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quarta-feira, 15 de junho de 2011

New Public Management à portuguesa. Uma reflexão para o novo Governo

No início de um novo Governo e depois de já ter passado 25 governos diferentes durante a minha carreira profissional como funcionário público, é de esperar mais uma onda de empresarialismo para o aparelho do Estado, igual às que assistimos desde o primeiro governo de Cavaco Silva em 1985.

Os políticos do chamado "arco da governação" em Portugal têm perseguido um ideal de transformar o Estado num amontoado de empresas de faz de conta, com os seguintes propósitos:
  • Fugir ao Controlo e à Lei - Criação de serviços “não integrados” no Orçamento Geral do Estado e consequentemente dispensados de certos formalismos de controlo na execução de despesas públicas;
  • Alimentar a “Dança das Cadeiras” – Criar um cada vez maior número de lugares para gestores públicos e “prateleiras douradas”, capazes de satisfazer favores políticos e permitir a alternância de cargos entre o Governo e a Oposição, no seio do Bloco Central (PS e PSD);
  • Esconder a verdadeira despesa pública - Através da desorçamentação.
Este modelo que, no seu estado puro e idealista, foi criado no Reino Unido por Margaret Thatcher no início dos anos 80, propagou-se a alguns países como a Austrália e a Nova Zelândia e assumiu a designação de "New Public Management", procurando-se aproximar o modelo de gestão pública ao modelo de gestão privada. Mais do que uma evidência científica, este novo paradigma de gestão partiu de um preconceito de que tudo o que é mau é público e tudo o que é bom é privado.

As primeiras agências criadas no Reino Unido, na Austrália e na Nova Zelândia caracterizavam-se efectivamente por um funcionamento empresarial baseado num equilibrio entre autonomia e responsabilidade. Construíram-se para o efeito sistemas de informação capazes de monitorar a performance destes novos gestores públicos e responsabilizá-los pelos seus resultados.

Em Portugal só se deram as boas notícias, tais como a autonomia, a privatização, a flexibilização, a mudança, etc e nunca se acautelaram os reversos sustentáveis e menos simpáticos destes novos desígnios políticos, tais como, a responsabilização, a regulação, a protecção dos valores do serviço público, a mobilização dos intervenientes, etc..

No início da implementação do POCP / RIGORE a par da criação do SIGRAP (Sistema de Gestão dos Recursos da AP) no âmbito do Sistema de Controlo Interno, aprovado pela Ministra Manuela Ferreira Leite em Janeiro de 2003, houve um reforço da preocupação no controlo financeiro de todos os subsectores do Estado onde circulavam dinheiros públicos, a par do controlo dos recursos humanos.

Com a criação da GERAP em 2007, todo este processo de cobrir a totalidade dos recursos financeiros e humanos foi interrompido e enveredou-se por uma estratégia em sentido inverso, com uma preocupação centrada na implementação de ERP departamentais e pela sua venda avulsa aos organismos. A universalidade e a consequente gestão global dos recursos do Estado deixou de ser uma prioridade, numa altura em que seria mais necessária, devido à passagem acelerada dos organismos da administração directa para a administração indirecta do Estado, de forma deliberada mas também descontrolada.

Com a vinda da Troika e durante a recente campanha eleitoral, muito se falou no volume excessivo do sector público empresarial do Estado e no descontrolo da chamada administração indirecta do Estado. Depois de 26 anos de ensaios mal feitos de "New Public Management" à portuguesa, vamos ver o que nos trazem os novos salvadores da pátria.

O "New Public Management" procurou livra-se das disfunções burocráticas, mas acabou por criar novas disfunções tanto ou mais perversas, como a destruição dos valores do serviço público. Foi como se "deitássemos fora o bebé juntamente com a água do banho".

Uma coisa é certa, os países mais desenvolvidos do mundo já estão a tentar librertar-se desta vaga empresarealista e ensaiam um novo período denominado "New Public Service", em que os administrados e clientes do Estado passarão a ser verdadeiros cidadãos, a burocracia e o "negócio" serão substituídos pela Democracia, onde o neoliberalismo poderá dar lugar ao neo-intervencionismo e onde o Government será substituído pela Governance e pelo equilíbrio transparente entre os interesses do Estado e da sociedade.

Como disse Denhardt em "The New Public Service" (2003), "Government shouldn't be run like a business, it should be run like a democracy".

quarta-feira, 30 de março de 2011

Segurança Social a quanto obrigas

Chegou a hora de um cafézinho ao lanche. Afinal, o café é uma excelente forma de enganarmos o nosso cérebro e conseguirmos convencê-lo de que estamos rijos que nem um pêro para trabalhar. Mas hoje até tenho desculpa porque a burocracia do nosso sistema de Segurança Social (que não é nem segura, nem voltada para o conforto da sociedade) chega a tirar a vontade de trabalhar a qualquer ser Humano que se preze e que tenha um nadinha de cérebro activo, que se contorce diabólicamente com a falta de qualidade dos serviços prestados nos guichets de atendimento ao pobre desgraçado público.

