segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Gonçalo Paredes à APDSI: "Espero que esta medalha possa melhorar o que for preciso"


Gonçalo Paredes é o jovem português que conquistou o terceiro lugar nas Olimpíadas Internacionais de Informática, em Kazan, na Rússia.

Esta é já a sexta medalha de bronze conquistada por Portugal nesta competição mundial que, em Portugal, é organizada pela APDSI. A Associação recebeu, este ano, as felicitações por parte do Ministério da Educação.

Foram, também, galardoados os estudantes Henrique Navas, Duarte Nascimento e Guilherme Penedo que lutaram pela melhor classificação de Portugal nesta competição, tendo-lhes sido entregues prémios relativos ao Concurso Ibero-Americano de Informática por Correspondência. Nesta prova, os estudantes portugueses conquistaram três medalhas de prata e duas medalhas de bronze.

Depois da vitória, Gonçalo Paredes aceitou partilhar a experiência que teve com a APDSI.

Que impacto está a ter na tua vida a medalha de bronze conquistada nas Olimpíadas Internacionais de Informática?
Foi um objetivo realizado e foi bom ver as notícias e a mencionar. Deu alguma motivação para começar a universidade neste ano, mas agora tenho novos objetivos que espero também alcançar.

Como reagiu a tua família e amigos quando souberam do teu feito?
Recebi mensagens de parabéns de muita gente, mas como não foi a primeira vez que alguém na família fez algo assim não houve tanta surpresa.

Qual a melhor memória que guardas de Kazan, na Rússia, e da competição em particular?
Além da prova e da entrega das medalhas, gostei particularmente de um passeio à noite pela cidade na companhia do líder e alguns colegas em que tivemos outra perspetiva do sítio onde estávamos a ficar.

Achas que as Olimpíadas Nacionais da Informática são importantes? Onde poderiam melhorar?
São importantes para a divulgação, promoção da informática e para encorajar alunos de secundário a aprenderem algoritmos e estimular o raciocínio. Há muito a melhorar, mas infelizmente é preciso mais pessoas e financiamento. Espero que esta medalha, as noticias que saíram e a minha ajuda, para o ano possam melhorar no que for preciso.

O que dirias aos teus colegas que têm vontade de participar? Como se podem preparar?
Se tiverem interesse, pesquisem, e experimentem que pode ser que seja algo que gostem e queiram explorar. Para treinar há muitas plataformas, e muitos problemas para resolver tanto das olimpíadas nacionais como de outros países ou até das olimpíadas internacionais, mas podem sempre pedir ajuda a alguém responsável através do mail e obteriam dicas.

Na informática, qual a tua área preferida que gostarias de vir a aprofundar?
Tenho algum interesse nalgumas áreas relacionadas com matemática, mas neste momento gostaria de aprofundar mais o meu conhecimento de grafos.

Estás quase a entrar na faculdade. Qual a empresa ou entidade onde gostarias de vir a trabalhar?
Se viesse a trabalhar numa empresa, gostaria que fosse uma com um vasto leque de áreas a explorar, como a google, onde conseguisse trabalhar no que gosto mais apesar de estar limitado pelas necessidades da empresa.

Pedro Ribeiro, o Team Leader da equipa portuguesa que foi à Rússia, professor no DCC-FCUP Universidade do Porto, também partilhou connosco a sua experiência não só deste ano, mas de todos os outros em que tem acompanhado as comitivas lusas nas suas participações informáticas além-fronteiras.

Qual a importância de ter recebido felicitações por parte do Ministério da Educação?
É sempre agradável receber felicitações oficiais, sendo que felizmente não foi a primeira vez que tal aconteceu. De um ponto de vista mediático são certamente importantes e contribuem para uma maior divulgação das Olimpíadas. De um ponto de vista mais prático, é importante que o Ministério apoie as Olimpíadas não apenas quando os bons resultados aparecem, mas também em fases mais iniciais quando se procura divulgar e preparar os alunos.

