceu. De um ponto de vista mediático são certamente importantes e contribuem para uma maior divulgação das Olimpíadas. De um ponto de vista mais prático, é importante que o Ministério apoie as Olimpíadas não apenas quando os bons resultados aparecem, mas também em fases mais iniciais quando se procura divulgar e preparar os alunos.

Em que medida as Olimpíadas Nacionais da Informática são importantes no programa educativo/escolar?
As Olimpíadas Científicas no geral, e não apenas as de Informática, surgem como um veículo importante de divulgação e promoção da disciplina em causa, com especial ênfase na captação de jovens talentos. No caso de Informática são ainda mais importantes, pois ao contrário de outras Olimpíadas (ex: Matemática e Física) surgem num tema que não é de todo coberto no atual programa escolar, pelo que vêm ajudar a cobrir essa lacuna. A grande maioria dos alunos de topo nas Olimpíadas Nacionais de Informática vem de formações mais gerais onde nem sequer têm aulas de programação ou algoritmia, sendo alunos que aprendem autonomamente e que por isso têm com as Olimpíadas a primeira exposição mais estruturada ao mundo da Ciência de Computadores, bem como a ligação a uma comunidade pequena mas apaixonada por este mundo.

Quanto tempo demora a preparação de um aluno?
Não é fácil quantificar o tempo de forma objetiva. Não será fruto do acaso que quatro das cinco mais recentes medalhas de Portugal nas Olimpíadas Internacionais (2009, 2010, 2012 e 2016) vieram por alunos que já repetiam a presença na comitiva portuguesa, ou seja, alunos que já tinham sido começado a preparação no ano anterior. Se olharmos para o contexto internacional, e não apenas o português, vemos que este teor se mantém e no geral os alunos com mais sucesso já estão no mundo da programação competitiva há vários anos, participando regularmente em concursos que se vão organizando um pouco por todo o mundo. Uma medalha representa, portanto, um esforço considerável que tem repercussões positivas no desenvolvimento das capacidades do aluno em causa, sendo que o feedback dos alunos que têm representado Portugal tem sido muito positivo, indicando que essa experiência lhes foi muito útil a nível pessoal, académico e profissional.

Há quantos anos participa e que balanço faz dessas provas?
Este é já o meu 20.º ano com envolvimento nas Olimpíadas Nacionais  de Informática, e o 16.º ano onde fiz parte da comitiva portuguesa nas Olimpíadas Internacionais (IOI). Entre 1995 e 1998 participei como concorrente (2º lugar nacional em 95 no meu 9.º ano, e 1.º lugar nacional em 96, 97 e 98), tendo representado Portugal nas Olimpíadas Internacionais nesses quatro anos. A partir de 2001 comecei a estar envolvido na preparação dos alunos e na criação de problemas. De 2005 a 2008 fui vice-líder da comitiva portuguesa nas IOI e desde 2009 que tenho sido o líder português nas IOI. O balanço é muito positivo e as Olimpíadas são uma parte integrante e indissociável da minha vida, sendo (também) graças a elas que tive a certeza que queria fazer carreira profissional na área. Em termos sociais, são inúmeros os amigos que fiz e como organizador quero poder passar um pouco desta minha paixão pela Ciência de Computadores e fomentar o gosto pela programação e pelo desenho de algoritmos.

sábado, 24 de setembro de 2016

Paddy Cosgrave sobre Portugal: "Muita gente importante que estava em Berlim está a mudar-se para Lisboa"


Lisboa vai receber, durante pelo menos três anos, a Web Summit. Este ano, o Meo Arena vai ser palco, de 7 a 10 de novembro, deste que é um dos mais importantes eventos europeus de tecnologia, empreendedorismo e inovação. A cimeira espera de 50.000 participantes, de mais de 150 países, incluindo mais de 20.000 empresas, 7.000 presidentes executivos, 700 investidores e 2.000 jornalistas internacionais.

Para o público em geral ainda há ingressos à venda, por 700 euros. Em setembro foi conhecido o resultado do Road 2 Web Summit, um concurso à escala nacional que selecionou 66 start-ups portuguesas que em novembro vão ter que mostrar, o que de melhor se faz em Portugal no que diz respeito a empreendedorismo tecnológico.

Os empreendedores selecionados vão ter também uma espécie de formação para que possam tirar o melhor partido possível da presença no Web Summit. Já a Born from Knowledge, iniciativa do Ministério da Ciência e Ensino Superior, escolheu dois mil voluntários no âmbito universitário. O objetivo é que em troca de um dia de trabalho no evento tenham acesso, de forma gratuita, aos outros dois dias.

