quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

APDSI apresentou o cenário “No Limiar da Autodeterminação da Inteligência Artificial?”



A APDSI, Associação para a Promoção e o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apresentou ontem o cenário "No Limiar da Autodeterminação da Inteligência Artificial?", no pequeno auditório da Culturgest, em Lisboa.

Este contexto agora apresentado vem na sequência do “Aprofundamento da era Digital - Um Cenário para 2030”, de 2016. 

O cenário apresentado, que tanto cobre as opções mais desafiantes e otimistas como as mais assustadoras, sempre com a ressalva de que qualquer uma delas está dependente de fatores imprevisíveis, pretende fomentar o pensamento estratégico e gerar ideias. O trabalho, que está já disponível no sítio na web da APDSI, resulta de um processo criativo do Grupo “Futuros da Sociedade da Informação” (GFSI). O estudo não é apenas tecnológico e tem a preocupação do crescimento económico e da coesão social.

No cenário apresentado o grupo concluiu que as tendências que vão influenciar o futuro da Sociedade da Informação são económicas, políticas, societais, tecnológicas, legais e ambientais.

«Não há limites para o desenvolvimento tecnológico, podendo chegar-se ao limiar daquele que é hoje considerado um Ser Humano. Os humanos podem vir a ter tecnologias instaladas no corpo para beneficiarem de uma extensão significativa do seu tempo de vida. No entanto, o estado de desenvolvimento tecnológico e científico não é igual em todo o planeta, por isso, as implicações de futuro são meramente indicativas», descreveu o eng.º Francisco Tomé, do GFSI, a quem coube a apresentação do cenário.

No cenário do aprofundamento da Era Digital, o futuro pode ditar que se vão verificar mudanças “quantitativas” no desempenho das máquinas, que evoluem sem disrupção, registam-se avanços lineares e unidimensionais da Inteligência Artificial,e  os algoritmos são concebidos por humanos que apenas marginalmente verão o seu tempo de vida aumentar.

Já no cenário do limiar da autodeterminação da Inteligência Artificial vamos assistir a mudanças qualitativas que vão constituir uma disrupção na evolução das tecnologias como a conhecemos; neste cenário não existem limites para o desenvolvimento das tecnociências, a “máquina inteligente” coexiste ou integra o humano (transhumanismo), assistimos a uma multidimensionalidade da Inteligência e a uma extensão generalizada do tempo de vida dos humanos o que virá a colocar questões éticas e filosóficas como: Quem sou eu? Onde é que estou? Onde é que me puseram? As mudanças demográficas, nesta vertente do cenário, virão acompanhadas de robôs como parte integrante da nossa rotina total e constantemente vigiada.

O fim da privacidade é, assim, uma tendência considerada incontornável em qualquer um dos futuros, bem como a lamentável perda da qualidade ambiental «porque, previsivelmente, os Governos vão continuar a priorizar a economia», anteviu Francisco Tomé.

Pode caminhar-se para uma era de pós-recessão e abundância, era do pós-emprego, resultante de uma simplificação do Estado Social, com novas políticas tributárias e a atribuição do rendimento básico universal que conduzirá ao fim do medo da escassez.

Legalmente, as tendências apontam para um fim das relações de cidadania, o nascimento de uma nova geração de direitos com os códigos de conduta e a integração do Direito como o conhecemos hoje ou, no sentido oposto, o surgimento de uma nova geração de direitos (de transhumanos ou entidades completamente digitais), que levarão à alteração profunda dos conceitos de responsabilidade civil, onde o espaço de nascimento, residência ou trabalho vai ser irrelevante.

Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico, comentou e completou o cenário traçado pela APDSI, lembrando que vivemos no momento machine learning no qual se começa a atuar nas redes neuronais profundas.

Será possível simular o cérebro humano? Segundo os mais recentes testes, feitos no computador mais potente do mundo à presente data, o Sunway TaihuLight, essa simulação está longe de ser exequível no curto prazo mas as tecnologias continuam a evoluir.