Em que medida as Olimpíadas Nacionais da Informática são importantes no programa educativo/escolar?
As Olimpíadas Científicas no geral, e não apenas as de Informática, surgem como um veículo importante de divulgação e promoção da disciplina em causa, com especial ênfase na captação de jovens talentos. No caso de Informática são ainda mais importantes, pois ao contrário de outras Olimpíadas (ex: Matemática e Física) surgem num tema que não é de todo coberto no atual programa escolar, pelo que vêm ajudar a cobrir essa lacuna. A grande maioria dos alunos de topo nas Olimpíadas Nacionais de Informática vem de formações mais gerais onde nem sequer têm aulas de programação ou algoritmia, sendo alunos que aprendem autonomamente e que por isso têm com as Olimpíadas a primeira exposição mais estruturada ao mundo da Ciência de Computadores, bem como a ligação a uma comunidade pequena mas apaixonada por este mundo.

Quanto tempo demora a preparação de um aluno?
Não é fácil quantificar o tempo de forma objetiva. Não será fruto do acaso que quatro das cinco mais recentes medalhas de Portugal nas Olimpíadas Internacionais (2009, 2010, 2012 e 2016) vieram por alunos que já repetiam a presença na comitiva portuguesa, ou seja, alunos que já tinham sido começado a preparação no ano anterior. Se olharmos para o contexto internacional, e não apenas o português, vemos que este teor se mantém e no geral os alunos com mais sucesso já estão no mundo da programação competitiva há vários anos, participando regularmente em concursos que se vão organizando um pouco por todo o mundo. Uma medalha representa, portanto, um esforço considerável que tem repercussões positivas no desenvolvimento das capacidades do aluno em causa, sendo que o feedback dos alunos que têm representado Portugal tem sido muito positivo, indicando que essa experiência lhes foi muito útil a nível pessoal, académico e profissional.

Há quantos anos participa e que balanço faz dessas provas?
Este é já o meu 20.º ano com envolvimento nas Olimpíadas Nacionais  de Informática, e o 16.º ano onde fiz parte da comitiva portuguesa nas Olimpíadas Internacionais (IOI). Entre 1995 e 1998 participei como concorrente (2º lugar nacional em 95 no meu 9.º ano, e 1.º lugar nacional em 96, 97 e 98), tendo representado Portugal nas Olimpíadas Internacionais nesses quatro anos. A partir de 2001 comecei a estar envolvido na preparação dos alunos e na criação de problemas. De 2005 a 2008 fui vice-líder da comitiva portuguesa nas IOI e desde 2009 que tenho sido o líder português nas IOI. O balanço é muito positivo e as Olimpíadas são uma parte integrante e indissociável da minha vida, sendo (também) graças a elas que tive a certeza que queria fazer carreira profissional na área. Em termos sociais, são inúmeros os amigos que fiz e como organizador quero poder passar um pouco desta minha paixão pela Ciência de Computadores e fomentar o gosto pela programação e pelo desenho de algoritmos.

sábado, 24 de setembro de 2016

Paddy Cosgrave sobre Portugal: "Muita gente importante que estava em Berlim está a mudar-se para Lisboa"


Lisboa vai receber, durante pelo menos três anos, a Web Summit. Este ano, o Meo Arena vai ser palco, de 7 a 10 de novembro, deste que é um dos mais importantes eventos europeus de tecnologia, empreendedorismo e inovação. A cimeira espera de 50.000 participantes, de mais de 150 países, incluindo mais de 20.000 empresas, 7.000 presidentes executivos, 700 investidores e 2.000 jornalistas internacionais.

Para o público em geral ainda há ingressos à venda, por 700 euros. Em setembro foi conhecido o resultado do Road 2 Web Summit, um concurso à escala nacional que selecionou 66 start-ups portuguesas que em novembro vão ter que mostrar, o que de melhor se faz em Portugal no que diz respeito a empreendedorismo tecnológico.

Os empreendedores selecionados vão ter também uma espécie de formação para que possam tirar o melhor partido possível da presença no Web Summit. Já a Born from Knowledge, iniciativa do Ministério da Ciência e Ensino Superior, escolheu dois mil voluntários no âmbito universitário. O objetivo é que em troca de um dia de trabalho no evento tenham acesso, de forma gratuita, aos outros dois dias.

