quarta-feira, 31 de maio de 2017
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Manuela Veloso no workshop da APDSI: «Não estamos habituados a ver robôs a andarem ao nosso lado como se fossem pessoas ou animais»
A APDSI realizou, a 24 de maio, um workshop sobre “Desafios Sociais e Tecnológicos na Conceção de Robôs”
Manuela Veloso, professora da americana Carnegie Mellon University (CMU) e co-fundadora da RoboCup Federation, foi a oradora principal do workshop que a APDSI realizou a 24 de maio no auditório da Lispolis - Pólo Tecnológico de Lisboa. Para a professora, que há mais de três décadas se dedica ao estudo e conceção da robótica, ainda há um longo caminho a percorrer para que os robôs sejam autónomos e, principalmente, rumo à sua harmoniosa interação com os humanos, ou seja, como é que máquinas artificiais podem fazer a integração da perceção, tomada de decisão,
estabelecimento de objetivos, planeamento do movimento autónomo e atuarem sobre esses valores. «Não vale a pena alimentarem-se visões catastróficas. Os robôs ainda sabem fazer poucas coisas, terão sempre limitações e vão sempre precisar de nós», afirmou Manuela Veloso.
estabelecimento de objetivos, planeamento do movimento autónomo e atuarem sobre esses valores. «Não vale a pena alimentarem-se visões catastróficas. Os robôs ainda sabem fazer poucas coisas, terão sempre limitações e vão sempre precisar de nós», afirmou Manuela Veloso.
A líder do departamento de Machine Learning na CMU criou, há alguns anos, os “cobots”, robôs colaborativos que partilham informação entre si e com os humanos. Os seus “cobots”, além de mapearem o espaço onde circulam também executam tarefas: «Não há ninguém que me visite no meu gabinete que não seja guiado por um robô, desde que sai do elevador até chegar ao pé de mim. Eles andam pelo edifício todo e qualquer pessoa pode interagir com eles. Às vezes vagueiam até a bateria acabar», revelou a professora, testemunhando este desempenho dos “cobots” em vídeo.
Os seus parceiros robotizados têm sensores e são extremamente rigorosos quanto à sua localização, o que permite a toda a equipa que com eles trabalha perceber que já andaram mais de mil quilómetros no ambiente da instituição de ensino. Contudo, os “cobots” não podem abrir portas, carregar em botões e, como também não têm braços, não conseguem colocar objetos no seu cesto. Face a estas limitações, a única solução foi recorrer à autonomia simbiótica, explicou Manuela Veloso: «Nesses casos eles pedem ajuda a humanos ou à Internet. Por exemplo, quando chega o elevador eles pedem a alguém: podes carregar no botão para o 7.º andar e segurar a porta para eu entrar? Se as pessoas forem mazinhas e tentarem enganá-los, eles vão perceber que estão a demorar muito tempo para alcançar determinado objetivo, por isso, mandam um e-mail ao seu “dono” a fazer “queixinhas”». A interação dos robôs com os humanos é uma necessidade que se trabalha com recurso à inteligência artificial (IA) e o grande desafio neste momento passa por transformar algoritmos em linguagem.
Os “cobots” da CMU guiam-se por corredores virtuais pelo que se alguém tapar temporariamente as paredes ou o tentar bloquear, ele enfrentará algumas dificuldades. No entanto, a professora garante que nada no ambiente envolvente o pode fazer divergir da sua tarefa. «Por questões de segurança ele não vai fazer nada perigoso se alguém o tentar prejudicar. Não podemos criar máquinas com as quais não possamos interagir», acrescentou.
Apesar de algumas visões menos otimistas partilhadas no workshop da APDSI, muitas foram as vozes a lembrar que a Humanidade sempre soube reinventar-se e, portanto, apesar de muitos empregos se extinguirem à medida que a robotização avança, outras profissões vão nascer e o Homem vai coexistir com a IA desempenhando o trabalho mais criativo, enquanto as máquinas ficam com as tarefas mais rotineiras.