Segundo o presidente do IST, há objeções à possibilidade de fazer sistemas inteligentes que possam substituir humanos em tarefas não específicas (ao contrário do que acontece hoje): objeção religiosa, objeção de consciência e objeção tecnológica.

O encontro terminou com um debate sobre o futuro moderado pelo jornalista e investigador Reginaldo Rodrigues de Almeida.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

ERC lança o ebook "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs"



No Dia da Internet Mais Segura 2018, a ERC disponibilizou o ebook "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs" que agrega reflexões sobre o modo como as crianças mais novas estão a crescer em contacto com a tecnologia digital, os usos que fazem dos ecrãs, as competências e literacias que vão adquirindo, as situações de perigo que podem experimentar e os modos como as famílias intervêm na socialização digital. Pode descarregá-lo gratuitamente aqui.

O ebook integra textos de especialistas e de profissionais nacionais e internacionais.

Este estudo constitui mais um contributo no âmbito da terceira edição do projeto da ERC "Públicos e Consumos de Media", desenvolvida em parceria com uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa coordenada pela professora Cristina Ponte, e sucede à publicação "Crescendo entre Ecrãs - Usos de Meios Eletrónicos por Crianças (3-8 Anos)", de fevereiro de 2017.

38% das crianças dos 3 aos 8 anos acedem à Internet. O acesso cresce significativamente com a idade: 22% das crianças de 3-5 anos e 62% das crianças de 6-8 anos. Crianças de famílias com estatuto socioeconómico alto são as que mais usam a rede. Os principais usos desta tecnologia são lúdicos: ver desenhos animados e filmes, jogar jogos, ouvir músicas.

O título interrogativo do ebook procura destacar a ambivalência entre usos e projeções de risco. Apesar de mais de dois terços dos pais serem utilizadores da Internet, o estudo evidencia que se preocupam muito mais com esta tecnologia do que com a televisão, meio a que a maior parte das crianças assiste todos os dias.

Cristina Ponte, responsável pela coordenação científica do estudo, salienta que «na televisão os pais têm a sensação que controlam. Nos outros meios digitais sentem uma fragilidade nas suas competências de observação e controlo. Daí a importância de as competências digitais (…) fazerem parte de uma agenda de formação e informação parental e das próprias crianças, capacitadora de saber lidar com riscos e de tirar partido das oportunidades».

O estudo "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs" está dividido em sete capítulos.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Saphety organiza evento sobre Faturação Eletrónica na Administração Pública



A Saphety, empresa do grupo Sonae especialista em contratação pública e faturação eletrónica, está a organizar um evento sobre as novas regras de contratação para a Administração Pública em Portugal, de acordo com o Novo Código dos Contratos Públicos. O encontro realiza-se no dia 27 de fevereiro no Centro de Congressos de Lisboa.

O evento organizado pela Saphety em parceria com a IDC intitula-se "Faturação Eletrónica na Administração Pública" e tem como principais destinatários a Administração Pública e os seus Fornecedores. Temas como a nova legislação da fatura eletrónica, soluções tecnológicas disponíveis no mercado e a partilha de casos de sucesso, em Portugal e noutros países, são a agenda principal deste encontro de especialistas.

O programa do evento conta com vários oradores da Saphety, tais como o seu CEO, Rui Fontoura, e também Miguel Zegre, Pedro Costa, Jorge Teixeira, Nuno Matos e Pedro Sepúlveda, todos eles diretores e responsáveis de diferentes áreas ligadas ao tema em análise, assim como vários oradores convidados, tanto da Administração Pública como de Fornecedores, tais como, Nuno Loureiro, do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Susana Fonseca, da Câmara Municipal de Loures e Mário Pires, da GeoStar. O evento conta ainda com a participação especial de Francisco Jaime Quesado, economista e especialista em inovação e competitividade.