A outra boa notícia é que a Web Summit vai abrir o seu primeiro escritório fora da Irlanda e vai ser no novo Hub Criativo de Lisboa, em Marvila, um espaço de três mil metros quadrados cedido pelo Ministério das Finanças e da Defesa. O espaço servia de armazém militar. Para o escritório da Web Summit em Portugal vão ser contratados, principalmente, comerciais, engenheiros e project managers. Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, admite que Portugal foi o país escolhido porque tem muito talento escondido, cafés baratos e um sol sem comparação.

Nos quatro dias de Web Summit em Portugal vai, ainda, haver workshops, e sessões de treino intensivo que visam dotar as startups de uma melhor preparação para o futuro. Haverá ainda um "Espaço Ecossistema", onde as startups e incubadoras foram convidadas a expor o seu projeto e que conta assim com mais de uma centena projetos em exibição. No total são esperados cinco mil portugueses.

No dia do anúncio da instalação em Portugal do primeiro escritório da Web Summit fora de Portugal, Paddy Cosgrave aceitou falar com APDSI.

Porque é que há tanta gente a querer estar presente na Web Summit?
Eu acho que vêm porque oferecemos um produto que é muito atrativo. Vêm para conhecer outras pessoas que podem ajudar nos seus negócios ou, de alguma maneira, nas suas vidas profissionais. Vêm para se divertirem nos eventos de final de tarde, o que também é muito importante, e vêm para aprender com os nossos speakers incríveis com quem, normalmente, não conseguiriam entrar em contacto. Portanto, ter centenas de pessoas, que estão no topo da tecnologia, todas a falarem sobre as suas experiências, é uma oportunidade fantástica quer fabriques cortiça, whisky ou carros. Podes aprender sobre como o marketing está a mudar ou qual o melhor software para o teu negócio.

Quantos profissionais espera vir a contratar para o seu escritório em Lisboa?
Nos últimos meses contratámos gente incrível em Portugal que está a trabalhar nos nossos escritórios em Dublin. Senti-me inspirado pelas pessoas que entrevistei e comecei a achar que devíamos mesmo abrir um escritório aqui, o talento é surpreendente e mal posso esperar para começar a contratar os primeiros funcionários para Lisboa, cerca de uma dúzia, para começar. Quanto mais gente encontrar, mais gente irei contratar com certeza. Somos uma empresa jovem, com um crescimento rápido, por isso, estas coisas não são fáceis de prever. Há seis anos tínhamos 400 participantes nas conferências e eu nunca pude prever que viriam a ser 5.000. Se, na altura, me perguntassem por previsões de crescimento, eu apontaria para umas mil pessoas, por isso, quem sabe o que o futuro nos reserva? Agora estamos apenas focados na Web Summit em novembro; vamos começar a contratar logo a seguir ao evento.

O que Portugal tem a ganhar ao acolher a Web Summit?
A grande mudança que aconteceu nos últimos anos foi que os investidores internacionais começaram a ficar muito interessados nas jovens empresas portuguesas. E a seriedade deste interesse é sublinhada pelo facto de estar, realmente, a haver investimento estrangeiro em Portugal que vem do resto da Europa, da Ásia e de Silicon Valley. Portanto, as empresas portuguesas dificilmente conseguirão outra oportunidade de serem vistas por cerca de mil investidores que cá estarão nesses quatro dias.

Costuma aconselhar os investidores?
Não, eu não digo a nenhum investidor onde deve investir. O que faço é proporcionar encontros mas cabe aos empreendedores criarem uma boa história para apresentar o seu negócio. Eu conheço alguns empreendedores portugueses e sei que vocês não têm dificuldades em atrair grandes investidores.

As empresas que se apresentam na Web Summit têm todas uma forte ligação às novas tecnologias, correto?
Nem por isso. Muitas das startups que aqui chegam não estão diretamente relacionadas com a tecnologia; vêm de outras áreas já seguras, inspiradas em grandes empresas dos mais variados setores, até dos mais tradicionais. Sim, há gente que vem dos setores tradicionais que vem apenas por curiosidade, para saber como é que as tecnologias influenciam os seus negócios e eu acho que isso ainda vai tornar o evento mais interessante.