Carlos Cardeira, presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Robótica, referiu que em Portugal a robótica, do ponto de vista de investigação, está bem colocada face a outros países, sendo o setor do calçado e o da pedra os que mais aplicações de robótica já têm. «O calçado, não era, tradicionalmente uma área de ponta na robotização. Interessa que as novas gerações sejam capazes de absorver isto», referiu.
Paulo Soeiro de Carvalho, diretor de Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, fez referência às evoluções e áreas de teste que a cidade se prepara para receber neste âmbito: «Estamos atentos aos desafios regulamentares e legais que vão existir para colocar um automóvel a circular em Lisboa, por exemplo. Queremos perceber que desafios éticos e morais se colocam à sociedade».
No painel sobre conceção de robôs no trabalho, na comunicação e no entretenimento, Estela Bicho, professora da Universidade do Minho - Centro Algoritmi, diz que o objetivo dos robôs é «assistir e colaborar com as pessoas» e próximo passo é ter «robôs que aprendem a fazer de acordo com os gostos de várias pessoas».
João Sequeira, do projeto “Multi-Robot Cognitive Systems Operating in Hospitals”, lembra que uma Internet estável é fundamental para o bom funcionamento dos robôs.
Luís Almeida, professor da Universidade do Porto, cético em relação à natureza humana, reconhece que «ensinar um robô a fazer o caminho não tem grande novidade; ensiná-lo a escolher o caminho é o que nos deslumbra».
Já Patrícia Arriaga, psicóloga e professora do ISCTE, acredita que as relações humanas podem ser aplicadas ao universo da robótica. «Os robôs vão ser personalizados de acordo com o interesse das pessoas (se são mais extrovertidas ou mais introvertidas, mais cooperativas ou mais competitivas). O aspeto deles também vai ser importante porque gostamos de quem tem a imagem mais bonita».
Tiago Ribeiro, doutorando do IST, partilhou a experiência que a faculdade já realizou com robôs a jogarem “à sueca” com idosos.
Pedro Lima, investigador do Institute for Systems and Robotics / IST, quer uma sociedade que consiga «tirar o peso negativo que muitas vezes está associado à chegada dos robôs. Os riscos não são tão grandes como às vezes parecem. É preciso é tomar medidas para que o impacto não seja tão elevado».
António Pires dos Santos, do projeto Watson da IBM, afirma que a empresa está a trabalhar para que os robôs não sofram um ataque de vírus porque «nenhuma organização consegue resolver estes problemas sozinha».
Já no painel sobre impactos e desafios sociais e políticos, Ana Maria Evans, investigadora da FCT e NOVA-IMS em Políticas Públicas, acredita que para Portugal voltar a ser competitivo, depois de ter perdido mercado para países asiáticos com custos de produção muito baixos, tem de investir mais na automação: «O contrato social a que estamos habituados é que vai ser diferente».
Também defensor dos robôs, José Castro Caldas, investigador do CES Universidade de Coimbra, refere que «o desemprego, enquanto fenómeno, existe devido a crises recursivas do modo em que vivemos que pouco têm a ver com tecnologia, embora transformem profundamente muitas profissões. Quando a humanidade pensa em robôs, pensa em algo que possa substituir pessoas. Que diabo de sociedade é esta que está preocupada em criar máquinas que a substitua?».
Isabel Ferreira, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acredita que um robô é um conceito em evolução e «não pode ter dimensões desproporcionadas».
Questionado sobre a personalidade jurídica dos robôs, Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP-IN, diz não ter nada contra os robôs: «Venham eles. O problema é outro: estarão ao serviço de quem e com que finalidade? Só estou preocupado porque se fala muito em robôs e tão pouco em pessoas. Paulatinamente vai-se substituindo o princípio do direito ao trabalho pelo princípio do direito comercial».