O programa completo, formulário de inscrição e outras informações úteis encontram-se aqui.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Portal da Queixa recebeu 80.939 reclamações em 2017



Aquela que é considerada a maior rede social de consumidores de Portugal registou um aumento de 85% face a 2016 e, no ano passado, recebeu 80.939 reclamações. Os números foram divulgados em comunicado enviado à imprensa.

O número divulgado atesta que os portugueses estão a reclamar mais e que preferem as plataformas digitais na hora de reclamar.

Apesar de não intervir na relação dos consumidores com as marcas, não efetuando qualquer mediação do conflito entre as partes, o Portal da Queixa, enquanto canal de comunicação digital ao serviço do consumo, tem registado a preferência dos consumidores na altura de reclamar.

Em contrapartida, e ainda segundo as informações divulgadas, as associações de consumidores tradicionais assistiram a uma redução do número de consumidores que as procuraram no ano transato, ora porque não conseguem dar resposta em tempo útil, «ora porque têm custos associados e apresentam mecanismos obsoletos». Consequentemente, a convergência na Internet pelo novo consumidor resulta na crescente opção da via online para registar e dirigir as suas reclamações e ganha, cada vez mais, adeptos por ser «mais direta, mais rápida, sem recurso a mediadores ou intermediários e pode ser efetuada em qualquer lugar com acesso à rede».

Na opinião de Pedro Lourenço, CEO & Founder do Portal da Queixa, «as redes sociais e plataformas digitais, assumem-se hoje como ferramentas poderosas ao dispor dos consumidores. Ninguém quer perder tempo a escrever uma reclamação que ninguém lê, nem pagar por um serviço de mediação de conflitos quando os próprios consumidores têm ao seu alcance o poder da partilha de opinião, experiências e conseguem influenciar outros. Aqui, quem perde são as marcas se não optarem por estar onde estão os consumidores».

Os dados recolhidos referentes às reclamações recebidas em 2017, permitiu ainda ao Portal da Queixa traçar um perfil dos consumidores portugueses que reclamaram através da plataforma:
- 54% são homens;
- 54% têm entre os 25 e os 44 anos;
- residem nos principais centros urbanos de Lisboa (30%), Porto (17%) e Setúbal (10%).

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Atividades dos Grupos de Trabalho em janeiro



Roteiro para a ação
Grupo "Território e Urbanismo Inteligente"

O Grupo "Território e Urbanismo Inteligente" da APDSI está a desenvolver um Roteiro para a Ação e reuniu em janeiro com o Secretário de Estado da Proteção Civil, a Secretária de Estado da Justiça, o Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, o presidente do Instituto dos Registos e Notariado e com o Ministro da Agricultura. Os objetivos destas reuniões são a criação de um programa nacional de governação de informação georreferenciada sobre o território, disponibilização de serviços online de consulta e gestão de informação georreferenciada sobre o território português, usando um formato open data, e democratizar o acesso à informação, assegurando simultaneamente uma maior transparência e validação da qualidade da informação por parte do cidadão (crowd auditing).

Estão previstas, durante o mês de fevereiro, reuniões com outras entidades relevantes e com os vários grupos parlamentares. Para 2018 está também agendada uma conferência em colaboração com a União Europeia, sobre a Diretiva Inspire, intitulada "Portugal é um só".


Tomada de Posição

O Grupo Competências, Qualificação e Empregabilidade Digital, constituído no final do ano passado, está focado, por agora, em produzir uma Tomada de Posição sobre a iniciativa nacional Portugal INCoDe.2030 e submeter um Plano de Ação para o ano de 2018 e seguintes. O Grupo criou um espaço de ação colaborativa e avançou com a produção de documentos de referência de edição nacional, europeia e internacional. Está criado também um Referencial de Indicadores, nacionais e europeus, sobre a temática, que permite à APDSI emitir opinião, posição e acompanhamento da evolução dos mesmos.