Porque escolheu Portugal para instalar o seu primeiro escritório fora da Irlanda?
Porque eu já tinha lido que Portugal era o país mais ensolarado de toda a Europa, e é! Porque continuo a achar estranho ir a um café, pedir uma bica e pagar 60 cêntimos! É de loucos! [risos] As ruas são inacreditavelmente vibrantes. Se eu quiser ir fazer surf é só ir, literalmente, até ao fundo da rua. O meu irmão vivia em Berlim e mudou-se para cá. Havia muita gente que estava em Berlim, gente importante, porque era uma cidade super fixe, considerada a capital da Europa, e que está a mudar-se para Lisboa, não para outro destino qualquer, portanto isso há-de dizer alguma coisa sobre a cidade.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Projeto da AMA vence prémio World Summit Award Mobile (WSA-mobile) 2016


O Projeto da AMA - Agência para a Modernização Administrativa - "Chave Móvel Digital", venceu o prémio World Summit Award Mobile (WSA-mobile) 2016. A notícia foi dada pela própria entidade vencedora.

A Chave Móvel Digital é um dos oito projetos portugueses premiados que vai participar nesta iniciativa mundial da ONU. O World Summit Award Mobile (WSA-mobile), criado em 2010, realiza-se de dois em dois anos, alternadamente com o World Summit Award.

O WSA é uma iniciativa global que visa selecionar e promover conteúdos e aplicações móveis inovadores com impacto global. Cada edição envolve projetos provenientes de mais de 170 países.

A Chave Móvel Digital é um sistema gratuito e alternativo de autenticação, que permite aos cidadãos aceder, através de dispositivos móveis, a serviços disponibilizados por portais e sites de entidades públicas, com recurso ao telemóvel. Uma chave permanente, escolhida pelo utilizador, e um código automático e temporário, enviado via telemóvel, é usado em cada autenticação.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Conferência sobre "O Novo Regulamento Europeu de Proteção de Dados"


A Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI) e a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) organizaram, a 20 de setembro, na Sala do Senado da Assembleia da República, uma conferência sobre o novo regulamento europeu de proteção de dados para analisar e discutir os desafios e oportunidades que o futuro contexto regulatório vai trazer.

Embora só comece a ser aplicado em 2018, o novo quadro legal europeu tem novidades significativas que terão um impacto considerável na vida das organizações, públicas e privadas, agentes de segurança e autoridade, assim como na atividade das entidades de supervisão. Sendo a proteção de dados pessoais um direito fundamental em Portugal e na União Europeia, os cidadãos ocupam um lugar central nesta transformação que pretende trazer homogeneidade e eliminar diferenças entre regimes jurídicos da União Europeia.

Preocupada com a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a Comissão Nacional de Proteção de Dados alerta para o facto de, sendo apenas um Estado-membro a decidir sobre as questões legais de proteção de dados, a solução poder não ser a mais adequada ao queixoso. A presidente da CNPD, Filipa Calvão, alerta, também, para as dificuldades acrescidas que os cidadãos vão ter no acesso a outra entidade supra-nacional. O novo regulamento europeu de proteção de dados, que vai ter aplicação prática em maio 2018, "ainda tem um longo caminho a percorrer por empresas e organismos públicos que têm por missão fazer o controlo da proteção de dados. No plano político e legislativo precisa de respostas adequadas, sob pena de se sacrificar a homogeneidade", exemplifica a presidente da CNPD que está a "maturar alterações e a tentar encontrar soluções em conjunto com as restantes autoridades da União Europeia".

Christopher Kuner, Professor de Direito e Diretor do Brussels Privacy Hub, Vrije Universiteit Brussels (VUB), explica que a General Data Protection Regulation (GDPR é um termo a reter até 2018) vai implicar uma "grande mudança na regulação europeia aplicada a todos os Estados-membros, uma vez que não é necessária implementação nacional". Isto significa que a lei nacional ou desaparece ou é minimizada em grande escala.