No passado domingo, fui surpreendida com uma carta da Segurança Social na caixa do correio, certamente esquecida desde sexta-feira, e ainda bem, que me notifica para o facto de ter sido, por vontade de alguém que desconheço, integrada no Regime dos Independentes. A coisa até soa bem, "independente" é uma palavra com a qual tenho algumas afinidades pessoais, não significasse isto que, para além dos milhares de euros que a minha entidade patronal desconta todos os anos para a dita instituição em meu benefício, eu ainda teria de pagar qualquer coisa como 124 euros por mês, graças à minha tal actividade "independente", amplamente conhecida como prestação de serviços a recibos verdes.

Almoço domingueiro de família estragado, uma queda aparatosa instantes depois de ter lido a totalidade da notificação (sim, fui sempre a descer escadas, qual maratonista da corrida da mulher) e uma semana a começar nos serviços públicos da Segurança Social, às 9h00:

- Bom dia, estou aqui porque recebi esta notificação que refere a minha obrigatoriedade de começar a pagar...
- Então o que é que quer? Se a senhora nunca pagou...
- Minha senhora (se há coisa para me tirar do sério é a assumpção por parte de criaturas que nunca me viram antes de que sou uma caloteira nata e que ando para aqui a empatar o sistema com as minhas dívidas), devo deduzir portanto que agora tenho que descontar para duas "Seguranças Sociais", é isso?
- Hã? Não, quem é que lhe disse isso?
- (Exibo a carta já com sublinhados fluorescentes nas frases a que a dita senhora deveria prestar mais atenção).
- Então você (note-se a perda de formalidade no tratamento pessoal) não vê notícias? (Quem? Eu? Notícias? Que é lá isso?) Isto agora é assim, se já paga tem que nos provar. Mas alguma vez descontou? (Quem? Eu? Evidentemente que não... desde os 17 anos que andava a ver se passava despercebida mas já que me apanharam...)
- Sim, minha senhora, eu trabalho desde 1996. À parte do 1º ano de vida activa, no qual os indivíduos estão isentos do pagamento, que sempre descontei, quer por iniciativa "individual", quer por conta de outrem.
- Então preencha isto (mais um papel) e entregue.
- É só preencher isto? (Já não obtenho resposta porque enquanto olho para o dito papel já a senhora, eficientíssima como adiante vamos perceber melhor, se apressava a carregar no botão que faz o número de senhas avançar no placard informativo. Tão tecnológico este nosso Portugal).

14h30, mesmo local:

- Boa tarde, venho entregar este documento que vem na sequência desta carta que recebi.
- Deixe ver... (clique aqui, clique acolá, franzir de testa, óculos a cair, o rato a fazer autênticas demonstrações de skimming tapete fora). Mas esta declaração é mentira!
- (Ai! Juro que todos os aurículos e ventrículos da direita e da esquerda do meu coração bloquearam por breves instantes, levando a um ligeiro arroxear da minha expressão facial) Mentira?
- Pois com certeza! (volume dos decibéis a subir) Estou aqui a ver que só tem descontos feitos em 1997 pela empresa "X" e em 1998 pela empresa "Y", a partir daí nunca mais pagou! (Volte a notar-se a rejeição nata de algum erro informático que lhe possa estar a dar tal informação. Não, computadores amarelentos não falham. Mulheres na casa dos 30 mentem, isso sim, são tramadas).
- Eu estou a dizer-lhe que toda a vida descontei, eu tenho aqui os documentos do IRS de 2010 que o comprovam. (Tempo perdido. A senhora não consegue ler e interpretar mais nada que vá além das parangonas da TV Guia).
- Então tem mas é que trazer um papel (outro?! Inacreditável!) do seu patrão a dizer que lhe está a fazer os descontos.


Naturalmente que a direcção de Recursos Humanos da empresa para onde trabalho me garante que todos os descontos estão a ser feitos para a Caixa dos Jornalistas mas que não é competência da empresa passar um "papel" a declarar isto mesmo. E aqui é que está o busílis da questão. Os serviços centrais da Segurança Social não têm qualquer ligação ou forma de acesso às outras "Caixas", o que levou a funcionária acima referida a assumir que pouco ou nada descontei para a minha futura reforma. Efectivamente, desde Agosto de 1998 que desconto para a Caixa dos Jornalistas. Entretanto, e depois de me ter sido dito que o e-mail da Caixa dos Jornalistas não está a funcionar (!), vi-me obrigada a recorrer a uma instituição pública para enviar um fax com a solicitação, por escrito, do pedido de uma declaração com a tão desejada informação e justificando o motivo pelo qual necessito desse "papel".