A outra boa notícia é que a Web Summit vai abrir o seu primeiro escritório fora da Irlanda e vai ser no novo Hub Criativo de Lisboa, em Marvila, um espaço de três mil metros quadrados cedido pelo Ministério das Finanças e da Defesa. O espaço servia de armazém militar. Para o escritório da Web Summit em Portugal vão ser contratados, principalmente, comerciais, engenheiros e project managers. Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, admite que Portugal foi o país escolhido porque tem muito talento escondido, cafés baratos e um sol sem comparação.

Nos quatro dias de Web Summit em Portugal vai, ainda, haver workshops, e sessões de treino intensivo que visam dotar as startups de uma melhor preparação para o futuro. Haverá ainda um "Espaço Ecossistema", onde as startups e incubadoras foram convidadas a expor o seu projeto e que conta assim com mais de uma centena projetos em exibição. No total são esperados cinco mil portugueses.

No dia do anúncio da instalação em Portugal do primeiro escritório da Web Summit fora de Portugal, Paddy Cosgrave aceitou falar com APDSI.

Porque é que há tanta gente a querer estar presente na Web Summit?
Eu acho que vêm porque oferecemos um produto que é muito atrativo. Vêm para conhecer outras pessoas que podem ajudar nos seus negócios ou, de alguma maneira, nas suas vidas profissionais. Vêm para se divertirem nos eventos de final de tarde, o que também é muito importante, e vêm para aprender com os nossos speakers incríveis com quem, normalmente, não conseguiriam entrar em contacto. Portanto, ter centenas de pessoas, que estão no topo da tecnologia, todas a falarem sobre as suas experiências, é uma oportunidade fantástica quer fabriques cortiça, whisky ou carros. Podes aprender sobre como o marketing está a mudar ou qual o melhor software para o teu negócio.

Quantos profissionais espera vir a contratar para o seu escritório em Lisboa?
Nos últimos meses contratámos gente incrível em Portugal que está a trabalhar nos nossos escritórios em Dublin. Senti-me inspirado pelas pessoas que entrevistei e comecei a achar que devíamos mesmo abrir um escritório aqui, o talento é surpreendente e mal posso esperar para começar a contratar os primeiros funcionários para Lisboa, cerca de uma dúzia, para começar. Quanto mais gente encontrar, mais gente irei contratar com certeza. Somos uma empresa jovem, com um crescimento rápido, por isso, estas coisas não são fáceis de prever. Há seis anos tínhamos 400 participantes nas conferências e eu nunca pude prever que viriam a ser 5.000. Se, na altura, me perguntassem por previsões de crescimento, eu apontaria para umas mil pessoas, por isso, quem sabe o que o futuro nos reserva? Agora estamos apenas focados na Web Summit em novembro; vamos começar a contratar logo a seguir ao evento.

O que Portugal tem a ganhar ao acolher a Web Summit?
A grande mudança que aconteceu nos últimos anos foi que os investidores internacionais começaram a ficar muito interessados nas jovens empresas portuguesas. E a seriedade deste interesse é sublinhada pelo facto de estar, realmente, a haver investimento estrangeiro em Portugal que vem do resto da Europa, da Ásia e de Silicon Valley. Portanto, as empresas portuguesas dificilmente conseguirão outra oportunidade de serem vistas por cerca de mil investidores que cá estarão nesses quatro dias.

Costuma aconselhar os investidores?
Não, eu não digo a nenhum investidor onde deve investir. O que faço é proporcionar encontros mas cabe aos empreendedores criarem uma boa história para apresentar o seu negócio. Eu conheço alguns empreendedores portugueses e sei que vocês não têm dificuldades em atrair grandes investidores.

As empresas que se apresentam na Web Summit têm todas uma forte ligação às novas tecnologias, correto?
Nem por isso. Muitas das startups que aqui chegam não estão diretamente relacionadas com a tecnologia; vêm de outras áreas já seguras, inspiradas em grandes empresas dos mais variados setores, até dos mais tradicionais. Sim, há gente que vem dos setores tradicionais que vem apenas por curiosidade, para saber como é que as tecnologias influenciam os seus negócios e eu acho que isso ainda vai tornar o evento mais interessante.

Porque escolheu Portugal para instalar o seu primeiro escritório fora da Irlanda?
Porque eu já tinha lido que Portugal era o país mais ensolarado de toda a Europa, e é! Porque continuo a achar estranho ir a um café, pedir uma bica e pagar 60 cêntimos! É de loucos! [risos] As ruas são inacreditavelmente vibrantes. Se eu quiser ir fazer surf é só ir, literalmente, até ao fundo da rua. O meu irmão vivia em Berlim e mudou-se para cá. Havia muita gente que estava em Berlim, gente importante, porque era uma cidade super fixe, considerada a capital da Europa, e que está a mudar-se para Lisboa, não para outro destino qualquer, portanto isso há-de dizer alguma coisa sobre a cidade.