Por outro lado, Ivan Gonçalves, deputado do partido socialista, defende que os robôs virão transformar a sociedade para melhor: «A automação vai ter consequências no mercado de trabalho e hoje já vemos isso. O nosso modelo de sociedade atual está em risco e isso coloca-nos alguns desafios para a segurança social e para o sistema fiscal».
Ricardo Oliveira, deputado do partido comunista português, está confiante que algumas tarefas, quando automatizadas, vão permitir ganhos de produtividade: «Para o PCP a libertação do ser humano do tempo necessário para a satisfação das suas necessidades é aquilo que ambicionamos e por que lutamos, pelo que a robotização, a digitalização e outras componentes da aplicação económica e social dos avanços da ciência e do desenvolvimento tecnológico, o desenvolvimento das forças produtivas, é algo que consideramos necessário e desejável».
O workshop da APDSI “Desafios Sociais e Tecnológicos na Conceção de Robôs” foi coordenado Luís Vidigal, presidente da Direção da APDSI.
terça-feira, 23 de maio de 2017
Prémio de Boas Práticas em Saúde - prazo de candidaturas alargado
Em virtude da implementação das medidas excecionais de cibersegurança (circular normativa n.º 2 - SPMS) e, consequentemente, constrangimentos/limitações ao nível da utilização dos sistemas de informação (hardware/software) em todas as instituições do SNS/MS, entenderam a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), a Direção-Geral da Saúde (DGS), a Administração Central do Sistema de Saúde, IP (ACSS) e as Administrações Regionais de Saúde (ARS), proceder à extensão do prazo das candidaturas da 11.ª edição do Prémio de Boas Práticas em Saúde (PBPS).
Assim, o prazo para apresentação de candidaturas decorre até 31 de maio aqui.
"Regulamento Geral de Proteção de Dados - O Futuro é já Amanhã" na Sociedade de Geografia
"Regulamento Geral de Proteção de Dados - O Futuro é já Amanhã" é o tema da sessão de esclarecimento promovida pela Secção de Jurisprudência da Sociedade de Geografia no próximo dia 24 de maio, pelas 9h00, na sala do Convívio na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 100.
A sessão dirige-se a gestores de empresas e de outras organizações com responsabilidades nas áreas de compliance, jurídica e da gestão de sistemas e segurança da informação e tem por objetivo "tirar o pulso" ao processo de adoção do Regulamento Geral de Proteção de Dados, aplicável a partir de 25/05/2018, decorrido que está metade do prazo previsto para o efeito.
Propositadamente, o debate centra-se nos setores mais expostos aos efeitos do Regulamento, nomeadamente a Saúde, Banca, Seguros e as Comunicações Eletrónicas, onde o processo de adoção estará mais avançado.
O evento é gratuito mas as confirmações de presença devem ser feitas para: geral@socgeografialisboa.pt.
Consulte aqui o programa.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
itSMF prepara mais uma edição do IT'S TIME TO TALK ABOUT... Defining and Implementing Security Policies - Opportunities to increase Information Security
A edição deste mês de IT'S TIME TO TALK ABOUT é dedicada ao tema da Segurança e reúne especialistas e consultores da área. As questões, relacionadas com a Definição e Implementação de Políticas de Segurança, vão ser abordadas nas suas variadas vertentes, de forma descomprometida, informal, aberta, mas assumidamente pragmática com o objetivo de sensibilizar, informar, partilhar experiências e conhecimento, perspetivando oportunidades e soluções nesta matéria.
A itSMF Portugal realiza no próximo dia 30 de maio, entre as 17h00 e as 19h00, na Fundação Cidade de Lisboa, mais uma edição da iniciativa IT'S TIME TO TALK ABOUT. Enquadrada no ROADMAP TO IS/IT MANAGEMENT, PRIVACY & SECURITY, desta vez o tema é "Defining and Implementing Security Policies" num debate cuja moderação está a cargo de José Carlos Martins e conta ainda com as participações de Fernando Fevereiro Mendes, da Focus2Comply, Sérgio Sá, da EY Portugal, e Rui Duro, da Checkpoint Systems Portugal.