Quando o "papel" estiver pronto, o que já percebi que pode levar algumas semanas, junto-o ao outro "papel" onde declarei estar a descontar por conta de outrem (e não menti), tiro uma manhã de folga no meu trabalho e volto a encontrar-me com a simpática, acessível e atenciosa funcionária que, por certo, vai encontrar qualquer outro motivo para duvidar da autenticidade dos meus descontos.

Portugal, tal como a APDSI já deu a conhecer, está entre os países com mais condições físicas e tecnológicas para aumentar a sua competitividade, no entanto, não o faz. Porquê? Burocracia? Limites humanos? Imposição de pequenos poderes? Este parece-me ser mais um caso em que o SIMPLEX não passou das suas boas intenções já que se mantêm estas barreiras incompreensíveis em pleno séc.XXI quando a prova da minha "inocência" e do erro dos serviços da Segurança Social depende de um molhinho de papéis, de consideráveis contratempos e burocracias inúteis.

A questão da ausência de redes comuns e do fantasma do cloud computing, bem como a inexistente formação de funcionários para lidarem correctamente com os respectivos equipamentos informáticos, leva a esta multiplicação de entidades semelhantes, paralelas e redundantes. Para quando uma Segurança Social única?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Indicadores do Plano (do Portugal) Tecnológico, ao serviço da diferença reconhecida

Alguem me ajuda a encontrar no site do Plano Tecnológico os indicadores para as medidas por destinatário?
Os indicadores para as medidas por eixo estratégico ainda lá estão alguns (e em especial dados "em grande" na página de entrada do site www.planotecnologico.pt para além de um vídeo sobre o Portugal tecnológico 2009) mas o que eu considerava importante e queria não estava nem "à mão" nem "ao pé".
Sendo assim: E que tal a APDSI lançar uma recolha sistematizada de dados e informações, a partir de várias fontes, sobre os segmentos : Cidadãos/administração Pública, Organizações(sobretudo empresas)/Administração Pública e Empresas/Investigação e Desenvolvimento, enquanto combinação simples (no meu entender)para medir resultados e melhorar acções "final user oriented"?

Era mais directo e em termos de cross analysis mais esclarecedor.Tipo 2.0 (no minimo).

Três exemplos para ilustrar aquilo que procuro identificar:

1-Que medidas tomou a ADP Central e Local e que se repercurtiram sobre a melhoria da relação com os cidadãos (Dados elementares e sintéticos e alguma informação deles resultantes) para áreas como a saude, educação,segurança interna, justiça, economia -sobretudo indústria- mas tambem agricultura e pescas?

2-Que medidas tomou a ADP Central e local e que se repercutiram sobre a melhoria da produtividade, qualidade e rentabilidade das Organizações em geral e das empresas em especial, organizadas por sectores primário, secundário, terciário e do terceiro sector (dados elementares e sintecticos e alguma informação deles resultantes)?

3- Quem fez e quanto custou em 2009 a Investigação e Desenvolvimento e que resultados teve em 2009 (sobretudo a que já vinha desde, por exemplo, o inicio do Plano Tecnológico.E a que se fechou em 2009, logo que possível)?
Que se pode concluir do comércio internacional portugues como resultado desta acção? (dados elementares, sintecticos e informações posssiveis)

Nota complementar:
Naturalmente que, quanto à Correlação PRACE /Acções do Plano Tecnológico,tambem não era dificil fazer algo simples e esclarecedor...Mas o momento não é certamente propicio devido ao deficit de disponibilidade mental mais crise oriented neste momento.
FVRoxo
Em domingo chuvoso e a lamentar a tragédia da Madeira que põe de lado, por motivos bem tristes, o longo tempo perdido com a discussão da lei das finanças Regionais.
E parece que um radar metereológico não existe na Madeira...Pena que com tanto dinheiro investido no turismo Madeirense e com tão bons resultados obtidos, um elemento da segurança de um arquipélago no meio do Oceano como é um Radar Meteriológico, não tivesse sido contemplado no Plano Tecnológico do Turismo (há algum?).
Somos "bons" nas formulações de estratégias .Mas apenas bombeiros nas implementações das mesmas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hoje o Asterix faz 50 anos!

Porque hoje se comemora em todo o mundo os 50 anos de Asterix, aqui fica o exemplo da forma magistral como foi tratada a Burocracia