Em defesa da GDPR, que pretende reforçar e uniformizar o enquadramento legal na proteção de dados pessoais, o professor destaca que, hoje em dia, os cidadãos tendem a não confiar que a lei de proteção de dados seja cumprida, além de se levantarem várias questões relacionadas com as diferenças culturais e entre os sistemas jurídicos de vários países. Muitas vezes levantam-se dúvidas sobre quem tutela e que áreas - acrescenta. Com o novo enquadramento legal, deixa de haver múltiplas entidades a reger e múltiplos mecanismos a ter em conta. Kuner fala da criação de uma One Stop Shop , que vai ser responsável pelos processos e atividades de proteção de dados em toda a União Europeia. As empresas e instituições, que agora estão espalhadas pelos vários países, vão ter apenas um ponto de contacto, apesar de haver parceiras que serão procuradas na tentativa de se alcançarem posições comuns, num mecanismo corporativo. "Como vai isto funcionar nos tribunais? É bom aplicar a lei mas é preciso reforçá-la fora da União Europeia", adverte o professor.

Sobre as questões relacionadas com a subcontratação na área da proteção de dados, Domingos Farinho, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, citou as matérias legais que já estão em vigor no atual regime, para reforçar que, a ideia da extensão da proteção prevista no regulamento pelo responsável do tratamento, deve ser extensível à subcontratação porque "a relação entre o responsável pelo tratamento e o subcontratante é a mesma mas há capítulos novos no novo regulamento". A preocupação alarga-se à subcontratação fora da União Europeia e, naturalmente, ao setor público e não só.

O GDPR, enquanto "super direito com um elevado nível de tratamento de dados pessoais onde o cidadão ficará mais protegido", encoraja as organizações a serem mais cooperativas, diz David Wright, Diretor da Trilateral Research Ltd., encantado com a Sala do Senado da AR e com a audiência. Num segundo ponto da sua apresentação, David Wright antecipa que a nova lei vai mexer com utilizadores, clientes e cidadãos, em geral, pelo que é preciso prevenir "os efeitos colaterais de cada vez que se tratar de informação pessoal, como vida política, religiosa ou sexual".

Patrícia Jerónimo, Delegada para a Proteção de Dados, deu particular ênfase ao direito ao esquecimento no contexto empresarial e às notificações de violação de dados pessoais que, a partir de 2018, virão a acontecer no prazo máximo de 72 horas.

Na EDP a gestão de topo da empresa é a primeira a promover este tema, admitiu Pedro Dias Vicente, Responsável pelo Compliance da Direção de Auditoria do Grupo, que pretende "formar e informar clientes e colaboradores sobre o que podem fazer e sensibilizá-los para as consequências". Pedro Dias Vicente acredita que a preocupação com as pessoas é o fator diferenciador da empresa que vai garantir a contratação de um "data protection officer que promova o cumprimento da normativa dentro da organização", acrescenta.

Eugénia Santos, do Conselho Diretivo da Agência para a Modernização Administrativa (AMA) sublinha que o surgimento desta nova figura tem por missão "aconselhar e garantir que todo o tratamento de dados pessoais está a ser feito e é o ponto de contacto entre cidadão e autoridade de controlo.

De referir que um dos assuntos a que a AMA também fez referência está relacionado com o facto de, com o novo regulamento europeu de proteção de dados, acabar a notificação prévia de que os dados vão ser mantidos por determinadas entidades.

"O legislador nacional deve dizer em que termos fica o seu quadro legislatório. O quadro constitucional interno dos Estados-membros não poderá ser apagado face ao direito da União Europeia; este não pode prevalecer", acrescenta Alexandre Sousa Pinheiro, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em defesa da CNPD.