As organizações estão permanentemente em risco. É impossível afirmar que uma organização está 100% segura, apenas se pode afirmar que existem dois tipos de organizações, as que já foram vítimas de um ataque e as que ainda vão ser.
A crescente escalada de ameaças digitais, resultante das vulnerabilidades dos diversos sistemas de informação, podem atacar os dados e informação das mais diversas organizações. A segurança da informação é, pois, vital na sociedade atual. A criação de procedimentos, políticas, práticas, ou mesmo sistemas de Gestão da Segurança da Informação, devem ser cruciais para as organizações como forma de protegerem eficazmente os seus dados e, por consequência, o seu negócio.
De uma perspetiva de negócio, é vital que as organizações, grandes ou pequenas sejam capazes de identificar os riscos para a segurança e gerir eficazmente as ameaças dos seus sistemas de informação. Simultaneamente os gestores, devem reconhecer que a gestão de riscos é um processo contínuo onde nunca se encontrará uma segurança absoluta, devido às constantes alterações das tecnologias e dos vetores de ameaça.
Melhorar a segurança de uma organização é possível através de um processo efetivo de gestão de riscos, com enfâse na gestão.
A inscrição é gratuita mas obrigatória e deve ser feita aqui.
Agenda:
17h15: Receção dos participantes e café de boas vindas
17h30: Abertura, Luís Braga, itSMF Portugal
17h35: Mesa de debate: "Defining and Implementing Security Policies"
Moderador: José Carlos Martins, "IT'S TIME TO TALK ABOUT".
Painel:
Painel:
- Fernando Fevereiro Mendes, Focus2Comply
- Sérgio Sá, EY Portugal
- Rui Duro, Checkpoint Systems Portugal
19h00: Encerramento
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Dia RGPD - Conferência a 25 de maio
A um ano da aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados, é inevitável que se comecem a manifestar as preocupações, desafios e oportunidades para as empresas. O que fazer nos 12 meses que faltam?
Com a aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), em maio de 2018, o novo quadro legal europeu coloca o ônus de responsabilidade nas organizações, públicas e privadas, acrescentando obrigações com impacto considerável nas suas operações.
No seguimento da iniciativa ocorrida em novembro de 2016, o IAPMEI, a APDSI e o Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados promovem uma conferência, no dia 25 de maio, no auditório da Escola Superior de Comunicação Social, precisamente a um ano da entrada em vigor do Regulamento, por forma a contribuir para a necessária dinâmica pública, de sensibilização de empresas e cidadãos.
Num momento em que a transformação digital é parte intrínseca do desenvolvimento da economia e da capacidade empresarial do país, a devida adequação do tecido empresarial português para responder aos constantes desafios de inovação e competitividade não pode deixar de integrar a capacitação ao nível de recursos, processos, sistemas e competência de gestão para garantir a segurança, proteção e privacidade dos dados. A natureza supranacional com que as empresas operam hoje em dia, correspondendo a uma maior vocação exportadora, exige que as organizações estejam devidamente alinhadas com a realidade dos restantes Estados Membros da União Europeia.
Os resultados do inquérito distribuído pelo IAPMEI, APDSI e APG serão apresentados durante a conferência, ilustrando o estado de preparação e maturidade das PMEs portuguesas para a aplicação do RGPD.
A inscrição é gratuita e deve ser feita aqui.
A falta de um programa de proteção de dados e o risco de não desenvolver as medidas organizativas, processuais e técnicas adequadas, terá eventuais repercussões de dimensão reputacional e de eventual perda de confiança por parte do mercado, mas também no plano financeiro, já que o incumprimento dará lugar a possíveis sanções e penalizações significativas.
Consulte aqui o programa.
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