Era GRAP... passa a "Democracia, Administração e Políticas Públicas"

O Grupo Permanente "Democracia, Administração e Políticas Públicas", reformulado a 24 de janeiro na sequência do anterior GRAP, refletiu sobre a Estratégia TIC 2020 e a necessidade de se contribuir civicamente para a criação de uma macro-arquitetura de dados e processos, centrados nos eventos de vida dos cidadãos e agentes económicos, e na partilha e interoperabilidade de dados sobre pessoas, empresas, território ou veículos.

Este grupo pretende mobilizar, através da sociedade civil, uma maior colaboração entre ministérios e níveis de governo, recentrando  os seus processos nas necessidades dos cidadãos e das empresas, quebrando os atuais silos e vaidades institucionais geradoras de burocracia e custos inúteis. Está prevista, no âmbito do grupo, a organização da Conferência "e-Gov 2018" e a atribuição do respetivo Prémio Anual.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Workshop: Introdução à Vida Artificial - Construção de Ecossistemas Artificiais



A APDSI vai realizar um workshop exclusivo para sócios que se interessam pela problemática ligada à construção de sistemas inteligentes. O encontro está marcado para quinta-feira, dia 22 de fevereiro, entre as 9h00 e as 18h30, na sede da APDSI, em Telheiras, Lisboa.

O workshop tem como principal objetivo introduzir a temática da Construção de Ecossistemas Artificiais, fornecendo, simultaneamente, o suporte teórico e a perspetiva prática necessários para o desenho e implementação de Ecossistemas Artificiais. 

Serão abordados os aspetos teóricos fundamentais relacionados com esta temática, nomeadamente algoritmos genéticos e redes neuronais artificiais. No final será desenhada a arquitetura completa e concreta de um Ecossistema Artificial.

Este é um evento exclusivo para sócios da APDSI e está limitado a 30 pessoas. A inscrição é gratuita mas obrigatória e pode fazê-la aqui

Programa: 

Part 1 - Introduction to Artificial Life (1h)

1.1 Basic Principles: The Natural, the Artificial and the Synthetic
1.2 Life and Evolution
1.3 Genotypes, Phenotypes and Mutations
1.4 Individual Fitness and Natural Selection
1.5 Reproduction and Death
1.6 Artificial Life as a Way for building Artificial Intelligence Systems
      Evolution and Emergence in Artificial Life

Part 2 - Modeling of Artificial Life Systems (7h)

2.1 Strategies: GA; ANN; Automat Theory, Agent Theory...
2.2 An example of building an artificial ecosystem
2.2.1st draft
       An introduction to neurocomputation
2.2.2 2nd draft
       An introduction to Genetic Algorithms
2.2.3 GO live !!

*O workshop é dinamizado em português

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Robôs podem roubar cinco milhões de empregos


A automatização pode vir a roubar cinco milhões de empregos e afetar 800 milhões de pessoas nos próximos 13 anos.

As contas foram feitas num estudo do Fórum Económico Mundial que também aponta para o crescimento da desigualdade salarial entre homens e mulheres nos setores tecnológicos de 15 economias globais líderes. Sem surpresa, as mulheres serão as mais afetadas nesta nova revolução tecnológica - já chamada de 4.ª Revolução Industrial.

Por outro lado, o estudo "Towards a Reskilling Revolution: A Future of Jobs for All", prevê que cerca de 95% dos trabalhadores afetados vão conseguir um novo emprego se passarem por processos de requalificação.

A 48.ª reunião anual do Fórum Económico Mundial realizou-se em Davos-Klosters de 23 a 26 de janeiro e o tema deste ano é "Criar um futuro partilhado num mundo fracturado".

Em 2014, a CIONET e a Comissão Europeia, em colaboração com a APDSI, APDC, TICE.PT e ISACA, organizaram, a Grand Coalition for Digital Jobs Summit. Um dos principais temas da cimeira passou pela contradição entre a existência, em Portugal, de um elevado grau de desemprego, e em particular entre os jovens, e o aumento da falta de competências no sector das TIC.