Aludindo à privacy by design, Catarina Sarmento e Castro, Juíza do Tribunal Constitucional, acredita que vai verificar-se uma "simplificação de procedimentos com o novo regulamento porque é uma tendência genérica da legislação que, com a alteração do contexto económico e social, trouxe maior liberdade de circulação de informação". A juíza reforça o seu ponto de vista bastante otimista face à nova regulamentação: "Ciberespaço é um lugar para potenciar o exercício de direito de cidadania. Pode até vir a ser consagrado o direito ao acesso à Internet", congratula-se.

"Ciberespaço é um lugar para potenciar o exercício de direito de cidadania. Pode até vir a ser consagrado o direito ao acesso à Internet", congratula-se Catarina Sarmento.

Estelle Massé, Analista Sénior da ONG Access Now (escritório de Bruxelas), membro da rede europeia EDRi, antecipa o futuro dos engenheiros informáticos ao lembrar que devem estar extremamente bem informados e sensibilizados para "a quantidade mínima de informação de que vão precisar para desenvolver a sua aplicação".

Coube à Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, encerrar a sessão da APDSI e da CNPD, realçando "o direito a ser-se esquecido e a portabilidade dos dados".

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Universidade Nova de Lisboa promove Ciclo de Palestras sobre "Proteção de Dados e Cibersegurança"


Para comemorar a abertura do sítio www.proteccaodedados.pt, a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa está a realizar um Ciclo de Palestras sobre "Proteção de Dados e Cibersegurança", focando a atenção sobre três recentes normativas da União Europeia nestas matérias.

A segunda palestra, intitulada "Diretiva e-Polícia", realiza-se já amanhã, dia 22 de setembro e a terceira, chamada "Diretiva Cibersegurança - Segurança das Redes e da Informação - Linhas de Força do Futuro Enquadramento Regulatório", realiza-se no dia 29.

A participação em qualquer uma das palestras é gratuita, embora sujeita a inscrição prévia e a confirmação de presença. Todas as palestras serão realizadas no Auditório A da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Campolide), em Lisboa.

O Ciclo de Palestras conta com os apoios da FDUNL - Faculdade de Direito da Unversidade Nova de Lisboa, do CEDIS - Centro de Investigação e Desenvolvimento sobre Direito e Sociedade, e da APCIBER - Associação para a Promoção da Cibersegurança e da Proteção de Dados.

Para informações ou inscrições no Ciclo de Palestras deve enviar um e-mail para secretariado@proteccaodedados.pt.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Conferência "Gestão Documental: utopia e realidade"




A  APDSI  vai  realizar,  a  8  de  novembro  de  2016, no Auditório  da Torre do Tombo, em Lisboa, a conferência "Gestão Documental: utopia e realidade", da responsabilidade do Grupo de Informação Documental (GID), que tem vindo a acompanhar as boas práticas da Gestão Documental. O objetivo do estudo e do encontro passa por colocar na agenda dos decisores da Administração Pública, e da generalidade das empresas portuguesas, a importância da gestão dos recursos documentais na atual sociedade da informação e do conhecimento.

Enquanto "quarto recurso", além das pessoas, dos dinheiros e do património físico, a APDSI pretende valorizar os arquivos enquanto fontes de informação essenciais numa Sociedade da Informação, onde são muitos os negócios que apenas existem num contexto digital, levando a uma aceleração de processos e aumento de produtividade inimagináveis há poucos anos.

O GID quis avaliar como o conceito da Gestão Documental tem sido absorvido pelo mercado, quando tudo aponta para uma obrigatória desmaterialização e modernização administrativa, sem as quais será difícil atingir ganhos de produtividade. Por isso, o estudo começou com um inquérito às empresas, após o qual foram abordadas diversas individualidades para saber quem usa a gestão documental, qual o predomínio do digital sobre o papel e como serão as principais funcionalidades disponíveis nas soluções dos próximos anos.

Na conferência de 8 de novembro vão ser partilhados os resultados obtidos para avaliar como a UTOPIA de uma Governança da Informação se pode compatibilizar com a REALIDADE da Gestão Documental tendo em conta a VISÃO da Sociedade Civil.

Queremos DEBATER o estado da arte e perceber os caminhos do futuro e, para isso, contamos consigo.

O programa e as inscrições serão disponibilizados em breve.